Brasil
Relembre alvos da PF na Operação que investiga o banco Master
Deflagrada em sua primeira fase em novembro de 2025 pela Polícia Federal, a Operação Compliance Zero foi iniciada como uma investigação sobre a suposta criação de carteiras de crédito sem lastro e a emissão de títulos fraudulentos pelo Banco Master para o Banco de Brasília (BRB).
O avanço das apurações fez o inquérito alcançar autoridades e agentes políticos de diferentes esferas de poder, além de investigar a existência de uma suposta estrutura paralela de intimidação e espionagem vinculada ao esquema.
Desde então, a investigação se expandiu e alcançou familiares e sócios do banqueiro Daniel Vorcaro, executivos do mercado financeiro, operadores apontados como responsáveis pela movimentação e ocultação de recursos e integrantes de instituições públicas e privadas supostamente beneficiados pelo esquema.
Saiba, abaixo, quais foram todos os alvos das dez fases da operação deflagradas até julho pela Polícia Federal:
1ª Fase – 18 de novembro/2025
Daniel Vorcaro: dono do Banco Master foi preso pela primeira vez, seguido por sua liquidação pelo Banco Central. Apontado como líder da organização investigada e suspeito de comandar fraudes financeiras, manipulação de mercado, lavagem de dinheiro, corrupção e uso de estruturas paralelas para proteção do grupo. Outro lado: Vorcaro disse que sempre esteve à disposição das autoridades e que colaborou com as investigações.
Augusto Ferreira Lima: ex-sócio do Banco Master e posterior proprietário do Banco Pleno, alvo de mandado de busca e apreensão. Considerado integrante do núcleo de comando da instituição e investigado por participação na estrutura financeira sob suspeita de fraude.
Paulo Henrique Costa: ex-presidente do BRB, alvo de afastamento do cargo. Investigado por incentivar e facilitar as operações fraudulentas entre o banco estatal e o Master, como a aquisição de R$ 12 bilhões em carteiras de crédito fraudulentas e a tentativa frustrada de compra da instituição privada. Teria recebido vantagens financeiras indevidas de Vorcaro. Outro lado: em nota, o BRB disse que sempre atuou em “conformidade com as normas de compliance e transparência”.
2ª Fase — 14 de janeiro/2026
Fabiano Campos Zettel: pastor, empresário e cunhado de Daniel Vorcaro, alvo de mandado de busca e apreensão. Segundo a PF, atuava como homem de confiança do banqueiro e teria coordenado pagamentos, repasses e um núcleo de intimidação contra adversários do grupo. A defesa de Zettel afirmou que ele sempre esteve à disposição das autoridades.
Belline Santana: ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária do Banco Central, alvo de mandado de busca e apreensão. Investigadores afirmam que atuava informalmente como consultor de Vorcaro e teria fornecido orientação privilegiada sobre fiscalização e regulação bancária. A defesa dela não foi encontrada para comentar e o Banco Central também não comentou.
Paulo Sérgio de Souza Neves: ex-diretor de Fiscalização do Banco Central, alvo de mandado de busca e apreensão. Investigado por atos relacionados à aquisição do Banco Máxima, posteriormente transformado em Banco Master. A PF apura se houve favorecimento regulatório. Sua defesa não foi encontrada para comentar.
Dario Oswaldo Garcia: diretor financeiro do BRB, alvo de mandado de busca e apreensão. Investigado por atuação em operações financeiras relacionadas ao grupo. Sua defesa criticou a prisão.
Nelson Tanure: empresário e investidor, alvo de mandado de busca e apreensão. Teria sido sócio oculto de Vorcaro no Master. A defesa de Tanure disse que ele jamais enfrentou qualquer processo criminal no contexto das empresas em que é ou foi acionista e ainda negou que tivesse qualquer relação de natureza societária com o Banco Master.
João Carlos Mansur: empresário fundador da corretora Reag, alvo de mandado de busca e apreensão. Teria gerido operações financeiras do Banco Master. Sua defesa disse que ele estava à disposição das autoridades.
3ª Fase — 4 de março/2026
Daniel Vorcaro: foi preso pela segunda vez. Sua defesa seguiu dizendo que ele colabora com as investigações.
Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão: conhecido como “Sicário”, também foi preso e apontado como coordenador operacional de uma espécie de “milícia privada” chamada de “A Turma” para intimidar, coagir e ameaçar desafetos de Vorcaro. Segundo a PF, realizava monitoramento, obtenção de dados sigilosos e vigilância de adversários de Vorcaro. O Sicárioacabou tirando a própria vida na prisão e sua defesa contestou as circunstâncias do fato, ocorrido nas dependências da PF.
Marilson Silva: policial federal aposentado e também preso. Faria parte do grupo “A Turma” e auxiliava na obtenção de dados sigilosos, monitoramento e intimidação. Sua defesa não foi encontrada para comentar.
Fabiano Zettel: empresário e pastor cunhado de Vorcaro, foi preso e apontado pelas investigações como operador financeiro do banqueiro e integrante do grupo “A Turma”. Assim como Vorcaro, a defesa de Zettel sempre afirmou que ele está disponível às autoridades.
4ª Fase — 16 de abril/2026
Paulo Henrique Costa: ex-presidente do Banco de Brasília (BRB). Foi preso por suspeita de articular as operações fraudulentas com o Banco Master, entre elas a compra de carteiras de crédito sem lastro e a compra da instituição privada. Sua defesa alegou que a prisão é ” absolutamente desnecessária” e que ele colaborou com as investigações.
Daniel Monteiro: advogado considerado pela Polícia Federal como “arquiteto jurídico” do esquema, também foi preso. Teria criado estruturas societárias e mecanismos para ocultação patrimonial. A defesa de Daniel Monteiro informou que ele estava à disposição das autoridades.
5ª Fase — 7 de maio/2026
Ciro Nogueira (PP-PI): senador e presidente nacional do PP, foi alvo de mandado de busca e apreensão. A Polícia Federal afirma que ele teria atuado no Congresso em pautas de interesse de Daniel Vorcaro, incluindo a chamada “Emenda Master”, que aumentaria o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Em troca, recebia vantagens financeiras e viagens. O senador atribuiu as acusações a interesses político-eleitorais e a proximidades das eleições.
Felipe Cançado Vorcaro: primo de Daniel Vorcaro e apontado também como operador financeiro do esquema, foi preso temporariamente. Segundo a Polícia Federal, fazia a ponte entre as decisões de Vorcaro e a execução financeira e societária. Sua defesa disse que a prisão preventiva seria desproporcional e que sua atuação empresarial é independente da de Vorcaro.
Raimundo Neto e Silva Nogueira Lima: irmão de Ciro Nogueira e também alvo de mandado de busca e apreensão. Investigado por movimentações financeiras e por supostamente operar parte da estrutura ligada ao parlamentar. Sua defesa optou por não se manifestar.
6ª Fase — 14 de maio/2026
Henrique Moura Vorcaro: pai de Daniel Vorcaro, foi preso por comandar o grupo “A Turma” após a prisão do empresário. É investigado por participação na ocultação patrimonial e suporte à estrutura financeira do grupo. Sua defesa disse que a prisão foi “extrema, desnecessária e desproporcional”.
Valéria Vieira Pereira da Silva: delegada da Polícia Federal, foi afastada das funções. A autoridade aponta que ela teria acessado indevidamente inquéritos para fornecer informações sigilosas a uma organização criminosa. Sua defesa negou categoricamente todas as acusações.
Francisco José Pereira da Silva: agente aposentado, foi alvo de mandado de busca e apreensão. A investigação aponta que ele teria participado do repasse das informações colhidas ilegalmente por Valéria. Sua defesa negou quaisquer irregularidades.
Uma delegada e um agente policial foram alvos de mandados de busca e apreensão e afastados das atividades.
7ª Fase — 19 de maio/2026
Policial Federal lotado em Rondônia (nome não divulgado oficialmente): foi alvo de mandados de busca e apreensão e afastamento das funções. A autoridade suspeita que ele estaria repassando informações sigilosas da própria investigação e alertado integrantes da organização criminosa sobre diligências da Polícia Federal.
A autoridade trata essa fase como desdobramento direto da estrutura que teria sido montada para proteger Daniel Vorcaro e dificultar o avanço das investigações.
8ª Fase — 26 de maio/2026
Cláudio Castro (PL-RJ): ex-governador do Rio de Janeiro, foi alvo de mandados de busca e apreensão. A investigação aponta que ele teria influenciado o investimento de R$ 3,6 bilhões da Rioprevidência, a previdência dos servidores do estado, em aplicações de risco do Banco Master. A defesa declarou não ter tido acesso prévio aos autos, mas manifestou não haver envolvimento direto dele com a autarquia.
Ex-dirigentes do Rioprevidência também foram alvos de mandados de busca e apreensão.
9ª Fase – 18 de junho/2026
Jaques Wagner (PT-BA): senador e líder do governo Lula no Senado, foi alvo de mandados de busca e apreensão. Segundo a investigação da Polícia Federal, ele supostamente atuaria em favor de interesses políticos de Vorcaro no Congresso, como a articulação da chamada “Emenda Master” e mudança em legislações relativas a empréstimos consignados em troca de vantagens financeiras, como um apartamento milionário em Salvador, viagens em jatinhos ligados ao banqueiro, repasses financeiros, etc. Jaques Wagner declarou que interesses político-eleitorais estariam por trás da ação da PF contra ele e sua defesa criticou a exposição de fotos com dinheiro vivo.
Augusto Ferreira Lima: ex- sócio do Banco Master e dono do Banco Pleno, também já liquidado pelo Banco Central. Apontado pela investigação como articulador de Vorcaro com Jaques Wagner, com uma amizade de longa data com o parlamentar. Sua defesa negou qualquer irregularidade.
Thiago Miranda: o publicitário Thiago Miranda foi o alvo da 10ª fase da operação, acusado de ter sido o articulador da “Operação DV”, que tinha como objetivo atacar a credibilidade das instituições, além de investigações sobre jornalistas, como Malu Gaspar, e concorrentes, como o CEO do banco Itaú. Sua defesa negou todas as acusações.
Brasil
Santa Catarina supera SP e se torna o estado mais competitivo
O estado de São Paulo deixou a liderança do Ranking de Competitividade dos Estados pela primeira vez após 14 edições da lista, elaborada pelo Centro de Liderança Pública (CLP) com desenvolvimento técnico da Tendências Consultoria.
Santa Catarina, que ocupava a segunda posição na edição anterior, passou ao primeiro lugar, enquanto São Paulo caiu para a segunda colocação. O Paraná manteve a terceira posição, ocupada desde 2022, e o Rio Grande do Sul avançou do quinto para o quarto lugar, sua melhor colocação até agora.
O Ranking de Competitividade dos Estados reúne indicadores distribuídos em dez pilares: infraestrutura, sustentabilidade social, segurança pública, educação, solidez fiscal, eficiência da máquina pública, capital humano, sustentabilidade ambiental, potencial de mercado e inovação.
O objetivo é comparar fatores relacionados à capacidade dos estados de atrair investimentos, oferecer serviços públicos e criar condições para o desenvolvimento econômico e social.
O levantamento dá mais peso para os pilares de segurança pública, sustentabilidade social, infraestrutura e educação, seguido por solidez fiscal e eficiência da máquina pública.
A classificação mede o desempenho relativo dos estados no conjunto de indicadores, o que significa que uma mudança de posição não implica necessariamente piora absoluta de quem caiu ou melhora em todos os indicadores de quem subiu. Um estado pode avançar mais rapidamente que outro e ultrapassá-lo mesmo que ambos tenham apresentado melhora em seus dados brutos.
Nas notas finais, a distância entre os dois estados mais competitivos já vinha diminuindo nos últimos anos. Em 2023, São Paulo tinha vantagem de 5,6 pontos sobre Santa Catarina nas notas normalizadas do ranking. A diferença caiu para 2,7 pontos em 2024 e para apenas 1 ponto em 2025. Na edição de 2026, Santa Catarina passou a ter vantagem de 6,4 pontos sobre o estado paulista.
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Ranking de Competitividade dos Estados 2026
| Posição | UF | Nota final |
| 1 | Santa Catarina | 87,06 |
| 2 | São Paulo | 80,68 |
| 3 | Paraná | 76,30 |
| 4 | Rio Grande do Sul | 68,00 |
| 5 | Espírito Santo | 67,24 |
| 6 | Distrito Federal | 62,43 |
| 7 | Minas Gerais | 60,23 |
| 8 | Goiás | 59,46 |
| 9 | Mato Grosso | 59,08 |
| 10 | Mato Grosso do Sul | 55,15 |
| 11 | Ceará | 54,04 |
| 12 | Paraíba | 53,92 |
| 13 | Rio de Janeiro | 50,01 |
| 14 | Amazonas | 48,99 |
| 15 | Rio Grande do Norte | 46,94 |
| 16 | Sergipe | 44,96 |
| 17 | Pernambuco | 43,57 |
| 18 | Alagoas | 42,99 |
| 19 | Piauí | 39,36 |
| 20 | Rondônia | 36,33 |
| 21 | Bahia | 36,11 |
| 22 | Roraima | 35,69 |
| 23 | Maranhão | 34,02 |
| 24 | Tocantins | 33,33 |
| 25 | Pará | 32,81 |
| 26 | Acre | 24,73 |
| 27 | Amapá | 24,50 |
Fonte: CLP
Como Santa Catarina alcançou a liderança no ranking
A ascensão catarinense foi impulsionada principalmente por avanços em áreas nas quais o estado melhorou sua posição relativa dentro do ranking.
Em educação, Santa Catarina ganhou sete posições. Um dos principais fatores foi o avanço de 23 colocações no indicador de avaliação educacional.
O estado também subiu sete posições no pilar de eficiência da máquina pública, acompanhado por ganhos de 17 posições no indicador de equilíbrio de gênero no emprego público estadual e de 12 posições no equilíbrio de gênero na remuneração pública estadual.
Outro avanço relevante ocorreu em solidez fiscal, pilar em que Santa Catarina ganhou três posições. O resultado foi acompanhado por uma melhora de dez colocações no indicador de sucesso do planejamento orçamentário, além de ganhos em regra de ouro e solvência fiscal.
Santa Catarina também avançou três posições em sustentabilidade ambiental, com melhora em indicadores relacionados à transparência das ações de combate ao desmatamento, serviços urbanos e tratamento de esgoto. Em potencial de mercado, o estado subiu duas posições.
O resultado final revela uma vantagem construída pela consistência em diferentes áreas. Na comparação entre os dez pilares, Santa Catarina ficou em primeiro lugar em sustentabilidade social, segurança pública e potencial de mercado; foi terceira colocada em eficiência da máquina pública e quarta em solidez fiscal.
O estado lidera em sustentabilidade social, segurança pública e potencial de mercado. Sua pior colocação entre os pilares foi infraestrutura, em quinto lugar.
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São Paulo continua líder em áreas estratégicas
A perda da primeira posição geral não significa, porém, que São Paulo tenha deixado de apresentar resultados superiores em áreas importantes.
O estado paulista continua na primeira colocação nos pilares de infraestrutura, educação e sustentabilidade ambiental, ou seja, em três dos dez grandes grupos de indicadores utilizados pelo levantamento.
A queda para o segundo lugar foi influenciada principalmente por perdas relativas em cinco pilares. A maior delas ocorreu em eficiência da máquina pública, área em que São Paulo caiu nove posições. O estado também perdeu posições em capital humano, segurança pública, solidez fiscal e inovação.
Entre os fatores apontados pelo relatório estão quedas relativas nos indicadores de equilíbrio de gênero na remuneração pública estadual, qualidade da informação contábil e fiscal e produtividade dos magistrados e servidores do Judiciário. Em solidez fiscal, houve recuos nos indicadores de taxa de investimentos e sucesso do planejamento orçamentário.
O próprio estudo alerta, no entanto, que a mudança de liderança deve ser interpretada com cuidado. O ranking é construído a partir da posição relativa dos estados e da agregação ponderada de diversos indicadores. Assim, não é possível concluir, apenas pela perda da primeira colocação, que São Paulo tenha se tornado menos competitivo em termos absolutos.
Região Sul consolida domínio no topo
A nova edição também reforça a concentração dos estados do Sul e do Sudeste nas primeiras posições do ranking. Além da liderança de Santa Catarina, o Paraná permaneceu em terceiro lugar e o Rio Grande do Sul alcançou a quarta colocação, depois de passar três anos consecutivos em quinto.
No Nordeste, o Ceará assumiu a liderança regional e subiu três posições no ranking geral, chegando ao 11º lugar e ultrapassando a Paraíba. Na região Norte, o Amazonas também avançou três posições, chegando à 14ª colocação e se tornando o estado mais bem posicionado da região.
Na outra ponta, Pará, Acre e Amapá permaneceram nas três últimas posições do ranking.
Brasil
veja fotos das manifestações de 7 de setembro
Além dos tradicionais gritos de “Fora Lula” e “Fora Moraes”, as manifestações de 7 de setembro marcadas para esta segunda-feira (7) em diversas cidades do Brasil também apresentam faixas, bandeiras e palavras de ordem em apoio ao ministro André Mendonça. O magistrado foi o responsável pela retirada, na última terça-feira (1º), do sigilo de mensagens trocadas entre Alexandre de Moraes e o fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro.
Na manhã desta segunda-feira (7), foram registradas manifestações em Brasília, organizadas pelo ex-desembargador Sebastião Coelho e pelo Partido Liberal (PL) Manifestantes também se reuniram em Belo Horizonte (MG), Goiânia (GO), Salvador (BA) e Maceió (AL).
Em São Paulo, a concentração está prevista para 15h na Avenida Paulista, com a presença do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, e de outros lideranças da direita brasileira.
Durante o dia também são esperadas mobilizações em cidades como Rio de Janeiro (RJ), Goiânia (GO), Curitiba (PR), Florianópolis (SC), Joinville (SC), Porto Alegre (RS), Recife (PE), Vila Velha (ES), Natal (RN), Fortaleza (CE), Aracaju (SE) e João Pessoa (PB).
Veja a seguir fotos de manifestações desta segunda-feira (7).
Brasil
entenda a história por trás da Independência do Brasil
O 7 de setembro é celebrado no Brasil como o Dia da Independência, em referência ao processo de ruptura política com Portugal iniciado oficialmente em 1822. A data, porém, representa apenas um dos momentos de uma transformação que começou antes e só foi consolidada anos depois.
Além da importância histórica, o feriado de 7 de setembro também costuma gerar dúvidas sobre o funcionamento do comércio e de outros serviços e sobre os direitos de quem precisa trabalhar na data. Em 2026, o feriado cai em uma segunda-feira.
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7 de setembro marca a Independência do Brasil
Em 7 de setembro de 1822, Dom Pedro, então príncipe regente, declarou a ruptura política com Portugal às margens do riacho do Ipiranga, em São Paulo. O episódio ficou conhecido como o Grito do Ipiranga e se transformou no principal símbolo da Independência do Brasil.
Segundo Sérgio Czajkowski Jr., professor dos cursos de graduação e pós-graduação do UniCuritiba, o episódio deve ser entendido dentro de um contexto muito mais amplo. O processo foi influenciado pelo Iluminismo, pela ascensão da burguesia europeia e pela Revolução Francesa, além das transformações provocadas pelas guerras napoleônicas.
A invasão de Portugal pelas tropas de Napoleão Bonaparte levou a família real portuguesa a se transferir para o Brasil, em 1808. Anos depois, em 1815, o Brasil foi elevado à condição de Reino Unido a Portugal e Algarves. A permanência de Dom Pedro no território brasileiro e os conflitos crescentes entre as elites locais e as Cortes portuguesas contribuíram para o processo que culminaria na separação.
Czajkowski ressalta que a Independência não foi resultado de um único acontecimento. Em janeiro de 1822, por exemplo, ocorreu o chamado Dia do Fico, quando Dom Pedro decidiu permanecer no Brasil apesar das ordens para retornar a Portugal.
“O 7 de setembro é um marco, mas faz parte de um processo que começou antes e continuou depois dele”, explica o professor.
A separação também não significou uma ruptura imediata em todos os aspectos. Portugal só reconheceu oficialmente a independência brasileira em 1825. Além disso, a estrutura social do país praticamente não foi alterada: a escravidão continuou e as relações de poder permaneceram concentradas nas elites.
O que foi o Grito do Ipiranga?
A imagem mais conhecida da Independência mostra Dom Pedro montado em um cavalo, levantando a espada e proclamando “Independência ou Morte”. A cena, entretanto, é uma representação construída posteriormente e não deve ser confundida com uma fotografia do episódio.
O professor explica que há uma simplificação histórica ao atribuir a Dom Pedro, sozinho, o protagonismo pela independência. Segundo ele, o príncipe regente foi utilizado pelas elites como uma figura capaz de conferir legitimidade à ruptura e reduzir o risco de um conflito mais amplo com Portugal.
Também não há comprovação de todos os detalhes tradicionalmente associados ao episódio. É provável, por exemplo, que Dom Pedro estivesse montado em uma mula, meio de transporte mais adequado às condições da região, e não no imponente cavalo representado nas pinturas. Tampouco há comprovação documental de que o famoso grito tenha ocorrido exatamente como aparece nos livros escolares.
“Dom Pedro I, simbolicamente, ‘apareceu na foto’ – ou, na época, na pintura”, afirma Czajkowski.
A famosa pintura “Independência ou Morte”, de Pedro Américo, foi produzida décadas depois, em 1888, e ajudou a consolidar no imaginário nacional a versão heroica do episódio. Para o historiador, a importância do 7 de setembro está justamente em ter cristalizado uma data específica para representar a formação do Estado brasileiro.
7 de setembro é feriado nacional?
Sim. O 7 de setembro é feriado nacional, e não ponto facultativo. A data foi incluída entre os feriados nacionais pela Lei nº 662, de 1949. Atualmente, a legislação que lista os feriados nacionais é a Lei nº 10.607, de 2002, que manteve o 7 de setembro entre as datas oficiais.
Na prática, empregados têm direito ao descanso no feriado, mas existem atividades que podem funcionar nessas datas, desde que observadas as regras previstas na legislação e, quando aplicável, em convenções ou acordos coletivos.
“Em regra, todos os empregados têm direito à folga no feriado de 7 de setembro”, explica Lenara Moreira, advogada especialista em Direito do Trabalho do escritório Gasam Advocacia.
Segundo ela, o trabalho pode ser exigido em atividades autorizadas a funcionar em feriados, incluindo determinados serviços essenciais. Comércio, shoppings, supermercados, restaurantes e hospitais podem estar submetidos a regras específicas. Jornadas diferenciadas, como a escala 12 por 36, também possuem regulamentações próprias.
Por isso, a regra aplicável pode variar de acordo com a categoria profissional e a norma coletiva correspondente.
Quem trabalha no feriado recebe em dobro?
Em geral, o trabalho realizado no feriado deve ser remunerado em dobro quando não houver folga compensatória. A jurisprudência do Tribunal Superior do Trabalho estabelece que o trabalho em domingos e feriados não compensado deve ser pago em dobro.
Assim, a empresa pode conceder uma folga compensatória, observadas as regras aplicáveis, em vez do pagamento em dobro. A advogada ressalta que a existência de acordo ou convenção coletiva pode estabelecer condições específicas para determinadas categorias.
No caso de trabalhadores que tiverem problemas com o pagamento ou com a compensação, a orientação é guardar documentos que comprovem o trabalho, como cartão-ponto, escala e mensagens. O empregado pode procurar o sindicato da categoria, um advogado ou o Ministério do Trabalho para buscar a regularização.
Como o 7 de setembro é comemorado?
A principal tradição é a realização de desfiles cívico-militares em diferentes cidades brasileiras. A data também é marcada por cerimônias oficiais, apresentações de forças de segurança e atividades relacionadas à história e ao patriotismo.
A maneira de celebrar, entretanto, mudou ao longo do tempo. Segundo Czajkowski, os desfiles escolares tiveram participação mais expressiva em décadas passadas, especialmente durante o regime militar.
Atualmente, a presença costuma ser mais concentrada nas Forças Armadas, polícias militares e corpos de bombeiros, embora algumas cidades mantenham desfiles com participação de escolas.
Além das comemorações oficiais, o feriado também é utilizado para manifestações políticas. Em São Paulo, está previsto para este 7 de setembro um ato na Avenida Paulista convocado por lideranças da direita, com concentração marcada para as 15h.
A mobilização tem como mote “Fora Lula, Fora Moraes” e “É agora ou nunca” e reúne políticos do PL e de outras siglas, além de lideranças religiosas.
A manifestação ocorre em meio à repercussão de mensagens envolvendo o ministro Alexandre de Moraes e o empresário Daniel Vorcaro. Atos semelhantes já ocorreram na Paulista em anos anteriores, transformando o feriado da Independência também em uma data recorrente para manifestações de oposição ao governo federal e ao Judiciário.
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