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Cidades brasileiras que são destinos turísticos bilionários

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A área do turismo consolidou-se como um dos principais vetores de geração de emprego, renda e desenvolvimento de pequenas cidades brasileiras. Em 2025, o setor encerrou o ano com cerca de 1,9 milhão de admissões com carteira assinada, resultando em um saldo positivo de mais de 80 mil novos empregos formais, segundo dados do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) analisados pelo Ministério do Turismo.

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Esse movimento nacional ajuda a explicar por que pequenas cidades brasileiras têm conseguido transformar o turismo em eixo central de desenvolvimento. Municípios com menos de 100 mil habitantes passaram a movimentar bilhões de reais por ano ao estruturar cadeias produtivas ligadas ao lazer, à cultura, à gastronomia, à hotelaria e aos serviços.

Gramado (RS), Caldas Novas (GO) e Holambra (SP) são exemplos disso. Com vocações locais distintas, essas cidades brasileiras podem ser convertidas em modelos consolidados de turismo, com impacto direto na geração de empregos e na dinamização da economia regional.

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Turismo em expansão no Brasil

No recorte de dezembro de 2025, o turismo foi responsável por mais de 226 mil admissões em todo o país. Conforme o Ministério do Turismo, foi o segundo melhor resultado mensal do ano, atrás apenas de abril, quando foram registradas 284 mil contratações formais.

Na análise por segmentos, o setor de alimentação liderou as admissões, com 1.331.818 contratos firmados ao longo do ano. Na sequência, aparecem os segmentos de alojamento (268.346) e transporte terrestre (120.183). Com esse desempenho, o estoque total de trabalhadores formais no turismo chegou a 2.391.889 profissionais no último mês de 2025.

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O número equivale a quase 5% de todos os empregos formais do país. Além disso, representa crescimento de 3,5% em relação ao fim de 2024, de 6,7% na comparação com 2023 e de 12,4% frente a 2022.

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Gramado: um ecossistema turístico que sustenta 86% da economia local

Com 40.134 habitantes, segundo o Censo Demográfico de 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a cidade de Gramado, na serra gaúcha, consolidou-se como um dos destinos turísticos mais reconhecidos do país ao transformar o turismo em política estruturante de desenvolvimento.

A identidade turística da cidade foi construída ao longo de décadas, combinando planejamento público, empreendedorismo privado e engajamento comunitário. Diferentemente de destinos que cresceram de forma espontânea, Gramado estruturou uma narrativa baseada na herança europeia, no cuidado urbano, na arquitetura padronizada, no paisagismo e na hospitalidade como ativo central.

Turismo no Brasil: o pórtico de entrada de Gramado antecipa a identidade arquitetônica da cidade e marca o início da experiência turística na Serra Gaúcha.O pórtico de entrada de Gramado antecipa a identidade arquitetônica da cidade e marca o início da experiência turística na serra gaúcha. (Foto: Cleiton Thiele/Prefeitura de Gramado)

De acordo com o secretário do Turismo de Gramado, Ricardo Bertolucci Reginato, essa construção foi aprofundada com o novo posicionamento institucional “Gramado, feita de histórias”. A proposta foca em pessoas, empreendedores e a comunidade como protagonistas do destino.

Os diferenciais da cidade aparecem tanto no aspecto simbólico quanto na percepção do visitante. De acordo com a Pesquisa de Perfil do Turista de 2026, do Observatório do Turismo de Gramado, atributos como segurança, organização urbana, limpeza, qualidade da gastronomia, hospitalidade e estética estão entre os mais bem avaliados.

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A pesquisa também aponta que mais de 60% dos visitantes retornam ao destino, indicando alto grau de fidelização. Gramado oferece mais de 200 meios de hospedagem e mais de 300 empreendimentos gastronômicos.

Além disso, conta com comércio varejista diversificado, parques temáticos, atrações privadas e grandes eventos. “O destaque não está na predominância de um único segmento, mas no funcionamento articulado de toda a cadeia turística”, afirma o secretário municipal de Turismo.

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Eventos estratégicos oferecem experiência imersiva aos turistas

Eventos como o “Natal Luz” e a “ChocoPáscoa” desempenham papel estratégico ao transformar a cidade de Gramado em uma experiência imersiva, envolvendo ruas, praças e moradores. Um calendário permanente de atrações ajuda a reduzir a sazonalidade e propicia fluxo constante ao longo das quatro estações, embora julho (inverno) e dezembro (verão) concentrem picos tradicionais de visitação.

Gramado recebe em média 360 mil visitantes únicos por mês, segundo o Observatório do Turismo. Ao longo do ano, o fluxo ultrapassa a casa dos milhões de visitantes, consolidando o município como um dos principais polos turísticos do Brasil.

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O monitoramento também aponta elevada permanência média — com recorde de seis pernoites por visitante em outubro de 2025 — fator que amplia o consumo distribuído entre hospedagem, alimentação, comércio e entretenimento.

Turismo no Brasil: inspirada na famosa Lombard Street, em San Francisco, a Rua Torta é um dos pontos mais visitados de Gramado e reforça o cuidado estético que marca o destino.Inspirada na famosa Lombard Street, em San Francisco, a Rua Torta é um dos pontos mais visitados de Gramado e reforça o cuidado estético que marca o destino. (Foto: Cleiton Thiele/Prefeitura de Gramado)

O impacto econômico é direto. Cerca de 86% da economia local está associada, de forma direta ou indireta, ao turismo em Gramado. O município registra mais de 10 mil empregos formais ligados a atividades turísticas, com destaque para hospedagem, alimentação, comércio varejista e agenciamento.

Somente os setores de hospedagem, alimentação e comércio concentram, em média, cerca de 3,2 mil empregos formais mensais, segundo dados de 2026 do Observatório do Turismo.

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De acordo com o secretário do Turismo local, a arrecadação do Imposto Sobre Serviços (ISS) reflete essa dinâmica. Ele explica que após a retração registrada em 2020, houve recuperação acelerada em 2021.

Três anos depois, uma nova queda foi registrada em razão da catástrofe climática no Rio Grande do Sul, mas o município voltou a apresentar trajetória de crescimento, evidenciando capacidade de gestão e resiliência diante de crises. “Como o turismo responde por cerca de 86% da base econômica local, o orçamento municipal é influenciado de forma transversal pela atividade”, afirma Reginato.

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Caldas Novas consolida força turística além das águas termais

Com 98.622 habitantes, segundo o Censo Demográfico do IBGE, Caldas Novas, em Goiás, estruturou sua economia a partir do turismo de águas termais, principal atrativo do município. De acordo com a secretária de Turismo e Eventos, Danilla Soares Gonçalves, embora as águas sejam o elemento central, a cidade reúne outros atrativos que reforçam sua posição entre os destinos mais procurados do país.

Além das fontes termais, o município conta com o Lago Corumbá, o Parque Estadual da Serra de Caldas e uma ampla rede de empreendimentos turísticos, com destaque para grandes parques aquáticos. “Caldas Novas é o terceiro município do Brasil em número de leitos hoteleiros, com quase 80 mil leitos”, afirma.

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O perfil dos turistas varia ao longo do ano. Em períodos de férias escolares e feriados prolongados, predomina o turismo familiar. Em meses como agosto, setembro e outubro, o município recebe principalmente visitantes da terceira idade. Em datas específicas, como carnaval, Semana Santa e eventos como o “Caldas Country”, há forte presença de jovens.

Turismo movimenta R$ 3 bilhões e sustenta crescimento de Caldas Novas

De acordo com a secretária municipal, diversos fatores contribuem para a escolha do destino, mas as águas termais e os parques aquáticos têm papel decisivo. O turismo movimenta, em média, cerca de R$ 3 bilhões por ano e sustenta direta ou indiretamente a maior parte da economia local.

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Após a descoberta das águas termais, o interesse por novos empreendimentos impulsionou o crescimento da cidade e consolidou Caldas Novas como a maior estância hidrotermal do mundo. Turismo e mercado imobiliário se retroalimentam, fortalecendo a dinâmica econômica do município.

Principal estância hidrotermal do mundo, Caldas Novas movimenta cerca de R$ 3 bilhões por ano com turismo, gera milhares de empregos e sustenta sua economia nas águas termais e nos parques aquáticos.Considerada como a principal estância hidrotermal do mundo, Caldas Novas movimenta cerca de R$ 3 bilhões por ano com turismo. (Foto: Divulgação/Prefeitura de Caldas Novas)

Dados do Sistema Nacional de Emprego (Sine) de 2025 indicam aumento de quase 16% nos empregos diretos e indiretos ligados ao setor. Entre os principais atrativos da cidade estão o diRoma Acqua Park, o Lagoa Termas Parque, o Náutico Praia Clube, o Jardim Japonês e a Praça Mestre Orlando, um dos pontos tradicionais de convivência e comércio de Caldas Novas.

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Holambra: flores, cultura e eventos como motor econômico

Com cerca de 16 mil habitantes, Holambra construiu sua vocação turística a partir da herança da imigração holandesa e da produção de flores, que se tornou marca registrada do município. Única estância turística da Região Metropolitana de Campinas, a cidade ostenta o título de “capital nacional das flores” e está localizada a cerca de 30 quilômetros de Campinas, em São Paulo.

De acordo com dados do Departamento Municipal de Finanças e Contabilidade de Holambra, o turismo representa 15,1% do Produto Interno Bruto (PIB) do município. O setor movimenta R$ 217,8 milhões por ano, conforme dados do Departamento Municipal de Finanças e Contabilidade de Holambra.

A influência holandesa está presente na arquitetura, na gastronomia e nos atrativos turísticos, herança da imigração iniciada em 1948 na antiga Fazenda Ribeirão. Monumentos como o Moinho Povos Unidos, o Portal Turístico e o Museu Histórico da Imigração ajudam a contar a história da formação do município.

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Holambra é responsável por 60% do mercado florista do país

De acordo com informações da prefeitura, Holambra é responsável por cerca de 60% do mercado florista do país. A produção é distribuída em campos, estufas e centros de compras especializados.

As flores fazem parte da paisagem urbana e da experiência turística, inclusive por meio de passeios guiados pelos campos de produção ao longo do ano. O turismo na cidade não se concentra em uma única época.

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Eventos como a Expoflora, o Dia do Rei e o Natal Mágico de Holambra atraem centenas de milhares de visitantes. Por ano são cerca de 1,5 milhão de turistas movimentando setores como comércio, gastronomia e serviços.

Capital Nacional das Flores, Holambra responde por cerca de 60% do mercado florista brasileiro e transformou herança cultural, eventos e paisagens floridas em motor permanente da economia local.“Capital nacional das flores”, Holambra responde por cerca de 60% do mercado florista brasileiro e transformou herança cultural, eventos e paisagens floridas em motor da economia local. (Foto: Alexandre Pottes Macedo/Prefeitura de Holambra)

Entre os principais atrativos estão o Moinho Povos Unidos, o Museu Histórico da Imigração, o Boulevard Holandês, o Parque Van Gogh, o Deck do Amor, praças temáticas e parques de exposição permanente como o Bloemen Park e o Macena Flores.



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Paraná quebra recorde na colheita da safra de verão

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O estado do Paraná colheu 26,3 milhões de toneladas de grãos na safra de verão 2025/2026 e estabeleceu um novo recorde de produção para o período. O volume supera em 6% o ciclo anterior, que registrou 24,7 milhões de toneladas, de acordo com o boletim oficial divulgado pelo Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab).

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A boa safra de soja e a retomada da safra de milho explicam o recorde, informa o Deral. Segundo o levantamento, a safra de soja somou 21,8 milhões de toneladas produzidas, enquanto o milho chegou a 4,1 milhões de toneladas, ante as 3,1 milhões de toneladas da safra anterior.

“O que motivou essa retomada de uma safra recorde no verão foi que voltamos a plantar um pouco mais de milho nessa safra”, explica Hugo Godinho, engenheiro agrônomo e analista do Deral. “A área de primeira safra deste ano foi 30% acima da plantação de milho de verão, plantado entre setembro e outubro”, informa.

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Inovação tecnológica e capacitação no campo consolidam recorde da safra paranaense. (Foto: Gilson Abreu/Governo do Paraná)

Segunda safra deve consolidar novo recorde de produção no Paraná

O bom desempenho da safra de verão é fundamental para um resultado expressivo no ano. “Para que se concretize uma safra recorde não só no verão, a gente precisa confirmar uma boa segunda safra”, afirma. A segunda safra 2025/2026 está bem encaminhada, diz o analista.

O principal destaque é o milho, cuja produção deve ficar na casa de 17,6 milhões de toneladas em uma área cultivada de 2,91 milhões de hectares. Segundo o Deral, a colheita da cultura teve início e atinge cerca de 3% da área total.

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Paraná supera recorde e colhe 26,3 milhões de toneladas na safra de verão. (Foto: Gilson Abreu/Governo do Paraná)

Os desafios para essa segunda safra, naturais do período de inverno, são os períodos mais críticos de geada, chuva e seca, sobretudo ao longo do mês de julho. Ainda assim, técnicos do órgão entendem que eventuais danos não devem alterar de forma profunda os números finais de produção neste momento.

Para Godinho, a safra de verão totalmente fechada e 6% superior à safra de verão anterior é um passo preponderante para um novo recorde, semelhante ao registrado ano passado. No consolidado de 2025, o total foi de 47,3 milhões de toneladas.

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Clima e tecnologia propiciam bom desempenho da safra no Paraná

Lucian Richard Ribeiro de Souza, do Departamento Técnico e Econômico Legal do Sistema Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), comemora o recorde. “O resultado é muito positivo”, afirma. “Não foi necessariamente uma surpresa, havia uma expectativa favorável em relação ao clima, e a gente sabe que os produtores, a cada ano, vêm se especializando, então era algo esperado”.

Somada à expansão da área plantada, Souza acrescenta como motivos que levaram ao bom resultado o trabalho realizado pelos produtores, na busca pela inserção de inovação tecnológica na área das lavouras, e o clima favorável, que ajudou o produtor.

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“O sistema Faep tem grande participação nisso, através do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), dos sindicatos e da Federação, principalmente no viés de capacitação e na difusão de boas práticas agronômicas”, afirma.

Em 2025, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Paraná respondeu por 13,5% da participação nacional da produção de grãos. O estado ficou atrás apenas do Mato Grosso (32%). Goiás (11,3%), Rio Grande do Sul (9,3%), Mato Grosso do Sul (8,1%) e Minas Gerais (5,5%) completam a lista.

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Brasil

Produto brasileiro de açaí conquista prêmio mundial

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No interior da palmeira de açaí, há uma fibra que durante décadas foi descartada e na qual uma empreendedora brasileira vislumbrou potencialidade de negócio. O Gratine, palmito de açaí desenvolvido pela empresa Salada Amazônia, venceu um prêmio internacional do segmento e colocou um ingrediente amazônico, até então esquecido, no cardápio de chefs e no radar do mercado global.

A ideia nasceu de uma constatação simples: o açaizeiro já era matéria-prima consolidada no Brasil, mas suas fibras internas eram pouco aproveitadas comercialmente. A Salada Amazônia transformou esse resíduo em um palmito orgânico especialmente desenvolvido para grelhar — rico em fibras, com 5g de proteína e apenas 96kcal por unidade.

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O produto chegou ao mercado com certificação orgânica, rastreabilidade garantida e adequação às exigências regulatórias de cinco destinos de exportação: Japão, Reino Unido, Emirados Árabes Unidos, Europa e Estados Unidos. O caminho não foi simples até alcançar o mercado internacional e à conquista do prêmio Wellnown Award 2026 (categoria “plant-based”) — o concuros reconhece produtos inovadores desenvolvidos por empresas de orgânicos e sustentáveis.

O produto chegou ao mercado com certificação orgânica, rastreabilidade garantida e adequação às exigências regulatórias de cinco destinos de exportação. (Foto: Mariana Gutierres/Divulgação Salada Amazônia)

Logística é entrave: comunidades fornecedoras estão em regiões remotas da Amazônia

Grande parte das comunidades fornecedoras fica em regiões remotas da Amazônia, acessíveis apenas por via fluvial, em longas viagens para transporte da matéria-prima. Manter os padrões de certificação orgânica nessa cadeia exigiu estrutura, parcerias técnicas com a Embrapa Amazônia Oriental e mais de duas décadas de desenvolvimento do modelo de manejo sustentável dos açaizais nativos.

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Hoje, a empresa opera 11 áreas certificadas. A fundadora do negócio, Mônica Rosa, evidencia que esses desafios são também oportunidades para demonstrar que a bioeconomia amazônica pode gerar produtos inovadores e competitivos.

Bioeconomia amazônica tem potencial para gerar produtos inovadores e competitivos. (Foto: Mariana Gutierres/Divulgação Salada Amazônia)

Os planos incluem expandir as áreas certificadas, desenvolver novos produtos derivados da biodiversidade amazônica e consolidar a marca como referência internacional em alimentos amazônicos. A premiação, segundo Rosa, valida toda a cadeia produtiva construída ao longo dos anos. “O produto transforma os recursos da floresta em alto valor agregado, mantendo-a em pé e gerando renda local”.

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Casas de luxo em Balneário Camboriú consolidam status de Hamptons brasileiro

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Um trecho de praias preservadas ao sul de Balneário Camboriú (SC) passou a concentrar casas de praia na faixa de R$ 20 milhões e viu o metro quadrado valorizar mais de 200% em cinco anos. Segundo a imobiliária J. Maurício, que atua há mais de 25 anos na região da Interpraias, a combinação de baixa densidade, oferta limitada e regras ambientais rígidas colocou o local no centro do foco de investidores como segunda moradia de alto padrão.

Mais que isso: embasa projeções de alta adicional de até 50% em dois anos. O movimento faz o litoral catarinense começar a repetir, em escala menor, a lógica dos Hamptons, luxuosa área costeira em Long Island, Nova York, onde casas de veraneio em áreas de baixa densidade passaram a ser vendidas por cerca de US$ 2,35 milhões nos negócios mais típicos e, em média, por perto de US$ 3,8 milhões no fim de 2025.

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Até poucos anos atrás, a área de Balneário Camboriú era mais associada a pousadas familiares e praias agrestes — Estaleirinho, Estaleiro, Pinho, Taquaras, Taquarinhas e Laranjeiras — do que a casas de alto padrão. Enquanto a Praia Central verticalizava e ajudava a colocar o município no topo do ranking das cidades com metro quadrado residencial mais caro do país, com preço médio em torno de R$ 14,9 mil por metro quadrado, a Interpraias seguia com baixa ocupação e natureza preservada.

“Sempre foi o pedaço mais discreto da cidade, com menos barulho, menos movimento e um contato mais direto com a natureza”, resume o corretor Theo Girolamo, que atua na região. Para ele, esse desenho começou a mudar conforme incorporadoras e proprietários passaram a enxergar no trecho uma espécie de “reserva de escassez”.

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São poucas frentes de mar disponíveis, boa parte em áreas de proteção ambiental, com gabaritos baixos e parâmetros de ocupação que reduzem a margem de adensamento futuro. “O que faz a Interpraias ser diferente é que, aqui, a verticalização não é uma opção”, acrescenta Maurício Girolamo, diretor-executivo da J. Maurício.

“As regras limitam o número de pavimentos e o quanto você pode ocupar do terreno, então a baixíssima densidade não é uma escolha de marketing, ela é estrutural”, acrescenta ele. De acordo com um levantamento feito pela imobiliária, o metro quadrado na região já subiu mais de 200% em cinco anos, impulsionado pela combinação de escassez de terrenos e entrada de projetos de padrão mais alto.

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A mesma projeção fala em uma alta adicional de até 50% em dois anos, caso a demanda por segunda moradia se mantenha e o pipeline de lançamentos continue concentrado em empreendimentos de baixa densidade. O movimento ocorre em um município que está entre os primeiros no ranking nacional de metro quadrado residencial mais caro, segundo o FipeZAP, o que empurra parte dos investidores a buscar oportunidades fora da orla central.

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A lógica dos Hamptons em escala catarinense: regras, segurança e capital paciente

Nos Hamptons, a base do mercado de segunda moradia de luxo combina baixa densidade, litoral preservado e estoque limitado de casas em bairros estritamente residenciais. Relatórios recentes da Douglas Elliman e da consultoria Miller Samuel mostram que o quarto trimestre de 2025 foi o mais caro da série: a mediana das vendas residenciais chegou a cerca de US$ 2,35 milhões e o preço médio ficou próximo de US$ 3,8 milhões, com participação recorde de imóveis acima de US$ 5 milhões nas transações.

“É um mercado em que o CEP e o entorno valem tanto quanto a casa”, resume uma das análises ao apontar o impacto da escassez de terrenos e das regras de zoneamento restritivas na precificação.

Na Interpraias, a leitura de quem atua no mercado é parecida, guardadas as proporções brasileiras. “O comprador de segunda moradia ou de longo prazo quer silêncio, privacidade, baixa densidade e um entorno preservado”, aponta Theo Girolamo.

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“Quando isso vem acompanhado de oferta limitada, o imóvel deixa de valer só pela metragem e passa a valer pelo território.” Ele explica que a região está inserida na área de proteção ambiental Costa Brava, com plano de manejo que fixa limites de gabarito e de taxa de ocupação do solo por zoneamento.

Combinação de baixa densidade, oferta limitada e regras ambientais rígidas colocou o local na mira de investidores (Foto: Daniel Leite/Divulgação imobiliária J. Maurício)

Nas áreas planas, o regramento costuma permitir apenas poucos pavimentos e ocupação de uma fração do lote; na morraria, as restrições são ainda mais rígidas. Esse arcabouço urbanístico vem sendo reforçado por uma agenda de segurança e organização territorial.

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Projeto apresentado pela recém‑criada Agência Interpraias, em articulação com a prefeitura de Balneário Camboriú e o conselho gestor da área de preservação ambiental, prevê a instalação de cerca de 100 câmeras de monitoramento em até dois anos, com investimento estimado em R$ 720 mil e cobertura de aproximadamente 10 quilômetros quadrados. Os equipamentos devem ser distribuídos entre as praias do Estaleirinho, Estaleiro, Pinho, Taquaras, Taquarinhas e Laranjeiras, com leitura automática de placas e, em alguns pontos, reconhecimento facial.

Para os players locais, o conjunto de regras ambientais, baixa densidade e sistema de monitoramento funciona como um “selo de previsibilidade” para quem mira capital de longo prazo.

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“Quando existem normas claras e um nível mínimo de organização territorial, a previsibilidade entra no preço”, afirma Girolamo. “É o mesmo tipo de lógica que consolidou os Hamptons: a certeza de que o entorno não vai mudar radicalmente é tão valiosa quanto a casa em si.”

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O que observar daqui para a frente

Para quem investe, a aposta é que a valorização não foi um ponto fora da curva. “Nos próximos cinco a dez anos, eu vejo a Interpraias com o metro quadrado mais caro de Balneário Camboriú e entre os mais caros do Brasil”, projeta o empresário Marcos Gracher, fundador da Wave Academias e integrante do conselho gestor da área de preservação ambiental Costa Brava.

Na leitura dele, a combinação de ocupação controlada, proximidade do centro e natureza preservada sustenta essa tese: “É uma região com pouco espaço para crescer, muito perto dos serviços da cidade e cercada de verde. Na minha visão, o futuro do investimento está ali.”

Do ponto de vista da forma urbana, a chave será o tipo de ocupação que a região vai aceitar daqui para a frente. “Vejo com bons olhos a valorização porque é praticamente o único lugar de Balneário onde ainda é possível morar em casa, perto do mar, em um bom terreno e sem edifícios colados dos dois lados”, diz o arquiteto e urbanista Carlos Vinicius Bortolato, coordenador do curso de Arquitetura e Urbanismo da UniAvan.

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Ele alerta, porém, que o desenho pode mudar se a pressão por novas vias e moradias em morro ganhar força. “O que mais preocupa no longo prazo é a combinação entre abrir novas vias nas encostas e aumentar a concentração de moradias; quanto mais acessos, mais pressão para construir, e isso pode comprometer justamente o diferencial das praias agrestes, que é a vegetação preservada, menos poluição e sensação de refúgio.”

Na prática, o próximo ciclo deve mostrar se a Interpraias se consolida como bairro de moradores de alta renda ou se caminha para uma lógica de segunda moradia mais parecida com destinos de veraneio clássicos. Bortolato lembra que há muita gente que vive ali e trabalha no centro, o que dificulta enxergar o trecho apenas como enclave de luxo.

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Já investidores como Gracher olham para o mesmo território como parte de uma carteira de longo prazo, ancorada em escassez planejada e qualidade ambiental. Entre esses dois vetores é que a Interpraias deve responder, nos próximos anos, até que ponto quer se aproximar da lógica dos Hamptons ou construir um caminho próprio no litoral catarinense.



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