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Cidades brasileiras que são destinos turísticos bilionários

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A área do turismo consolidou-se como um dos principais vetores de geração de emprego, renda e desenvolvimento de pequenas cidades brasileiras. Em 2025, o setor encerrou o ano com cerca de 1,9 milhão de admissões com carteira assinada, resultando em um saldo positivo de mais de 80 mil novos empregos formais, segundo dados do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) analisados pelo Ministério do Turismo.

Esse movimento nacional ajuda a explicar por que pequenas cidades brasileiras têm conseguido transformar o turismo em eixo central de desenvolvimento. Municípios com menos de 100 mil habitantes passaram a movimentar bilhões de reais por ano ao estruturar cadeias produtivas ligadas ao lazer, à cultura, à gastronomia, à hotelaria e aos serviços.

Gramado (RS), Caldas Novas (GO) e Holambra (SP) são exemplos disso. Com vocações locais distintas, essas cidades brasileiras podem ser convertidas em modelos consolidados de turismo, com impacto direto na geração de empregos e na dinamização da economia regional.

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Turismo em expansão no Brasil

No recorte de dezembro de 2025, o turismo foi responsável por mais de 226 mil admissões em todo o país. Conforme o Ministério do Turismo, foi o segundo melhor resultado mensal do ano, atrás apenas de abril, quando foram registradas 284 mil contratações formais.

Na análise por segmentos, o setor de alimentação liderou as admissões, com 1.331.818 contratos firmados ao longo do ano. Na sequência, aparecem os segmentos de alojamento (268.346) e transporte terrestre (120.183). Com esse desempenho, o estoque total de trabalhadores formais no turismo chegou a 2.391.889 profissionais no último mês de 2025.

O número equivale a quase 5% de todos os empregos formais do país. Além disso, representa crescimento de 3,5% em relação ao fim de 2024, de 6,7% na comparação com 2023 e de 12,4% frente a 2022.

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Gramado: um ecossistema turístico que sustenta 86% da economia local

Com 40.134 habitantes, segundo o Censo Demográfico de 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a cidade de Gramado, na serra gaúcha, consolidou-se como um dos destinos turísticos mais reconhecidos do país ao transformar o turismo em política estruturante de desenvolvimento.

A identidade turística da cidade foi construída ao longo de décadas, combinando planejamento público, empreendedorismo privado e engajamento comunitário. Diferentemente de destinos que cresceram de forma espontânea, Gramado estruturou uma narrativa baseada na herança europeia, no cuidado urbano, na arquitetura padronizada, no paisagismo e na hospitalidade como ativo central.

Turismo no Brasil: o pórtico de entrada de Gramado antecipa a identidade arquitetônica da cidade e marca o início da experiência turística na Serra Gaúcha.O pórtico de entrada de Gramado antecipa a identidade arquitetônica da cidade e marca o início da experiência turística na serra gaúcha. (Foto: Cleiton Thiele/Prefeitura de Gramado)

De acordo com o secretário do Turismo de Gramado, Ricardo Bertolucci Reginato, essa construção foi aprofundada com o novo posicionamento institucional “Gramado, feita de histórias”. A proposta foca em pessoas, empreendedores e a comunidade como protagonistas do destino.

Os diferenciais da cidade aparecem tanto no aspecto simbólico quanto na percepção do visitante. De acordo com a Pesquisa de Perfil do Turista de 2026, do Observatório do Turismo de Gramado, atributos como segurança, organização urbana, limpeza, qualidade da gastronomia, hospitalidade e estética estão entre os mais bem avaliados.

A pesquisa também aponta que mais de 60% dos visitantes retornam ao destino, indicando alto grau de fidelização. Gramado oferece mais de 200 meios de hospedagem e mais de 300 empreendimentos gastronômicos.

Além disso, conta com comércio varejista diversificado, parques temáticos, atrações privadas e grandes eventos. “O destaque não está na predominância de um único segmento, mas no funcionamento articulado de toda a cadeia turística”, afirma o secretário municipal de Turismo.

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Eventos estratégicos oferecem experiência imersiva aos turistas

Eventos como o “Natal Luz” e a “ChocoPáscoa” desempenham papel estratégico ao transformar a cidade de Gramado em uma experiência imersiva, envolvendo ruas, praças e moradores. Um calendário permanente de atrações ajuda a reduzir a sazonalidade e propicia fluxo constante ao longo das quatro estações, embora julho (inverno) e dezembro (verão) concentrem picos tradicionais de visitação.

Gramado recebe em média 360 mil visitantes únicos por mês, segundo o Observatório do Turismo. Ao longo do ano, o fluxo ultrapassa a casa dos milhões de visitantes, consolidando o município como um dos principais polos turísticos do Brasil.

O monitoramento também aponta elevada permanência média — com recorde de seis pernoites por visitante em outubro de 2025 — fator que amplia o consumo distribuído entre hospedagem, alimentação, comércio e entretenimento.

Turismo no Brasil: inspirada na famosa Lombard Street, em San Francisco, a Rua Torta é um dos pontos mais visitados de Gramado e reforça o cuidado estético que marca o destino.Inspirada na famosa Lombard Street, em San Francisco, a Rua Torta é um dos pontos mais visitados de Gramado e reforça o cuidado estético que marca o destino. (Foto: Cleiton Thiele/Prefeitura de Gramado)

O impacto econômico é direto. Cerca de 86% da economia local está associada, de forma direta ou indireta, ao turismo em Gramado. O município registra mais de 10 mil empregos formais ligados a atividades turísticas, com destaque para hospedagem, alimentação, comércio varejista e agenciamento.

Somente os setores de hospedagem, alimentação e comércio concentram, em média, cerca de 3,2 mil empregos formais mensais, segundo dados de 2026 do Observatório do Turismo.

De acordo com o secretário do Turismo local, a arrecadação do Imposto Sobre Serviços (ISS) reflete essa dinâmica. Ele explica que após a retração registrada em 2020, houve recuperação acelerada em 2021.

Três anos depois, uma nova queda foi registrada em razão da catástrofe climática no Rio Grande do Sul, mas o município voltou a apresentar trajetória de crescimento, evidenciando capacidade de gestão e resiliência diante de crises. “Como o turismo responde por cerca de 86% da base econômica local, o orçamento municipal é influenciado de forma transversal pela atividade”, afirma Reginato.

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Caldas Novas consolida força turística além das águas termais

Com 98.622 habitantes, segundo o Censo Demográfico do IBGE, Caldas Novas, em Goiás, estruturou sua economia a partir do turismo de águas termais, principal atrativo do município. De acordo com a secretária de Turismo e Eventos, Danilla Soares Gonçalves, embora as águas sejam o elemento central, a cidade reúne outros atrativos que reforçam sua posição entre os destinos mais procurados do país.

Além das fontes termais, o município conta com o Lago Corumbá, o Parque Estadual da Serra de Caldas e uma ampla rede de empreendimentos turísticos, com destaque para grandes parques aquáticos. “Caldas Novas é o terceiro município do Brasil em número de leitos hoteleiros, com quase 80 mil leitos”, afirma.

O perfil dos turistas varia ao longo do ano. Em períodos de férias escolares e feriados prolongados, predomina o turismo familiar. Em meses como agosto, setembro e outubro, o município recebe principalmente visitantes da terceira idade. Em datas específicas, como carnaval, Semana Santa e eventos como o “Caldas Country”, há forte presença de jovens.

Turismo movimenta R$ 3 bilhões e sustenta crescimento de Caldas Novas

De acordo com a secretária municipal, diversos fatores contribuem para a escolha do destino, mas as águas termais e os parques aquáticos têm papel decisivo. O turismo movimenta, em média, cerca de R$ 3 bilhões por ano e sustenta direta ou indiretamente a maior parte da economia local.

Após a descoberta das águas termais, o interesse por novos empreendimentos impulsionou o crescimento da cidade e consolidou Caldas Novas como a maior estância hidrotermal do mundo. Turismo e mercado imobiliário se retroalimentam, fortalecendo a dinâmica econômica do município.

Principal estância hidrotermal do mundo, Caldas Novas movimenta cerca de R$ 3 bilhões por ano com turismo, gera milhares de empregos e sustenta sua economia nas águas termais e nos parques aquáticos.Considerada como a principal estância hidrotermal do mundo, Caldas Novas movimenta cerca de R$ 3 bilhões por ano com turismo. (Foto: Divulgação/Prefeitura de Caldas Novas)

Dados do Sistema Nacional de Emprego (Sine) de 2025 indicam aumento de quase 16% nos empregos diretos e indiretos ligados ao setor. Entre os principais atrativos da cidade estão o diRoma Acqua Park, o Lagoa Termas Parque, o Náutico Praia Clube, o Jardim Japonês e a Praça Mestre Orlando, um dos pontos tradicionais de convivência e comércio de Caldas Novas.

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Holambra: flores, cultura e eventos como motor econômico

Com cerca de 16 mil habitantes, Holambra construiu sua vocação turística a partir da herança da imigração holandesa e da produção de flores, que se tornou marca registrada do município. Única estância turística da Região Metropolitana de Campinas, a cidade ostenta o título de “capital nacional das flores” e está localizada a cerca de 30 quilômetros de Campinas, em São Paulo.

De acordo com dados do Departamento Municipal de Finanças e Contabilidade de Holambra, o turismo representa 15,1% do Produto Interno Bruto (PIB) do município. O setor movimenta R$ 217,8 milhões por ano, conforme dados do Departamento Municipal de Finanças e Contabilidade de Holambra.

A influência holandesa está presente na arquitetura, na gastronomia e nos atrativos turísticos, herança da imigração iniciada em 1948 na antiga Fazenda Ribeirão. Monumentos como o Moinho Povos Unidos, o Portal Turístico e o Museu Histórico da Imigração ajudam a contar a história da formação do município.

Holambra é responsável por 60% do mercado florista do país

De acordo com informações da prefeitura, Holambra é responsável por cerca de 60% do mercado florista do país. A produção é distribuída em campos, estufas e centros de compras especializados.

As flores fazem parte da paisagem urbana e da experiência turística, inclusive por meio de passeios guiados pelos campos de produção ao longo do ano. O turismo na cidade não se concentra em uma única época.

Eventos como a Expoflora, o Dia do Rei e o Natal Mágico de Holambra atraem centenas de milhares de visitantes. Por ano são cerca de 1,5 milhão de turistas movimentando setores como comércio, gastronomia e serviços.

Capital Nacional das Flores, Holambra responde por cerca de 60% do mercado florista brasileiro e transformou herança cultural, eventos e paisagens floridas em motor permanente da economia local.“Capital nacional das flores”, Holambra responde por cerca de 60% do mercado florista brasileiro e transformou herança cultural, eventos e paisagens floridas em motor da economia local. (Foto: Alexandre Pottes Macedo/Prefeitura de Holambra)

Entre os principais atrativos estão o Moinho Povos Unidos, o Museu Histórico da Imigração, o Boulevard Holandês, o Parque Van Gogh, o Deck do Amor, praças temáticas e parques de exposição permanente como o Bloemen Park e o Macena Flores.



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Ratinho investe em resort de luxo em Santa Catarina

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A paisagem preservada, os rios cercados por Mata Atlântica e a proximidade com grandes centros colocaram o norte de Santa Catarina na rota de investidores imobiliários. O apresentador e empresário Carlos Massa, o Ratinho, integra esse movimento.

Pai do governador Ratinho Junior (PSD-PR), o apresentador Ratinho investiu em um condomínio resort às margens do rio São João, em Garuva, município a 38 quilômetros de Joinville e a 93 quilômetros de Curitiba. O apresentador assumiu o papel de “embaixador” do empreendimento, que projeta potencial de R$ 65 milhões em vendas.

O empresário esteve na cidade em fevereiro e divulgou o condomínio resort. A gravação disseminada nas redes sociais superou 780 mil visualizações. “Mirante da Serra é um condomínio planejado que reúne o melhor de Garuva: conexão com a natureza, vista para as montanhas, localização privilegiada, áreas de lazer e toda a infraestrutura para se viver bem”, propaga o apresentador no vídeo.

Em meio à Mata Atlântica e à Serra do Mar, o condomínio de Carlos Massa fica cercado por áreas preservadas no norte de Santa Catarina.Em meio à Mata Atlântica e à Serra do Mar, o condomínio de Ratinho é cercado por áreas preservadas no norte de Santa Catarina. (Foto: Projeção/ABecker)

Como é o resort de luxo que tem Ratinho como sócio

O Mirante da Serra ocupa cerca de 375 mil metros quadrados em área estratégica. O projeto adota o conceito de resort residencial, com terrenos de 300 a 500 metros quadrados, com valores a partir de R$ 300 mil. Grande parte dos lotes tem acesso direto a uma prainha natural, formada por areias claras às margens do rio São João.

A área comum soma aproximadamente 9 mil metros quadrados. O espaço inclui ciclovias, trilhas de caminhada e quadras poliesportivas. O projeto também prevê hotel e restaurante com vista 360 graus para a serra. As obras de terraplanagem e saneamento já começaram.

Diretor-executivo da urbanizadora ABecker, responsável pela obra, Anderson Becker avalia que a chegada de investidores de grande porte confirma a ascensão econômica local. Segundo ele, a atividade econômica de Garuva cresceu 528,9% na última década, com impulso do setor logístico. “O Mirante da Serra oferece a vantagem de estar em meio à natureza, mas ao lado do desenvolvimento”, afirma ele.

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Natureza e logística impulsionam turismo e mercado imobiliário em Garuva

A combinação entre natureza preservada e localização estratégica amplia o interesse por Garuva, aponta a administração municipal. Turistas e investidores buscam áreas fora do eixo tradicional do litoral catarinense.

“A combinação entre natureza e logística fortalece municípios fora do eixo tradicional do litoral. Em Garuva, a procura por essas áreas tem crescido para o turismo e para novos empreendimentos”, afirma o secretário da Inovação, Comunicação e Turismo de Garuva, Rafael Luz.

Pescadores deram a Garuva o título de “Pantanal do Sul”, após compararem as condições naturais da região às do Pantanal no Mato Grosso.Pescadores deram a Garuva o título de “Pantanal do Sul”, após compararem as condições naturais da região às do Pantanal no Mato Grosso. (Foto: Cristiana Nunes/Prefeitura de Garuva)

O Sindicato da Indústria da Construção Civil de Joinville (Sinduscon) confirma o aquecimento regional. A entidade registrou recorde de lançamentos e vendas na região norte de Santa Catarina em 2025.

A presidente do sindicato, Ana Rita Vieira, ressalta que a integração regional fortalece Garuva no cenário imobiliário. “A proximidade com Joinville e Itapoá, o pleno emprego, a localização estratégica, o fácil acesso e as belezas naturais que atraem cada vez mais turistas, favorecem ainda o crescimento de Garuva e consolidam a cidade como uma das protagonistas no desenvolvimento imobiliário e econômico da região”.

Garuva atrai 50 mil turistas e consolida rota na Serra do Mar

Às margens da BR-101, Garuva possui cerca de 19 mil habitantes. O município se localiza na base da Serra do Quiriri, trecho da Serra do Mar catarinense. A paisagem natural atrai milhares de turistas: de acordo com a prefeitura, o movimento em 2025 chegou a 50 mil visitantes.

Uma das atrações mais procuradas é a chamada ponte invertida, uma estrutura submersa na divisa entre o município e Guaratuba (PR). Outro atrativo são as áreas de manguezais abastecidas por rios que descem da serra e cruzam trechos preservados de Mata Atlântica, como o São João e o São Joãozinho.

Essas áreas de preservação abrigam aves migratórias, peixes e botos-cinza. Ao longo das margens, com trechos de águas rasas e pedras, moradores e turistas praticam esportes náuticos e frequentam pontos de banho.

“O rio nasce na serra e em vários trechos forma piscinas naturais de águas cristalinas, rasas e seguras. Esses pontos atraem famílias, praticantes de esportes e visitantes que buscam contato direto com a natureza”, aponta o secretário Rafael Luz.

Rio Palmital concentra a pesca esportiva em Garuva e atrai praticantes em busca do robalo, espécie símbolo do “Pantanal do Sul” no norte catarinense.Rio Palmital concentra a pesca esportiva em Garuva e atrai praticantes em busca do robalo, espécie símbolo do “Pantanal do Sul” no norte catarinense. (Foto: Rafaela Legnaghi/Prefeitura de Garuva)

Resort de luxo de Ratinho impulsiona o “Pantanal do Sul”

De acordo com a prefeitura, o rio Palmital é o que mais atrai turistas em Garuva. O rio liga a cidade à Baía da Babitonga, no município vizinho de Itapoá, e sustenta parte da atividade turística local.

A pesca esportiva tem ampla procura e o apelido de “Pantanal do Sul” nasceu da própria experiência de pescadores, segundo a secretaria de Inovação, Comunicação e Turismo do município. “Em 2007, conversei com alguns pescadores no Rio Palmital, que vieram do Rio Grande do Sul e da Argentina. Eles disseram que o rio oferecia condições semelhantes às do Pantanal para a pesca. O apelido ‘Pantanal do Sul’ surgiu a partir dessa comparação”, relata a chefe de turismo da secretaria, Christine Zwettler Teixeira.

O robalo concentra a maior procura, mas há também linguado, garoupa, tainha, pescada, corvina, bagres e anchova. “As paisagens naturais atraem milhares de turistas. O apresentador Ratinho frequenta a região há mais de 20 anos”, acrescenta a chefe de turismo local.

O rio Palmital atrai praticantes de pesca esportiva embarcada, stand up paddle, canoagem e boia cross. Ao longo do percurso do rio, a ciclorrota Palmital soma 15 quilômetros. Há também a ciclorrota Vila da Glória, que alcança 58,2 quilômetros e inclui rios e cachoeiras.



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Brasil

Ferry-boat em Guaratuba terá fim após quase 70 anos de travessia

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A construção da Ponte de Guaratuba, com inauguração prevista para o próximo mês de abril, vai encerrar o ciclo de 66 anos do sistema de ferry-boat (balsa) na baía, substituindo-o como a principal via de ligação entre o município e Matinhos. O governo do Paraná confirmou o fim das operações depois da inauguração da ponte, mas um estudo em andamento pode transformar os espaços usados para o atracamento das embarcações em um complexo turístico.

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“Estamos encerrando a última temporada de funcionamento do ferry-boat. Aguardamos o resultado do estudo que o estado vai contratar. Esperamos que, com o fim da poluição da baía, os golfinhos possam voltar, como era antigamente, e tenhamos um complexo marítimo que atraia mais turistas”, afirma o diretor da Secretaria do Turismo de Guaratuba, Marco Fedalto.

O governo do Paraná lançou um chamamento público no fim do ano passado para definir o futuro da área ocupada pelo canteiro de obras da Ponte de Guaratuba e pelas estruturas do ferry-boat na baía. O estudo de viabilidade deve indicar como será o Complexo Náutico de Guaratuba.

De acordo com o diretor de Operações do Departamento de Estradas de Rodagem do Paraná (DER-PR), Alexandre Castro, o complexo é a próxima fase da revitalização do litoral, após a entrega da ponte. “Estão em estudo algumas possibilidades, dentro dessa transição. Em breve iremos divulgar, mas pode haver um restaurante, um museu e serviço turístico“, explicou.

O governo vai analisar a viabilidade técnica, ambiental, econômica e jurídica das propostas. Depois dessa etapa, devem ocorrer audiência pública e a abertura de licitação para implantação do complexo.

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Imigrante português construiu o primeiro ferry-boat de Guaratuba

De acordo com um levantamento do DER-PR sobre a história da balsa para travessia na Baía de Guaratuba, o início da atividade marítima foi na década de 1960, como solução de transporte para o litoral do Paraná. Moradores enfrentavam dificuldades para acessar o balneário de Caiobá, em Matinhos, e a capital Curitiba, já que o deslocamento exigia uma longa volta por Garuva, município de Santa Catarina.

Segundo o DER-PR, a viagem era feita em uma estrada de terra, que ficava quase intransitável em dias de chuva. O asfalto chegou apenas em 1966. Outra alternativa exigia travessia em pequenas lanchas da Empresa Balneária ou deslocamento até Matinhos para embarque em ônibus.

A historiadora Rocio Bevervanso conta que a origem do projeto do ferry-boat tem ligação direta com a trajetória do imigrante português João Lopes Rodrigues, o “João Português”. O avô dele era carpinteiro naval e transmitiu o ofício ao neto ainda na juventude.

Embarcação de madeira “Airton Cornelsen” realizou as primeiras travessias na baía.Embarcação de madeira “Airton Cornelsen” fez as primeiras travessias na baía. (Foto: Arquivo/Secretaria da Cultura de Guaratuba)

“Já no Brasil, João Português estudou engenharia naval no Lloyd Brasileiro, no Rio de Janeiro. No Paraná, realizou registro profissional no Conselho Regional de Engenharia. Foi quando soube que o DER buscava um projeto para uma embarcação capaz de realizar a travessia da baía”, recorda a historiadora.

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Primeira balsa recebeu nome de quem criou a Estrada da Graciosa

O departamento contratou Rodrigues para elaborar o projeto e construir a embarcação. “O engenheiro recebeu salário de 12 mil cruzados, valor considerado elevado para a época. Rodrigues seguiu para Guaratuba e iniciou a construção do ferry-boat de madeira. A obra levou 13 meses até a conclusão e reuniu 14 trabalhadores”, relata Bevervanso.

De acordo com o DER, o primeiro ferry-boat de madeira media 27 metros de comprimento por 10 metros de largura e transportava até 12 veículos e cerca de 100 passageiros. O motor e demais materiais para a construção da embarcação foram providenciados pelo governo do estado.

“O barco recebeu o nome de ‘Airton Cornelsen’, em homenagem ao diretor do DER”, conta Bevervanso. Conhecido como “Lolô Cornelsen”, o arquiteto e engenheiro foi responsável pelos projetos da Estrada da Graciosa e da Rodovia do Café.

A embarcação possuía dois motores GM de 130 cavalos. Moisés Lupion, governador da época, e cerca de cem convidados participaram do passeio inaugural pela baía.

Primeiro comandante do ferry-boat operou a travessia por mais de 15 anos

João James de Oliveira Alves, conhecido como “Janjão”, assumiu o comando do ferry-boat quando o serviço retomou operação dois anos depois da inauguração. A embarcação precisou de obras de reparo e o serviço foi retomado no governo de Ney Braga.

“Devido à flexibilidade do barco houve problema de estanqueidade, a entrada de água. A Capitania decretou a retirada da travessia, e o barco foi ao estaleiro para manutenção. Retificaram o calafeto, que é a vedação de frestas. Uma chapa de cobre foi colocada da linha d’água para baixo, revestindo todo ele. Assim resolveu”, relembra Alves, aos 91 anos.

O ex-comandante descreve a estrutura da embarcação. “Tinha sanitário a bordo, beliche na casa de navegação para dormir e armário com fogareiro para alimentação, transportava dez automóveis e um caminhão leve, mas não entrava ônibus”, explica.

Natural de São Francisco do Sul, “Janjão” chegou ao litoral paranaense após convite de um amigo. “Perguntei para ele o que era ferry boat. Ele me explicou que era um barco que atravessa os carros na Baía de Guaratuba, de um lado para o outro. Na hora eu disse que queria trabalhar com isso”. “Janjão” desempenhou a função na travessia entre 1962 e 1978, período que o aposentado resume com precisão – “15 anos e quatro meses”.

Janjão, primeiro comandante do ferry-boat conduziu a travessia entre 1962 e 1978.“Janjão”, primeiro comandante do ferry-boat conduziu a travessia entre 1962 e 1978. (Foto: Roberto Dziura Jr/AEN-PR)

Travessia era orientada por tambores com fogo em dias de neblina

No início da atividade, o ferry-boat operava com horário limitado e dependia de recursos simples de navegação. “Janjão” descreve a precariedade da época. “Guaratuba não tinha luz. Era a luz de bordo que iluminava para fazer a atracação. Nunca aconteceu acidente algum sob meu comando. Até com cerração eu atravessava, porque eu tinha conhecimento da maré”, orgulha-se ele.

Em dias de neblina, comuns na região, a equipe que trabalhava com “Janjão” criava meios para dar segurança ao trabalho. “Nós fazíamos fogo em tambores em um porto e no outro para enxergar bem onde ia atracar, e batíamos nele para também se guiar pelo som. Contávamos com holofote de bordo, o farol de busca”, lembra.

Durante os anos no comando da travessia, “Janjão” conduziu as embarcações Ayrton Cornelsen, Iguassu e Tibagi. Além do governador Ney Braga, o comandante lembra de ter feito a travessia com o ex-presidente paraguaio Alfredo Stroessner, que permaneceu exilado em Guaratuba por dois meses, após ser deposto em 1989.

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Balsa ajudou a resgatar moradores após parte de Guaratuba afundar no mar

O primeiro comandante do ferry-boat relata que um dos episódios mais marcantes da carreira foi em 22 de setembro de 1968, quando parte da área central da cidade desmoronou. Naquela noite, um funcionário da balsa o procurou pedir ajuda.

“Lembro que ele falava rápido: comandante ‘Janjão’, estão chamando o senhor. Guaratuba está caindo. É preciso prestar socorro. É urgente”. O comandante organizou a saída imediata da embarcação.

“Peguei a documentação que tinha, a máquina de tricô da minha esposa, que era de valor, e avisei os vizinhos que estavam aqui, uma meia dúzia. Não tinha estrada e nem luz em Caieiras. Era pela trilha do morro, pelo mato, para chegar no ferry. Foram todos comigo, embarcados no Tibagi”, conta o aposentado.

A embarcação transportou equipes de socorro durante toda a madrugada. “Iniciamos a travessia trazendo socorristas, médicos, policiais, que vieram de Paranaguá para prestar socorro. Fizemos o trabalho até as 3h da manhã, quando a maré iniciou a vazante. Então vieram armações de casa, assoalhos, móveis, tudo. Não tinha mais condições de atravessar”, explica “Janjão”.

Ferry-boat vai encerrar travessias com fluxo superior a 1 milhão de veículos por ano

De acordo com a historiadora Rocio Bevervanso, o crescimento no movimento de veículos levou à ampliação da frota ao longo dos anos. “Em 1966, o barco inicial deu lugar ao ferry-boat Iguassu, com capacidade para 20 veículos. Em seguida entrou em operação a embarcação Tibagi, construída em estaleiros de Itajaí, em Santa Catarina”, explica Bevervanso.

Com o aumento de demanda por travessia, as embarcações ganhavam mais capacidade. “Posteriormente entrou em operação o ferry-boat Ivaí, com capacidade para 24 veículos”, relata Bevervanso.

Em 1981 foi a vez do início do ferry-boat Guaraguaçu, com capacidade para 48 veículos e até 300 passageiros. “Depois disso, a frota recebeu as embarcações Nhundiaquara e Piquiri“, relembra a historiadora.

Segundo o DER-PR, em 1996 o transporte aquaviário foi concedido à empresa F. Andreis. O contrato previa uma linha com três ferry-boats e três balsas com rebocadores. Em 23 de março de 2009, a concessão foi renovada com a mesma empresa. Já em março de 2021, a operação passou para a empresa BR Travessias, que abandonou o contrato.

Em 2022, o governo firmou contrato emergencial com a empresa Internacional Marítima. No ano seguinte, a empresa venceu a licitação para operar o ferry-boat por 25 meses.

A licitação teve valor aproximado de R$ 131,7 milhões. O ferry-boat de Guaratuba vai encerrar as atividades registrando o o volume anual médio de 1.359.990 veículos, incluindo pagantes e usuários isentos.



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as lições de PR e SC para o governo Lula

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Paraná e Santa Catarina consolidam-se como referências de equilíbrio fiscal e eficiência administrativa em 2026. Enquanto o governo federal enfrenta sucessivos déficits e aumento da dívida, esses estados do Sul colhem resultados positivos com controle rígido de gastos e alta capacidade de investimento.

Qual é a situação financeira atual do Paraná?

O Paraná ostenta a maior disponibilidade de caixa livre do Brasil, superando os R$ 10 bilhões. Com a terceira menor dívida líquida do país, o estado conseguiu fechar o último ano com 93% do orçamento executado e mantém a nota máxima de capacidade de pagamento (Capag A+) do Tesouro Nacional. Esse equilíbrio permite investir em áreas prioritárias, como infraestrutura, saúde e educação, sem depender de programas federais de renegociação de dívidas.

Como Santa Catarina pretende economizar bilhões em sua administração?

O governo catarinense estabeleceu metas claras para aumentar a eficiência: a revisão de despesas administrativas e da folha de pagamento projeta uma economia de R$ 2,2 bilhões por ano. Além disso, o estado foca na recuperação de receitas e no combate à sonegação, com potencial de arrecadar mais R$ 2,1 bilhões anuais. O foco é substituir o conceito de ‘gastar menos’ pelo de ‘gastar melhor’, focando em resultados para a população.

O que é a ‘inteligência financeira’ mencionada na gestão paranaense?

O conceito baseia-se na centralização de recursos e no controle rigoroso do custeio da máquina pública. Uma das medidas principais foi a implantação da Conta Única do Tesouro, que reduziu centenas de contas bancárias para apenas algumas unidades estratégicas. Essa mudança aumentou o poder de negociação do governo e gerou bilhões em rendimentos financeiros, garantindo autonomia fiscal e previsibilidade para obras e serviços.

Como a saúde econômica reflete na vida dos cidadãos desses estados?

Os dois estados apresentam as menores taxas de desemprego do país: 3,2% no Paraná e 2,3% em Santa Catarina, números que indicam uma situação próxima ao pleno emprego. A solidez das contas públicas atrai investimentos privados, fortalece o agronegócio e a indústria automotiva, além de melhorar a segurança pública — quesito no qual Santa Catarina desponta como o estado mais seguro da federação.

Qual é a principal crítica feita pelos gestores estaduais ao governo federal?

A crítica central recai sobre o desequilíbrio fiscal da União, que opera com déficits recorrentes, e sobre a distribuição de recursos do pacto federativo. Em Santa Catarina, aponta-se que de cada R$ 100 enviados a Brasília, apenas cerca de R$ 10 retornam ao estado. Diante disso, a estratégia regional tem sido evitar o aumento de impostos e focar na desburocratização e no estímulo ao empreendedorismo para ampliar a arrecadação.

Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.

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