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Segurança pública ameaça reeleição do PT e do PSD no Nordeste

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Três dos cinco estados com as maiores taxas de homicídio do Brasil têm algo em comum além da violência: governadores que vão concorrer à reeleição contra fortes nomes da oposição, que ameaçam um eventual segundo mandato dos chefes do Executivo. Comandados por políticos do PT e do PSD, Bahia, Pernambuco e Ceará estão entre os estados mais violentos do país, conforme o Atlas da Violência de 2026, divulgado na terça-feira (26) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).

Segundo o levantamento, o Nordeste segue como epicentro de mortes violentas no Brasil. A Bahia registrou 40,9 homicídios por 100 mil habitantes, Pernambuco 37,3 e o Ceará 34,3 — atrás do Amapá (45,7), na Região Norte. O topo da pirâmide da violência no país ainda tem o estado nordestino de Alagoas (35,9). Na outra ponta, São Paulo registrou 6,6 homicídios por 100 mil habitantes, o menor do país, acompanhado de Santa Catarina com 8,1.

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O cenário eleitoral no Nordeste reflete o desgaste dos governadores incumbentes, agravado pela violência e pelo avanço do crime organizado na região. Na Bahia, o governador Jerônimo Rodrigues (PT-BA) aparece tecnicamente empatado com ACM Neto (União-BA) no primeiro e no segundo turno, de acordo com cenários estimulados pela pesquisa Genial/Quaest divulgada no final de abril.

No Ceará, Elmano de Freitas (PT-CE) fica atrás de Ciro Gomes (PSDB-CE) no principal cenário estimulado pela Genial/Quaest — e perderia para ele em um eventual segundo turno.

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Em Pernambuco, a governadora Raquel Lyra (PSD-PE) está tecnicamente empatada com o prefeito do Recife, João Campos (PSB-PE), no cenário estimulado de primeiro turno pelo instituto Datafolha. Segundo a pesquisa divulgada na última quinta-feira (28), Lyra venceria Campos no segundo turno.

Uma das justificativas para a dificuldade na pré-campanha à reeleição dos governadores é que a segurança pública repercute na percepção de diferentes segmentos do eleitorado.

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“A segurança pública atinge 100% da população — qualquer um está sujeito […] A deficiência na educação atinge diretamente a classe mais carente, porque a classe média consegue compensar com a educação privada. Mas não tem como evitar a violência, cuja repressão é eminentemente estatal”, avalia o especialista em segurança pública Wagner Mesquita, ex-secretário de Segurança Pública do estado do Paraná.

Metodologia das pesquisas eleitorais citadas:

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  • Pesquisa Genial/Quaest Bahia: 1.200 entrevistados entre os dias 23 e 27 de abril de 2026. Contratada pelo Banco Genial S/A. Nível de confiança: 95%. Margem de erro: 3 pontos percentuais. Registro no TSE nº BA-03657/2026.
  • Pesquisa Datafolha Pernambuco: 1.022 entrevistados entre os dias 25 e 27 de maio de 2026. O nível de confiança é de 95%, com margem de erro de 3 pontos percentuais. A pesquisa foi contratada pela Nassau Editora Radio e TV Ltda. Registro no TSE nº PE-07888/2026.
  • Pesquisa Genial/Quaest Ceará: 1.002 entrevistados entre os dias 24 e 28 de abril de 2026. Contratada pelo Banco Genial S/A. Nível de confiança: 95%. Margem de erro: 3 pontos percentuais. Registro no TSE nº CE-01725/2026.

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Direita avança com discurso de confronto contra crime organizado

A debilidade institucional na segurança pública pode estar pavimentando o caminho de mudanças no mapa do Nordeste. No Ceará, Ciro Gomes construiu uma frente de oposição ao PT com apoio do PL e de parlamentares ligados à família Bolsonaro no estado.

A aliança, formalizada em abril, reuniu o ex-prefeito de Fortaleza Roberto Cláudio (União Brasil), o ex-deputado Capitão Wagner (União Brasil) e o deputado federal André Fernandes (PL), uma das figuras mais proeminentes da direita cearense.

A insatisfação com a violência está impulsionando uma virada no mapa político do Nordeste, com o discurso mais duro de líderes da direita contra o crime organizado. Mesquita defende que o endurecimento da execução penal é a principal urgência do país.

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“Durante décadas, o sistema penal foi contaminado com a ideia de não poder fazer regime fechado, uma política de não encarceramento. Precisamos do contrário”, afirma.

O especialista também defende a redução da maioridade penal. “Nosso direito penal é da década de 1940. A sociedade mudou muito, e o crime organizado há muito tempo tira proveito dessa situação”, afirmou Mesquita.

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Porém, o professor Leandro Piquet Carneiro, especialista em segurança pública da Universidade de São Paulo (USP), pondera que a relação entre insatisfação com a segurança e punição eleitoral não é direta. “Na Bahia não se pune ninguém. A Bahia é campeã de mortes violentas já há vários governos, sem mudança”, observa ele.

O professor explica que o homicídio é um fenômeno socialmente localizado, atinge sobretudo homens jovens em periferias, e o eleitor de classe média urbana, que define eleições, tende a ser mobilizado por outras formas de violência: golpes digitais, fraudes e roubo de celular. Ainda assim, o professor reconhece que a migração da classe média nordestina para candidatos de oposição tem lógica própria.

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Em nota, a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS-CE) afirmou que os dados do Atlas são de 2024 e que o estado apresenta queda consistente desde então. De acordo com a pasta, no primeiro quadrimestre de 2026, os Crimes Violentos Letais e Intencionais recuaram 37,2% em relação ao mesmo período do ano anterior — de 931 para 585 ocorrências.

Em 2025, de acordo com o governo, o estado registrou o maior número de armas de fogo apreendidas da série histórica — 7.221 no total — e prendeu 2.541 pessoas por envolvimento com organizações criminosas, alta de 96,1% em relação a 2024.

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A secretaria de Segurança Pública do Ceará também citou a reestruturação das forças de segurança, com criação de delegacias especializadas em crime organizado e 30 setores de inteligência na Polícia Civil, além da nomeação de mais de cinco mil profissionais entre 2023 e 2026.

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Crime organizado avança no Nordeste com presença do PCC e CV

Nas últimas décadas, o Nordeste deixou de ser uma região de criminalidade difusa para se tornar alvo estratégico do PCC e do Comando Vermelho. O crime organizado descobriu na costa nordestina uma rota de exportação de drogas para a Europa e uma plataforma privilegiada para lavagem de dinheiro no setor imobiliário — resorts, hotéis, condomínios e residências de alto padrão. Uma transformação que a estrutura de segurança pública da região não acompanhou.

“Há 30 anos, a segurança pública no Nordeste trata de homicídios, furto e roubo. Não havia criminalidade organizada explorando lavagem e tráfico de drogas”, afirma Mesquita. “A polícia ainda é muito local, voltada às demandas da comunidade. Precisa criar estruturas de combate ao crime organizado, fusion centers, centros de inteligência e treinar equipes especializadas”, acrescenta.

O professor Leandro Carneiro aponta três falhas estruturais que explicam por que esses estados acumulam décadas de violência sem reverter o quadro.

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  • Distribuição ineficiente do efetivo policial;
  • Baixa capacidade de investigação e elucidação de homicídios;
  • Gestão precária do sistema prisional.

De acordo com Carneiro, as polícias militares do Nordeste concentram recursos em áreas turísticas e na segurança de autoridades, deixando as periferias desguarnecidas. “Cada secretário e cada comandante têm dois motoristas que são policiais. As funções consomem muitos oficiais”, completa.

Em São Paulo, esse problema foi resolvido nos anos 1990, com a redistribuição do efetivo para onde havia concentração de homicídios — um processo que levou anos de resistência política.

Outro problema apontado é a baixa capacidade de investigação e elucidação de homicídios. O especialista aponta que a Polícia Civil dos estados nordestinos ainda não desenvolveu a capacidade de investigar crimes letais de forma sistemática. “São Paulo, por exemplo, investiu na divisão de homicídios e aumentou as taxas de elucidação, criando um efeito dissuasório.”

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O terceiro fator é a gestão precária do sistema prisional. Para Carneiro, o déficit de vagas e as condições degradantes dos presídios funcionam como incubadoras do crime organizado. “As condições muito negativas dos presídios ajudam no processo de recrutamento de infratores pelas organizações criminosas”, ressalta.

Ou seja, segundo o professor, sem espaço para isolar lideranças criminosas, o Estado perde o controle sobre quem recruta e quem comanda o crime de dentro e de fora das grades.

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Escala policial quebrada e cultura de letalidade agravam a crise na Bahia

Na Bahia, o problema teria uma camada adicional. Carneiro lembra que a Polícia Militar baiana opera em regime de turno 24 por 72 — 24 horas à disposição, seguidas de 72 horas de folga — uma herança de uma greve ocorrida em 2001 que nunca foi resolvida.

Na prática, para manter um posto de policiamento funcionando 24 horas por dia, sete dias por semana, são necessários quase dez policiais, já que cada um efetivamente patrulha no máximo 12 horas dentro do seu turno e só retorna três dias depois. “Isso debilita enormemente o policiamento”, resume.

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A PM baiana também acumula um histórico de violência institucional que, de acordo com o especialista, remonta ao “carlismo”, período sob o comando do ex-governador e ex-senador Antônio Carlos Magalhães, que morreu em 2007.

Na gestão do petista Jerônimo Rodrigues, a polícia baiana mantém altos índices de letalidade. “Quando existe a cultura do ‘vai lá e resolve, vai lá e mata’, o Estado coloca o policial numa posição em que ele não precisa respeitar regras. Isso abre a porteira para todo tipo de flexibilização”, opina.

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A reportagem buscou o posicionamento dos estados da Bahia e de Pernambuco, mas não recebeu retorno até a publicação da matéria. O espaço segue aberto para manifestações.

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São Paulo como espelho: o que falta aos estados mais violentos do país

O contraponto mais eloquente ao cenário nordestino está na própria estatística do Atlas: São Paulo, com 6,6 homicídios por 100 mil habitantes, tem a menor taxa do Brasil. Das dez cidades menos violentas do país, sete ficam no interior paulista. Das dez mais violentas, seis estão na Bahia e quatro no Ceará.

A diferença não é apenas histórica, mas também orçamentária. São Paulo investe proporcionalmente muito mais em segurança pública e sistema prisional do que os estados nordestinos, de acordo com o especialista em segurança pública da USP.

A solução, segundo Carneiro, depende de uma equação que esses estados não conseguem resolver sozinhos: precisam gastar mais em segurança sem deixar de investir em saúde e educação — e, para isso, precisariam de apoio federal que nunca veio de forma estruturada.

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O Sistema Único de Segurança Pública (Susp), criado para coordenar a política nacional, opera com recursos considerados insuficientes por especialistas da área. Em resposta a esse diagnóstico, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva apresentou a PEC da Segurança Pública, que busca ampliar a integração entre União, estados e municípios, fortalecer os mecanismos de coordenação nacional e dar status constitucional ao Susp. A proposta foi aprovada pela Câmara dos Deputados e aguarda análise do Senado.

Governadores de oposição, porém, criticam a iniciativa por entenderem que ela não enfrenta os principais problemas da segurança pública e amplia a influência da União sobre atribuições hoje exercidas pelos estados, com potencial redução da autonomia federativa. “O grande desafio é financiamento associado a bons modelos de gestão”, resume Carneiro.

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Brasil

Paraná quebra recorde na colheita da safra de verão

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O estado do Paraná colheu 26,3 milhões de toneladas de grãos na safra de verão 2025/2026 e estabeleceu um novo recorde de produção para o período. O volume supera em 6% o ciclo anterior, que registrou 24,7 milhões de toneladas, de acordo com o boletim oficial divulgado pelo Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab).

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A boa safra de soja e a retomada da safra de milho explicam o recorde, informa o Deral. Segundo o levantamento, a safra de soja somou 21,8 milhões de toneladas produzidas, enquanto o milho chegou a 4,1 milhões de toneladas, ante as 3,1 milhões de toneladas da safra anterior.

“O que motivou essa retomada de uma safra recorde no verão foi que voltamos a plantar um pouco mais de milho nessa safra”, explica Hugo Godinho, engenheiro agrônomo e analista do Deral. “A área de primeira safra deste ano foi 30% acima da plantação de milho de verão, plantado entre setembro e outubro”, informa.

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Inovação tecnológica e capacitação no campo consolidam recorde da safra paranaense. (Foto: Gilson Abreu/Governo do Paraná)

Segunda safra deve consolidar novo recorde de produção no Paraná

O bom desempenho da safra de verão é fundamental para um resultado expressivo no ano. “Para que se concretize uma safra recorde não só no verão, a gente precisa confirmar uma boa segunda safra”, afirma. A segunda safra 2025/2026 está bem encaminhada, diz o analista.

O principal destaque é o milho, cuja produção deve ficar na casa de 17,6 milhões de toneladas em uma área cultivada de 2,91 milhões de hectares. Segundo o Deral, a colheita da cultura teve início e atinge cerca de 3% da área total.

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Paraná supera recorde e colhe 26,3 milhões de toneladas na safra de verão. (Foto: Gilson Abreu/Governo do Paraná)

Os desafios para essa segunda safra, naturais do período de inverno, são os períodos mais críticos de geada, chuva e seca, sobretudo ao longo do mês de julho. Ainda assim, técnicos do órgão entendem que eventuais danos não devem alterar de forma profunda os números finais de produção neste momento.

Para Godinho, a safra de verão totalmente fechada e 6% superior à safra de verão anterior é um passo preponderante para um novo recorde, semelhante ao registrado ano passado. No consolidado de 2025, o total foi de 47,3 milhões de toneladas.

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Clima e tecnologia propiciam bom desempenho da safra no Paraná

Lucian Richard Ribeiro de Souza, do Departamento Técnico e Econômico Legal do Sistema Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), comemora o recorde. “O resultado é muito positivo”, afirma. “Não foi necessariamente uma surpresa, havia uma expectativa favorável em relação ao clima, e a gente sabe que os produtores, a cada ano, vêm se especializando, então era algo esperado”.

Somada à expansão da área plantada, Souza acrescenta como motivos que levaram ao bom resultado o trabalho realizado pelos produtores, na busca pela inserção de inovação tecnológica na área das lavouras, e o clima favorável, que ajudou o produtor.

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“O sistema Faep tem grande participação nisso, através do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), dos sindicatos e da Federação, principalmente no viés de capacitação e na difusão de boas práticas agronômicas”, afirma.

Em 2025, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Paraná respondeu por 13,5% da participação nacional da produção de grãos. O estado ficou atrás apenas do Mato Grosso (32%). Goiás (11,3%), Rio Grande do Sul (9,3%), Mato Grosso do Sul (8,1%) e Minas Gerais (5,5%) completam a lista.

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Brasil

Produto brasileiro de açaí conquista prêmio mundial

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No interior da palmeira de açaí, há uma fibra que durante décadas foi descartada e na qual uma empreendedora brasileira vislumbrou potencialidade de negócio. O Gratine, palmito de açaí desenvolvido pela empresa Salada Amazônia, venceu um prêmio internacional do segmento e colocou um ingrediente amazônico, até então esquecido, no cardápio de chefs e no radar do mercado global.

A ideia nasceu de uma constatação simples: o açaizeiro já era matéria-prima consolidada no Brasil, mas suas fibras internas eram pouco aproveitadas comercialmente. A Salada Amazônia transformou esse resíduo em um palmito orgânico especialmente desenvolvido para grelhar — rico em fibras, com 5g de proteína e apenas 96kcal por unidade.

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O produto chegou ao mercado com certificação orgânica, rastreabilidade garantida e adequação às exigências regulatórias de cinco destinos de exportação: Japão, Reino Unido, Emirados Árabes Unidos, Europa e Estados Unidos. O caminho não foi simples até alcançar o mercado internacional e à conquista do prêmio Wellnown Award 2026 (categoria “plant-based”) — o concuros reconhece produtos inovadores desenvolvidos por empresas de orgânicos e sustentáveis.

O produto chegou ao mercado com certificação orgânica, rastreabilidade garantida e adequação às exigências regulatórias de cinco destinos de exportação. (Foto: Mariana Gutierres/Divulgação Salada Amazônia)

Logística é entrave: comunidades fornecedoras estão em regiões remotas da Amazônia

Grande parte das comunidades fornecedoras fica em regiões remotas da Amazônia, acessíveis apenas por via fluvial, em longas viagens para transporte da matéria-prima. Manter os padrões de certificação orgânica nessa cadeia exigiu estrutura, parcerias técnicas com a Embrapa Amazônia Oriental e mais de duas décadas de desenvolvimento do modelo de manejo sustentável dos açaizais nativos.

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Hoje, a empresa opera 11 áreas certificadas. A fundadora do negócio, Mônica Rosa, evidencia que esses desafios são também oportunidades para demonstrar que a bioeconomia amazônica pode gerar produtos inovadores e competitivos.

Bioeconomia amazônica tem potencial para gerar produtos inovadores e competitivos. (Foto: Mariana Gutierres/Divulgação Salada Amazônia)

Os planos incluem expandir as áreas certificadas, desenvolver novos produtos derivados da biodiversidade amazônica e consolidar a marca como referência internacional em alimentos amazônicos. A premiação, segundo Rosa, valida toda a cadeia produtiva construída ao longo dos anos. “O produto transforma os recursos da floresta em alto valor agregado, mantendo-a em pé e gerando renda local”.

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Casas de luxo em Balneário Camboriú consolidam status de Hamptons brasileiro

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Um trecho de praias preservadas ao sul de Balneário Camboriú (SC) passou a concentrar casas de praia na faixa de R$ 20 milhões e viu o metro quadrado valorizar mais de 200% em cinco anos. Segundo a imobiliária J. Maurício, que atua há mais de 25 anos na região da Interpraias, a combinação de baixa densidade, oferta limitada e regras ambientais rígidas colocou o local no centro do foco de investidores como segunda moradia de alto padrão.

Mais que isso: embasa projeções de alta adicional de até 50% em dois anos. O movimento faz o litoral catarinense começar a repetir, em escala menor, a lógica dos Hamptons, luxuosa área costeira em Long Island, Nova York, onde casas de veraneio em áreas de baixa densidade passaram a ser vendidas por cerca de US$ 2,35 milhões nos negócios mais típicos e, em média, por perto de US$ 3,8 milhões no fim de 2025.

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Até poucos anos atrás, a área de Balneário Camboriú era mais associada a pousadas familiares e praias agrestes — Estaleirinho, Estaleiro, Pinho, Taquaras, Taquarinhas e Laranjeiras — do que a casas de alto padrão. Enquanto a Praia Central verticalizava e ajudava a colocar o município no topo do ranking das cidades com metro quadrado residencial mais caro do país, com preço médio em torno de R$ 14,9 mil por metro quadrado, a Interpraias seguia com baixa ocupação e natureza preservada.

“Sempre foi o pedaço mais discreto da cidade, com menos barulho, menos movimento e um contato mais direto com a natureza”, resume o corretor Theo Girolamo, que atua na região. Para ele, esse desenho começou a mudar conforme incorporadoras e proprietários passaram a enxergar no trecho uma espécie de “reserva de escassez”.

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São poucas frentes de mar disponíveis, boa parte em áreas de proteção ambiental, com gabaritos baixos e parâmetros de ocupação que reduzem a margem de adensamento futuro. “O que faz a Interpraias ser diferente é que, aqui, a verticalização não é uma opção”, acrescenta Maurício Girolamo, diretor-executivo da J. Maurício.

“As regras limitam o número de pavimentos e o quanto você pode ocupar do terreno, então a baixíssima densidade não é uma escolha de marketing, ela é estrutural”, acrescenta ele. De acordo com um levantamento feito pela imobiliária, o metro quadrado na região já subiu mais de 200% em cinco anos, impulsionado pela combinação de escassez de terrenos e entrada de projetos de padrão mais alto.

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A mesma projeção fala em uma alta adicional de até 50% em dois anos, caso a demanda por segunda moradia se mantenha e o pipeline de lançamentos continue concentrado em empreendimentos de baixa densidade. O movimento ocorre em um município que está entre os primeiros no ranking nacional de metro quadrado residencial mais caro, segundo o FipeZAP, o que empurra parte dos investidores a buscar oportunidades fora da orla central.

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A lógica dos Hamptons em escala catarinense: regras, segurança e capital paciente

Nos Hamptons, a base do mercado de segunda moradia de luxo combina baixa densidade, litoral preservado e estoque limitado de casas em bairros estritamente residenciais. Relatórios recentes da Douglas Elliman e da consultoria Miller Samuel mostram que o quarto trimestre de 2025 foi o mais caro da série: a mediana das vendas residenciais chegou a cerca de US$ 2,35 milhões e o preço médio ficou próximo de US$ 3,8 milhões, com participação recorde de imóveis acima de US$ 5 milhões nas transações.

“É um mercado em que o CEP e o entorno valem tanto quanto a casa”, resume uma das análises ao apontar o impacto da escassez de terrenos e das regras de zoneamento restritivas na precificação.

Na Interpraias, a leitura de quem atua no mercado é parecida, guardadas as proporções brasileiras. “O comprador de segunda moradia ou de longo prazo quer silêncio, privacidade, baixa densidade e um entorno preservado”, aponta Theo Girolamo.

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“Quando isso vem acompanhado de oferta limitada, o imóvel deixa de valer só pela metragem e passa a valer pelo território.” Ele explica que a região está inserida na área de proteção ambiental Costa Brava, com plano de manejo que fixa limites de gabarito e de taxa de ocupação do solo por zoneamento.

Combinação de baixa densidade, oferta limitada e regras ambientais rígidas colocou o local na mira de investidores (Foto: Daniel Leite/Divulgação imobiliária J. Maurício)

Nas áreas planas, o regramento costuma permitir apenas poucos pavimentos e ocupação de uma fração do lote; na morraria, as restrições são ainda mais rígidas. Esse arcabouço urbanístico vem sendo reforçado por uma agenda de segurança e organização territorial.

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Projeto apresentado pela recém‑criada Agência Interpraias, em articulação com a prefeitura de Balneário Camboriú e o conselho gestor da área de preservação ambiental, prevê a instalação de cerca de 100 câmeras de monitoramento em até dois anos, com investimento estimado em R$ 720 mil e cobertura de aproximadamente 10 quilômetros quadrados. Os equipamentos devem ser distribuídos entre as praias do Estaleirinho, Estaleiro, Pinho, Taquaras, Taquarinhas e Laranjeiras, com leitura automática de placas e, em alguns pontos, reconhecimento facial.

Para os players locais, o conjunto de regras ambientais, baixa densidade e sistema de monitoramento funciona como um “selo de previsibilidade” para quem mira capital de longo prazo.

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“Quando existem normas claras e um nível mínimo de organização territorial, a previsibilidade entra no preço”, afirma Girolamo. “É o mesmo tipo de lógica que consolidou os Hamptons: a certeza de que o entorno não vai mudar radicalmente é tão valiosa quanto a casa em si.”

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O que observar daqui para a frente

Para quem investe, a aposta é que a valorização não foi um ponto fora da curva. “Nos próximos cinco a dez anos, eu vejo a Interpraias com o metro quadrado mais caro de Balneário Camboriú e entre os mais caros do Brasil”, projeta o empresário Marcos Gracher, fundador da Wave Academias e integrante do conselho gestor da área de preservação ambiental Costa Brava.

Na leitura dele, a combinação de ocupação controlada, proximidade do centro e natureza preservada sustenta essa tese: “É uma região com pouco espaço para crescer, muito perto dos serviços da cidade e cercada de verde. Na minha visão, o futuro do investimento está ali.”

Do ponto de vista da forma urbana, a chave será o tipo de ocupação que a região vai aceitar daqui para a frente. “Vejo com bons olhos a valorização porque é praticamente o único lugar de Balneário onde ainda é possível morar em casa, perto do mar, em um bom terreno e sem edifícios colados dos dois lados”, diz o arquiteto e urbanista Carlos Vinicius Bortolato, coordenador do curso de Arquitetura e Urbanismo da UniAvan.

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Ele alerta, porém, que o desenho pode mudar se a pressão por novas vias e moradias em morro ganhar força. “O que mais preocupa no longo prazo é a combinação entre abrir novas vias nas encostas e aumentar a concentração de moradias; quanto mais acessos, mais pressão para construir, e isso pode comprometer justamente o diferencial das praias agrestes, que é a vegetação preservada, menos poluição e sensação de refúgio.”

Na prática, o próximo ciclo deve mostrar se a Interpraias se consolida como bairro de moradores de alta renda ou se caminha para uma lógica de segunda moradia mais parecida com destinos de veraneio clássicos. Bortolato lembra que há muita gente que vive ali e trabalha no centro, o que dificulta enxergar o trecho apenas como enclave de luxo.

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Já investidores como Gracher olham para o mesmo território como parte de uma carteira de longo prazo, ancorada em escassez planejada e qualidade ambiental. Entre esses dois vetores é que a Interpraias deve responder, nos próximos anos, até que ponto quer se aproximar da lógica dos Hamptons ou construir um caminho próprio no litoral catarinense.



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