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Santa Catarina quer oferecer canetas emagrecedoras pelo SUS

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A possibilidade de acesso gratuito a medicamentos usados no tratamento da obesidade grave entrou no radar do poder público em Santa Catarina. Um projeto de lei em análise na Assembleia Legislativa (Alesc) propõe que pacientes com obesidade grau III possam receber, pelo Sistema Único de Saúde (SUS), a tirzepatida — princípio ativo de medicamentos como o Mounjaro, administrado por meio das chamadas “canetas emagrecedoras”.

O projeto de lei 766/2025, de autoria do deputado estadual Sérgio Motta (Republicanos-SC), estabelece a criação de uma política estadual para fornecimento gratuito da tirzepatida a pacientes com obesidade grau III — condição definida por Índice de Massa Corporal (IMC) igual ou superior a 40 kg/m², conforme parâmetros da Organização Mundial da Saúde (OMS) e protocolos do Ministério da Saúde.

O objetivo é ampliar o acesso ao tratamento para pessoas de baixa renda que não conseguem custear a medicação, reduzindo complicações graves e melhorando a qualidade de vida. “Essa é uma causa que eu conheço na pele. Perdi mais de 34 quilos com acompanhamento médico, atividade física, mudança de hábitos e o uso da medicação”, informou o deputado.

Projeto de lei é de autoria do deputado estadual Sérgio Motta (Republicanos). (Foto: Rodolfo Espínola/Agência AL)

Quem poderá receber o medicamento pelo SUS em Santa Catarina

Caso o projeto de lei seja aprovado, o texto não garantirá acesso automático à chamada “caneta emagrecedora” e estabelecerá critérios cumulativos. Para ter direito ao medicamento, será necessário:

  • prescrição médica emitida por profissional da rede pública com especialização ou experiência no tratamento da obesidade;
  • laudo médico comprovando obesidade mórbida e indicação terapêutica da tirzepatida;
  • avaliação multidisciplinar prévia e acompanhamento regular durante todo o tratamento;
  • comprovação de renda familiar mensal de até três salários mínimos.

Além disso, o paciente deverá:

  • seguir o plano terapêutico definido por médico especialista e equipe multiprofissional;
  • comparecer às consultas de acompanhamento com frequência mínima definida pela equipe médica;
  • assinar termo de ciência e responsabilidade, comprometendo-se com o tratamento.

O projeto prevê prioridade para pacientes com comorbidades que aumentem o risco cardiovascular e regras específicas para adolescentes entre 16 e 18 anos, que só poderão receber o medicamento com supervisão médica especializada e autorização dos responsáveis.

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Executivo assume reformulação do texto

A proposta parlamentar tramitou pela Comissão de Constituição e Justiça do Legislativo catarinense, onde o texto foi aprovado. O projeto está na Comissão de Finanças e Tributação, onde um pedido de vistas interrompeu a análise no último dia 3.

O Executivo definiu que vai reestruturar e reapresentar a proposta. Não há prazo para votação em plenário. Ao comentar o tema, o governador Jorginho Mello (PL-SC) afirmou que a iniciativa é relevante, mas o projeto apresentado é inconstitucional e, por isso, a gestão estadual prepara outro.

“Vamos fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para melhorar a qualidade de vida do catarinense. Por isso, fica o nosso compromisso de lutar por esses medicamentos através do SUS”, disse. 

Em nota, o Ministério da Saúde informou que o SUS é gerido de forma tripartite, ou seja, por União, estados e municípios, que possuem autonomia para ofertar, inclusive com recursos próprios, medicamentos, vacinas e demais tratamentos, de acordo com as necessidades da população.

“Também é responsabilidade das gestões locais a organização dos serviços, a definição de fluxos assistenciais e a orientação aos pacientes. Nesses casos, a aquisição é de responsabilidade exclusiva do ente federativo”, explicou.

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Moro quer discutir no Senado quedas de energia pela Copel

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Uma proposta de audiência pública no Senado Federal pode colocar em debate a qualidade do serviço de distribuição elétrica no Paraná. O senador Sergio Moro (filia-se ao PL nesta semana) apresentou requerimento para discutir as quedas e oscilações no fornecimento de energia no estado e pretende ouvir o presidente da Companhia Paranaense de Energia (Copel) e representantes da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

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Segundo Moro, o objetivo é esclarecer as causas de falhas relatadas por consumidores e produtores rurais e entender quais medidas estão sendo adotadas pela empresa para melhorar o serviço. O pedido ainda precisa ser analisado pela comissão responsável no Senado. Caso seja aprovado, a data da audiência será definida posteriormente pelos parlamentares.

“O objetivo é debater as constantes quedas e oscilações de energia no Paraná. Queremos compreender as causas dessas falhas e quais medidas estão sendo tomadas para garantir estabilidade no sistema elétrico”, afirmou o senador.

De acordo com ele, também será importante ouvir a Aneel – responsável pela regulação e fiscalização do setor elétrico no país – para explicar quais mecanismos de controle e fiscalização estão sendo aplicados à concessionária que atende o estado.

A audiência, segundo o senador, também deve servir para avaliar se os instrumentos regulatórios disponíveis são suficientes para assegurar a qualidade do serviço prestado à população. O processo de privatização da companhia foi concluído no ano de 2023.

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Fornecimento de energia pela Copel entra no radar do Senado

O senador afirma que relatos de consumidores e produtores rurais motivaram a iniciativa parlamentar. Segundo ele, há registros de prejuízos significativos relacionados a interrupções no serviço em diferentes regiões do estado.

Um dos casos citados relatados veio do município de Tupãssi, região oeste do Paraná. De acordo com Moro, um produtor rural atrelou prejuízo estimado em cerca de R$ 9 milhões após uma queda de energia comprometer equipamentos e provocar a perda de aproximadamente 900 mil quilos de tilápia.

Outro episódio mencionado pelo parlamentar ocorreu em São Miguel do Iguaçu, onde uma produtora teria relatado a morte de cerca de 20 mil aves após falhas no fornecimento elétrico. Os dois casos envolvem atividades agropecuárias altamente dependentes de energia elétrica contínua para o funcionamento de equipamentos de ventilação, bombeamento de água e sistemas de alimentação automatizada.

Qualquer interrupção prolongada, na avaliação dos produtores, pode provocar perdas rápidas e significativas na produção. “O serviço precisa ter estabilidade e mecanismos eficientes de atendimento e ressarcimento aos consumidores prejudicados. Energia elétrica é um insumo essencial para a economia e para a vida das pessoas”, disse Moro.

Para o senador, a audiência pública pode ajudar a dar mais transparência ao tema e permitir que autoridades regulatórias e a concessionária apresentem informações sobre as medidas adotadas para melhorar o atendimento.

Quedas e oscilações no fornecimento de energia pela Copel motivaram pedido de audiência no Senado para discutir o serviço no Paraná. (Foto: Divulgação/Copel)

Indicadores da Aneel mostram piora em ranking no fornecimento de energia pela Copel

Dados da Aneel indicam que a Copel terminou o ano de 2024 na 29ª posição entre 31 distribuidoras de grande porte avaliadas no país. No ranking anterior, referente a 2023, a companhia ocupava a 25ª colocação.

Segundo a agência reguladora, o levantamento considera indicadores técnicos que medem a duração e a frequência das interrupções no fornecimento de energia, conhecidos como DEC e FEC. A partir desses parâmetros é calculado o índice consolidado chamado DGC, utilizado para comparar o desempenho das concessionárias.

A Aneel informou que não realizou um diagnóstico específico para explicar a queda da Copel no ranking, mas apontou que houve piora nesse indicador em relação ao ano anterior. Os dados da agência também apontam aumento nas ocorrências emergenciais com interrupção no fornecimento. No último quadrimestre de 2023 foram registradas 152.822 ocorrências na rede da Copel, contra 123.660 no mesmo período de 2022.

Em relação ao tempo médio de atendimento dessas ocorrências, a agência observa tendência de aumento nos últimos anos. O indicador passou de 248 minutos em 2022 para 306 minutos em 2025, segundo os dados mais recentes disponíveis.

A Aneel também informou que foi lavrado um auto de infração relacionado à distribuidora em processo de fiscalização do serviço. Segundo a agência, o ranking mais recente disponível é o de 2024, enquanto os dados referentes a 2025 ainda estão em fase de apuração.

Copel anuncia programa com foco em produtores rurais

Em meio às críticas sobre interrupções no fornecimento de energia, a Copel anunciou recentemente um programa voltado ao setor rural. Batizado de “Copel Agro”, o projeto prevê investimentos anuais de cerca de R$ 200 milhões e a criação de um canal exclusivo de atendimento a produtores rurais.

A iniciativa inclui uma central telefônica dedicada, reforço de equipes técnicas e ações de manutenção e monitoramento da rede elétrica em áreas de produção agropecuária. O programa foi apresentado a lideranças cooperativistas em Medianeira, cidade localizada na região oeste do estado.

Segundo o presidente da companhia, Daniel Slaviero, a proposta busca ampliar a agilidade no atendimento e reduzir interrupções no fornecimento, especialmente em atividades com alto grau de dependência de energia elétrica, como a produção de aves, suínos e peixes.

O programa também prevê mutirões de poda de vegetação próxima à rede elétrica, ampliação de equipes de campo e ações de orientação técnica para produtores rurais sobre uso adequado da rede e instalação de equipamentos.

Cobranças consideradas incisivas à Copel, do setor agropecuário paranaense, voltaram a ser feitas durante a realização do evento Show Rural, em Cascavel, também na região oeste, no último mês de fevereiro.

A reportagem da Gazeta do Povo procurou a Copel para comentar os dados divulgados pela Aneel e a proposta de audiência no Senado, mas não houve retorno até a publicação deste texto.



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Por que Marcinho VP pode voltar às ruas em poucos meses

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O Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) trava uma corrida contra o relógio para evitar o que, na avaliação do órgão de acusação, seria uma catástrofe para a segurança pública carioca e de todo o Brasil: a liberdade de Márcio dos Santos Nepomuceno, de 55 anos, mais conhecido como Marcinho VP, apontado como uma das maiores lideranças da facção criminosa Comando Vermelho (CV), atrás das grades desde 1996. 

Se nada mudar, Marcinho VP, que passou a maior parte da vida na cadeia, tem um encontro com a liberdade marcado para meados de outubro deste ano. Apesar de estar condenado sem chance de recurso a uma pena total de 36 anos de cadeia, o que o deixaria preso até 2032, neste ano ele completa 30 anos atrás das grades, o máximo permitido pela lei de execuções penais à época das condenações.

Nepomuceno cumpre a pena no presídio federal de Campo Grande (MS). Agora, o MP-RJ busca uma solução jurídica para mantê-lo preso. 

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Pacote Anticrime pode ser a chave para manter Marcinho VP preso por mais uma década

Além das condenações em definitivo, Marcinho VP é acusado de crimes variados em diversos outros processos que correm na Justiça. Caso sofra uma nova condenação, ou uma decretação de prisão preventiva por algum destes casos, poderia em tese continuar preso por mais tempo.

Isso porque a aprovação do Pacote Anticrime pelo Congresso Nacional, em 2019, aumentou para 40 anos o tempo máximo de prisão para um condenado. A nova regra de reclusão máxima não pode ser aplicada a penas que vieram antes da mudança na lei, mas vale para os casos em aberto.

É este o caminho escolhido pelo MP-RJ para tentar manter a liderança criminosa atrás das grades por pelo menos mais 10 anos. Em novembro do ano passado, foi pedida a prisão preventiva do traficante em um processo que se arrasta na Justiça há mais de 23 anos e no qual ele é réu junto com Marco Antônio Pereira, o “My Thor”, e Cláudio José Fontarigo, o “Claudinho da Mineira”, que também tiveram a nova prisão solicitada (todos já presos por outros casos).

No pedido, o MP alega que o trio toma medidas protelatórias para impedir o andamento do processo na Justiça. Segundo o MP, as medidas evidenciam “a intenção de obstruir a Justiça, adiar o julgamento e assegurar a liberdade de ‘Marcinho VP’, que deverá concluir o tempo máximo legal de reclusão em 2026, quando completará 30 anos de prisão”.

Trio comanda atividades criminosas da facção de dentro do sistema prisional

De acordo com o Ministério Público, mesmo preso, o trio ainda comanda atividades criminosas da facção de dentro do sistema prisional. O pedido de prisão agora é analisado pelo Juízo da 1ª Vara Criminal da Comarca da Capital.

De acordo com o Ministério Público, as condutas adotadas pelos réus incluem a desistência dos advogados de defesa às vésperas do julgamento e a entrega de grande volume de documentos nos momentos finais do prazo, prática conhecida como “document dumping”. 

Ainda no final de novembro, a Vara de Execuções Penais (VEP) do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ) decidiu renovar, por mais três anos, a permanência do traficante em um presídio federal, longe do sistema penitenciário carioca. A decisão de manter Marcinho VP em uma unidade federal foi baseada em pareceres da polícia, do MP e da direção do Sistema Penitenciário Federal.

A reportagem da Gazeta do Povo não conseguiu contato direto com os advogados de Nepomuceno. No pedido à Justiça, a defesa dele pedia pelo retorno do criminoso ao Rio de Janeiro, alegando que “cumpre pena em presídio federal há 18 anos ininterruptos” e que a Secretaria de Segurança Pública “reitera a necessidade de manutenção” do traficante no Sistema Penitenciário Federal “sob a fundamentação de suposta liderança no Comando Vermelho e risco à ordem pública, sem fato novo, prova atual ou intercorrência disciplinar”.

“Não há demonstração de que os motivos originais permanecem hígidos, sendo certo que foram completamente superados já que não há liderança ativa, inexistem registros de faltas disciplinares e o apenado se dedica à leitura e à produção literária, inclusive com obras publicadas”, afirmam os advogados.

“A defendente foi banido do seu estado de origem em 2007, ficando distante do local onde possui laços de convívio social, deixando para trás 6 (seis) filhos, esposa, mãe, irmão e tios, medida que se prolongou injustificadamente por 18 anos”, argumenta a defesa.

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Pai do cantor Oruam

O criminoso é classificado no sistema penitenciário como de “alta periculosidade” pela Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) e apontado como chefe do Comando Vermelho. De acordo com documento da Polícia Civil do Rio de Janeiro, mesmo preso Marcinho VP “nunca abdicou da sua posição de liderança do Comando Vermelho”.

De acordo com relatórios de inteligência da Polícia Civil carioca reproduzidos pelo MP no processo em questão, mesmo após a transferência para o sistema federal, em 2007, ele manteve-se como um dos principais líderes da facção criminosa e teria ordenado diversos ataques contra facções rivais, milícias e polícia no Rio.

Em junho de 2021, por exemplo, outro interno foi gravado enquanto lia bilhetes direcionados ao líder criminoso no banho de sol no pátio do presídio de Catanduvas (PR), onde ambos estavam presos na época. O episódio, que faz parte de uma investigação conduzida pela Polícia Federal, ficou conhecido como “bilhetes do CV”, com ordens para torturas e mortes.

Mesmo preso, Marcinho VP fez mudanças na cúpula da facção que comanda. Segundo a Polícia Civil, ele repassou ordens a Luis Cláudio Machado, o Marreta, às vésperas de ele ser transferido do presídio federal de Catanduvas (PR) para Bangu (RJ), em outubro de 2023. As defesas de Marcinho VP e Marreta negam as acusações.

Marcinho VP também é pai do cantor Oruam, que encontra-se foragido da Justiça desde o início de fevereiro. Em 2024 Oruam participou do festival de música internacional Lollapalooza. Durante a apresentação, ele vestiu uma camiseta com a foto do pai e um pedido de “liberdade”.

O cantor, por sua vez, é réu em ação penal que apura tentativa de homicídio qualificado e estava em liberdade com uso de tornozeleira eletrônica por força de liminar concedida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). No entanto, o próprio STJ retirou a liminar, após relatórios da Coordenação de Monitoração Eletrônica da Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) apontarem sucessivas violações das determinações judiciais. 

Marcinho VP foi suspeito de ter ordenado a morte de traficante que autorizou Michael Jackson na favela

Dentre outras suspeitas, acusações, investigações e processos, Marcinho VP foi suspeito de ter ordenado a morte de outro traficante do Comando Vermelho, Márcio Amaro de Oliveira. Este último era chefe do tráfico no Morro Dona Marta e foi encontrado morto, em 2003, quando ambos estavam presos em Bangu, no Rio.

O VP do Dona Marta vivia sendo confundido com Marcinho VP, chefe do Complexo do Alemão e acima do outro na hierarquia do grupo criminoso. O traficante do Dona Marta ficou famoso em 1996, após autorizar a equipe do cineasta norte-americano Spike Lee a filmar um clipe com o cantor Michael Jackson na comunidade.

Na época, ele chegou a conceder entrevistas a veículos de imprensa, e pouco depois descobriu-se que recebia uma mesada do bilionário brasileiro e documentarista João Moreira Salles para escrever um livro e tentar abandonar o crime. Ele foi preso em 2000, e sua história foi contada no livro “Abusado, o dono do Morro Santa Marta”, do jornalista Caco Barcellos, lançado ainda em 2003.

Na obra, o traficante é denominado como Juliano VP. Dois meses depois do lançamento do livro, Márcio Amaro de Oliveira foi encontrado morto dentro de uma lixeira no presídio.

Tanta notoriedade do homônimo e as revelações sobre o tráfico de drogas feitas no livro teriam incomodado Marcinho VP, que teria encomendado a execução de Márcio Amaro de Oliveira por estrangulamento na cadeia. Apesar disso, ele nunca foi formalmente acusado como mandante do crime e sempre negou qualquer participação no caso.



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Fazenda no RS concentra criação de cavalos militares do Exército

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Uma propriedade rural em São Borja, no extremo oeste do Rio Grande do Sul, na fronteira com a Argentina, abriga uma das maiores criações de cavalos de raça do país. A área possui 15.362 hectares, aproximadamente 15 mil campos de futebol, o que corresponde a cerca de 5% do território do município, e reúne aproximadamente 1 mil animais.

No local funciona a Coudelaria e Campo de Instrução de Rincão, que concentra o nascimento e a criação dos equinos utilizados pelo Exército brasileiro. A palavra coudelaria deriva do termo “coudel”, usado em Portugal para designar o capitão de cavalaria. Diferente de haras, termo usado para propriedades privadas, a coudelaria é associada à criação de equinos militares ou de propriedade estatal.

“É muito amplo o empenho militar do cavalo, eles fazem parte do arsenal de guerra do exército. Os animais ganham destaque nos cerimoniais, mas também atuam no combate militar. Em muitas regiões não é possível fazer a patrulha patrimonial a pé ou com veículo, então nesses casos os cavalos são usados”, conta o diretor da coudelaria, o coronel Leandro Sicorra Wilemberg.

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Produção de cavalos militares segue planejamento de cinco anos

A coudelaria entrega ao Exército cerca de 150 cavalos por ano, prontos para uso militar. O planejamento da produção começa cinco anos antes da entrega dos animais.

No primeiro ano, a administração define o planejamento financeiro que custeia a criação. No segundo ano ocorre o emprenhamento das éguas. Os potros nascem 11 meses após a inseminação. Após três anos de criação, os cavalos passam por doma e treinamento.

A equipe técnica avalia linhagem genética e desempenho físico antes de definir o destino de cada animal. Em 2025, a coudelaria entregou 170 cavalos ao Exército. O volume representa, em média, um animal domado e pronto para uso a cada dois dias.

Entre as características desejadas em um cavalo militar estão pelagem uniforme, dorso forte e proporcional, pescoço alongado, membros fortes e bem aprumados e boa capacidade cardiorrespiratória. Os animais também precisam demonstrar aptidão desportiva e capacidade para patrulhamento ostensivo.

“Esses animais são patrimônio do governo. A produção em média custa R$ 7 mil. Não realizamos venda, apenas doação para os órgãos que solicitam. Mas temos animais com genética de grandes campeões“, afirma Wilemberg.

Coudelaria de Rincão cria raças como brasileiro de hipismo, puro-sangue inglês, bretão e cavalo crioulo para uso militar, esportivo e de patrulhamento.Coudelaria de Rincão cria raças como brasileiro de hipismo, puro-sangue inglês, bretão e cavalo crioulo para uso militar, esportivo e de patrulhamento. (Foto: Kauan da Silva/Coudelaria de Rincão)

Criação no RS atende forças armadas de países da América Latina

No Brasil, os cavalos militares cumprem diferentes funções. Parte dos animais participa de atividades cerimoniais nos três regimentos de guarda do Exército em Brasília, conhecidos como Dragões da Independência. Unidades militares no Rio de Janeiro e em Porto Alegre também utilizam os equinos.

Outra parcela atua no patrulhamento de campos de instrução e áreas militares. Os animais atendem à Escola de Equitação do Exército, responsável pela formação de oficiais na prática equestre e pelo incentivo ao hipismo brasileiro.

A Força Aérea Brasileira, por sua vez, utiliza cavalos da coudelaria em atividades de patrulhamento. Polícias militares de diversos estados solicitam equinos para policiamento ostensivo e para unidades de choque.

O criatório mantém ainda intercâmbios com Forças Armadas de países da América Latina, com troca de animais e material genético. “Dentro do possível a gente consegue alinhar o desporto e a atividade militar. Temos bons resultados em campeonatos internacionais”, destaca o coronel Wilemberg.

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Treinamento adapta características de cada raça às funções militares

A coudelaria mantém diferentes raças de cavalos com características voltadas ao uso militar. Entre elas estão:

  • o brasileiro de hipismo (BH)
  • o puro-sangue inglês (PSI)
  • o bretão
  • o cavalo crioulo
  • o polo argentino.

De acordo com a seção técnica da coudelaria, o BH apresenta forte aptidão para equitação. O principal destaque do plantel de Rincão é o cavalo brasileiro de hipismo. A propriedade militar mantém mais de 800 exemplares da raça e lidera a criação no país.

Já o cavalo crioulo atende com frequência às demandas de polícias militares para patrulhamento ostensivo. O bretão, por sua vez, exerce função estratégica na reprodução.

As éguas bretãs atuam como receptoras de embriões de outras raças. A técnica permite o desenvolvimento genético de diferentes linhagens. A coudelaria de Rincão figura entre os criatórios pioneiros do Brasil nessa prática e mantém posição de referência na América Latina, enviando animais para a Argentina e o Paraguai.

“Nós procuramos extrair de cada animal, independente da raça, o melhor resultado. Claro que alguns animais podem oferecer mais, temos casos de exemplares que ficaram na ativa por 30 anos. Outros, por razões individuais de saúde ou acidentes, podem ficar tempo menor, 15, 20 anos. Mas nosso trabalho é buscar desenvolver cada um para desempenhar tanto o desporto quanto o uso militar”, afirma o tenente Lucas Melantonio, chefe da seção técnica da coudelaria.

Coudelaria de Rincão entrega cerca de 150 cavalos por ano ao Exército, após um processo de criação e treinamento que começa cinco anos antes da entrega dos animais.Coudelaria de Rincão entrega cerca de 150 cavalos por ano ao Exército, após um processo de criação e treinamento que começa cinco anos antes da entrega dos animais. (Foto: Kauan da Silva/Coudelaria de Rincão)

Criação dos cavalos militares em São Borja completou 104 anos

De acordo com os registros históricos da Coudelaria e Campo de Instrução de Rincão, a criação de cavalos para uso militar no Brasil começou no século XVII, no período colonial, em Pernambuco. No Rio Grande do Sul, a primeira fazenda militar surgiu em 1737 com a Estância Real de Bojuru.

No século XVIII, a área atual da coudelaria integrou a Estância de São Gabriel, da Companhia de Jesus. Em 1843, o Estado incorporou as terras e as arrendou a fazendeiros. O território retornou ao Ministério da Guerra em 1891. Em 1922, o Rincão de São Gabriel tornou-se oficialmente a Coudelaria de Rincão.

Ao longo do século XX, o Exército manteve várias propriedades de criação. Em 1950, o país possuía nove coudelarias: Rincão (RS), Saycan (RS), Avelar (RJ), Campos (RJ), Pouso Alegre (MG), Monte Belo (MG), Tindiquera (PR), Campo Grande (MS) e Campinas (SP).

A mecanização das Forças Armadas reduziu a necessidade de cavalos. No início da Segunda Guerra Mundial, em 1939 e 1940, o Exército possuía 22.810 equinos. Hoje, o efetivo soma 2.181 animais.

Em 1975, o Exército extinguiu as coudelarias em atividade, inclusive a de Rincão, e transferiu os plantéis para Campinas. Em 1987, o Ministério do Exército decidiu fechar a unidade paulista e recriar a coudelaria no Rio Grande do Sul, devido à maior área disponível e à pressão da expansão urbana em Campinas. Desde janeiro de 1988, Rincão funciona como a única coudelaria do Exército Brasileiro.



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