Brasil
SC inaugura usina de biometano de dejetos suínos
O Brasil aproveita apenas 1,5% do seu potencial de biometano — um mercado estimado em R$ 180 bilhões que permanece praticamente inexplorado mesmo após 15 anos da Política Nacional de Resíduos Sólidos. Para desbravar esse segmento, Campos Novos (SC) acaba de inaugurar a primeira usina de biometano da América Latina certificada pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) com foco na transformação de dejetos de suínos em combustível renovável.
A planta da H2A Bioenergia em parceria com a Copercampos custou R$ 65 milhões e tem capacidade diária de 16 mil m³ de biometano certificado — volume que será distribuído tanto por carretas quanto injetado na rede de gás de Santa Catarina. A certificação da ANP não é apenas um carimbo técnico — ela viabiliza contratos de longo prazo no mercado regulado e a emissão de CBios (Créditos de Descarbonização), transformando dejetos em receita para produtores rurais e em alternativa real ao gás fóssil.
“Estamos estruturando a empresa para levar esse modelo a países como Paraguai, Colômbia e Equador”, projeta o diretor-presidente da H2A Bioenergia, Adilson Teixeira Lima, que planeja dezenas de novas plantas Brasil afora.
Segundo informações da Associação Brasileira de Energia de Resíduos (Abren), mais de 40% dos resíduos urbanos ainda vão para lixões e aterros.
Aproveitamento integral de resíduos
A planta de Campos Novos tem capacidade diária de 16 mil metros cúbicos de biometano certificado, 23 mil metros cúbicos de biogás e 12 toneladas de dióxido de carbono (CO₂) de grau alimentício, utilizado na indústria de bebidas e processos industriais, abrindo uma fonte adicional de receita e reforçando o conceito de aproveitamento integral de resíduos.
Além de Campos Novos, o objetivo é instalar 22 novas plantas planejadas pela companhia em Santa Catarina, Goiás, Rio Grande do Sul e São Paulo. No território catarinense, cinco unidades estão em fase de licenciamento pela ANP, com previsão de operação até o fim de 2027 nas cidades de Papanduva, Videira e uma outra unidade em Campos Novos.
Uma segunda usina tem previsão de entrar em operação ainda este ano em Rio Verde (GO), seguida por um terceiro projeto em Ponta Grossa (PR). “A tecnologia que utilizamos permite expandir a geração para outros tipos de resíduos, adaptando-se à economia local de cada região onde as plantas serão instaladas”, afirma o diretor-presidente da H2A Bioenergia.
Modelo de negócio inclui estudo para a implantação de gasoduto
O arranjo comercial da operação funciona em parceria com o produtor rural, que fornece a matéria-prima e o espaço físico. Ele recebe, em contrapartida, parte da receita gerada pela comercialização do biometano. A empresa, por sua vez, entra com a tecnologia e a gestão operacional do ativo.
A certificação da ANP é o complemento do modelo: além de permitir a inserção no mercado regulado com contratos de longo prazo, viabiliza a emissão de CBios (Créditos de Descarbonização), instrumentos fundamentais dentro da política nacional de biocombustíveis.
Já a distribuição do biometano produzido será realizada tanto por meio de transporte em carretas quanto pela injeção na rede de gás, em parceria com a Companhia de Gás de Santa Catarina (SCGás). “Inicialmente o biometano será transportado até Lages, mas estamos avaliando projetos para ampliação da rede e até a implantação de gasodutos no futuro. Isso abre espaço para o desenvolvimento industrial e para o uso do gás em diferentes aplicações, inclusive no transporte”, aponta o presidente da companhia, Otmar Josef Müller.
Como funciona a extração do gás
Os dejetos oriundos da criação de matrizes suínas passam por biodigestão anaeróbia, um processo biológico pelo qual microrganismos decompõem matéria orgânica (resíduos), produzindo biogás rico em metano. Em seguida, o material é submetido a um sistema de purificação por membranas de alta tecnologia, que separa o metano do dióxido de carbono e propicia um biometano com pureza superior a 96% — padrão exigido pela ANP para comercialização como combustível renovável.
Para a Copercampos, o projeto representa a consolidação de uma trajetória de diversificação energética. “Buscamos inovar acompanhando as transformações do setor e investindo em soluções que agreguem valor ao negócio dos nossos associados”, defende Luiz Carlos Chiocca, diretor-presidente da cooperativa.
Ele afirma que a cooperativa tem investido na geração de energia renovável além do biometano. “Somos sócios de Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs), temos a usina fotovoltaica e, em breve, também teremos a usina de etanol da cooperativa”, ressalta.
Brasil
4 feriados restantes em 2026 caem perto do fim de semana
O calendário de 2026 ainda reserva cinco feriados nacionais até o fim do ano. Depois do feriado da Independência, celebrado em 7 de setembro, as próximas datas são Nossa Senhora Aparecida, Finados, Proclamação da República, Dia da Consciência Negra e Natal.
Para quem já pensa em viagens, descanso ou simplesmente em aproveitar alguns dias longe do trabalho, há boas oportunidades pela frente. Quatro das cinco datas restantes cairão coladas ao fim de semana e poderão formar períodos de três dias de folga, sem necessidade de emendar um dia útil.
A exceção é o feriado da Proclamação da República, em 15 de novembro, que será celebrado em um domingo. Já outubro, novembro e dezembro concentram as oportunidades de descanso no último trimestre do ano.
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Quais feriados ainda restam em 2026?
O próximo feriado nacional será em 12 de outubro, uma segunda-feira. A data é dedicada a Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, e também é tradicionalmente associada ao Dia das Crianças.
Assim, quem não trabalha aos sábados e domingos terá um período de três dias de descanso, de sábado (10) a segunda-feira (12). A mesma situação se repetirá em 2 de novembro, Dia de Finados, que também cairá em uma segunda-feira.
Em 20 de novembro, Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra, a folga virá na sexta-feira, formando outro fim de semana prolongado. A data passou a ser feriado nacional em 2023, após a sanção da Lei 14.759.
Por fim, o Natal, em 25 de dezembro, também será celebrado em uma sexta-feira. Com isso, o último feriado nacional de 2026 formará mais um período de três dias de descanso.
A única data que não deverá proporcionar uma folga adicional é 15 de novembro. O feriado da Proclamação da República cairá em um domingo.
Veja como ficam os cinco feriados nacionais restantes:
- 12 de outubro, segunda-feira: Nossa Senhora Aparecida;
- 2 de novembro, segunda-feira: Finados;
- 15 de novembro, domingo: Proclamação da República;
- 20 de novembro, sexta-feira: Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra;
- 25 de dezembro, sexta-feira: Natal.
Feriadões de 2026: veja as próximas datas e entenda quem tem direito à folga
Na prática, quatro dos cinco feriados nacionais restantes podem render fins de semana de três dias para quem normalmente folga aos sábados e domingos.
O primeiro será o de Nossa Senhora Aparecida, em outubro. Em seguida, Finados permitirá outro período prolongado no início de novembro. Poucas semanas depois, o Dia da Consciência Negra cairá em uma sexta-feira.
O último feriadão do ano será o Natal, que também ocorrerá em uma sexta-feira. Como a data fica próxima ao Ano-Novo, algumas empresas e órgãos públicos podem adotar recessos ou expedientes diferenciados. Entretanto, essas medidas não devem ser confundidas com os feriados nacionais previstos em lei.
Além disso, há datas classificadas como ponto facultativo no calendário da administração pública federal. Em 28 de outubro, por exemplo, é celebrado o Dia do Servidor Público federal. Já 24 e 31 de dezembro, vésperas de Natal e Ano-Novo, respectivamente, terão ponto facultativo após determinado horário para os órgãos federais.
O ponto facultativo, porém, não significa automaticamente folga para todos os trabalhadores. No setor privado, cabe ao empregador definir o funcionamento, salvo quando houver previsão em convenção ou acordo coletivo.
A regra é diferente para os órgãos públicos, que seguem os calendários administrativos estabelecidos por cada esfera de governo.
Também é importante lembrar que feriado nacional não significa que todas as atividades necessariamente parem. Serviços essenciais e setores autorizados a funcionar podem manter as operações, seguindo as regras trabalhistas aplicáveis.
Brasil
Interpol entra nas buscas por irmãos desaparecidos no Maranhão há oito meses
A Polícia Federal acionou o apoio da Interpol para tentar localizar os irmãos Ágatha Isabelly e Allan Michael, desaparecidos há oito meses no Maranhão. A investigação, que se concentra na zona rural de Bacabal, ganha agora ferramentas de monitoramento global e cooperação internacional em 197 países para verificar pistas sobre o paradeiro das crianças, sumidas desde janeiro de 2026.
Como a Interpol vai participar das buscas pelas crianças?
O Núcleo de Cooperação Internacional da Polícia Federal disponibilizou ferramentas que permitem o cruzamento de dados em escala global. Na prática, isso significa que o caso passa a contar com o Yellow Notice, um alerta internacional usado especificamente para localizar pessoas desaparecidas, com foco em menores de idade. Esse recurso é fundamental caso surjam indícios de que os irmãos tenham saído do território brasileiro, facilitando o compartilhamento imediato de informações com autoridades de 197 países e auxiliando em um eventual processo de repatriação das vítimas.
Quais são as principais hipóteses para o desaparecimento dos irmãos?
Desde o sumiço em 4 de janeiro, diversas linhas de investigação foram traçadas pelas forças de segurança do Maranhão. Inicialmente, as buscas por terra, água e ar focaram na possibilidade de os irmãos terem se perdido na mata densa da região quilombola de São Sebastião dos Pretos. Entretanto, a defesa da família também levantou a suspeita de tráfico humano, embora essa hipótese ainda não tenha sido confirmada oficialmente. Como o processo corre sob segredo de Justiça, detalhes específicos sobre novas pistas ou provas não são divulgados para preservar o andamento das investigações.
Como ocorreu o desaparecimento de Ágatha e Allan em Bacabal?
As crianças, de 6 e 4 anos, desapareceram enquanto brincavam na comunidade quilombola onde viviam, a cerca de 250 quilômetros de São Luís. Na ocasião, eles estavam acompanhados de um primo de 8 anos, que também sumiu, mas foi encontrado três dias depois em uma área de mata. O menino estava debilitado e desorientado, não conseguindo fornecer informações claras sobre o que aconteceu com os primos. Desde então, mobilizações massivas envolvendo drones, cães farejadores e centenas de voluntários foram realizadas na região, mas o paradeiro dos irmãos permanece um mistério absoluto.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.
Brasil
Santa Catarina supera SP e se torna o estado mais competitivo
O estado de São Paulo deixou a liderança do Ranking de Competitividade dos Estados pela primeira vez após 14 edições da lista, elaborada pelo Centro de Liderança Pública (CLP) com desenvolvimento técnico da Tendências Consultoria.
Santa Catarina, que ocupava a segunda posição na edição anterior, passou ao primeiro lugar, enquanto São Paulo caiu para a segunda colocação. O Paraná manteve a terceira posição, ocupada desde 2022, e o Rio Grande do Sul avançou do quinto para o quarto lugar, sua melhor colocação até agora.
O Ranking de Competitividade dos Estados reúne indicadores distribuídos em dez pilares: infraestrutura, sustentabilidade social, segurança pública, educação, solidez fiscal, eficiência da máquina pública, capital humano, sustentabilidade ambiental, potencial de mercado e inovação.
O objetivo é comparar fatores relacionados à capacidade dos estados de atrair investimentos, oferecer serviços públicos e criar condições para o desenvolvimento econômico e social.
O levantamento dá mais peso para os pilares de segurança pública, sustentabilidade social, infraestrutura e educação, seguido por solidez fiscal e eficiência da máquina pública.
A classificação mede o desempenho relativo dos estados no conjunto de indicadores, o que significa que uma mudança de posição não implica necessariamente piora absoluta de quem caiu ou melhora em todos os indicadores de quem subiu. Um estado pode avançar mais rapidamente que outro e ultrapassá-lo mesmo que ambos tenham apresentado melhora em seus dados brutos.
Nas notas finais, a distância entre os dois estados mais competitivos já vinha diminuindo nos últimos anos. Em 2023, São Paulo tinha vantagem de 5,6 pontos sobre Santa Catarina nas notas normalizadas do ranking. A diferença caiu para 2,7 pontos em 2024 e para apenas 1 ponto em 2025. Na edição de 2026, Santa Catarina passou a ter vantagem de 6,4 pontos sobre o estado paulista.
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Ranking de Competitividade dos Estados 2026
| Posição | UF | Nota final |
| 1 | Santa Catarina | 87,06 |
| 2 | São Paulo | 80,68 |
| 3 | Paraná | 76,30 |
| 4 | Rio Grande do Sul | 68,00 |
| 5 | Espírito Santo | 67,24 |
| 6 | Distrito Federal | 62,43 |
| 7 | Minas Gerais | 60,23 |
| 8 | Goiás | 59,46 |
| 9 | Mato Grosso | 59,08 |
| 10 | Mato Grosso do Sul | 55,15 |
| 11 | Ceará | 54,04 |
| 12 | Paraíba | 53,92 |
| 13 | Rio de Janeiro | 50,01 |
| 14 | Amazonas | 48,99 |
| 15 | Rio Grande do Norte | 46,94 |
| 16 | Sergipe | 44,96 |
| 17 | Pernambuco | 43,57 |
| 18 | Alagoas | 42,99 |
| 19 | Piauí | 39,36 |
| 20 | Rondônia | 36,33 |
| 21 | Bahia | 36,11 |
| 22 | Roraima | 35,69 |
| 23 | Maranhão | 34,02 |
| 24 | Tocantins | 33,33 |
| 25 | Pará | 32,81 |
| 26 | Acre | 24,73 |
| 27 | Amapá | 24,50 |
Fonte: CLP
Como Santa Catarina alcançou a liderança no ranking
A ascensão catarinense foi impulsionada principalmente por avanços em áreas nas quais o estado melhorou sua posição relativa dentro do ranking.
Em educação, Santa Catarina ganhou sete posições. Um dos principais fatores foi o avanço de 23 colocações no indicador de avaliação educacional.
O estado também subiu sete posições no pilar de eficiência da máquina pública, acompanhado por ganhos de 17 posições no indicador de equilíbrio de gênero no emprego público estadual e de 12 posições no equilíbrio de gênero na remuneração pública estadual.
Outro avanço relevante ocorreu em solidez fiscal, pilar em que Santa Catarina ganhou três posições. O resultado foi acompanhado por uma melhora de dez colocações no indicador de sucesso do planejamento orçamentário, além de ganhos em regra de ouro e solvência fiscal.
Santa Catarina também avançou três posições em sustentabilidade ambiental, com melhora em indicadores relacionados à transparência das ações de combate ao desmatamento, serviços urbanos e tratamento de esgoto. Em potencial de mercado, o estado subiu duas posições.
O resultado final revela uma vantagem construída pela consistência em diferentes áreas. Na comparação entre os dez pilares, Santa Catarina ficou em primeiro lugar em sustentabilidade social, segurança pública e potencial de mercado; foi terceira colocada em eficiência da máquina pública e quarta em solidez fiscal.
O estado lidera em sustentabilidade social, segurança pública e potencial de mercado. Sua pior colocação entre os pilares foi infraestrutura, em quinto lugar.
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São Paulo continua líder em áreas estratégicas
A perda da primeira posição geral não significa, porém, que São Paulo tenha deixado de apresentar resultados superiores em áreas importantes.
O estado paulista continua na primeira colocação nos pilares de infraestrutura, educação e sustentabilidade ambiental, ou seja, em três dos dez grandes grupos de indicadores utilizados pelo levantamento.
A queda para o segundo lugar foi influenciada principalmente por perdas relativas em cinco pilares. A maior delas ocorreu em eficiência da máquina pública, área em que São Paulo caiu nove posições. O estado também perdeu posições em capital humano, segurança pública, solidez fiscal e inovação.
Entre os fatores apontados pelo relatório estão quedas relativas nos indicadores de equilíbrio de gênero na remuneração pública estadual, qualidade da informação contábil e fiscal e produtividade dos magistrados e servidores do Judiciário. Em solidez fiscal, houve recuos nos indicadores de taxa de investimentos e sucesso do planejamento orçamentário.
O próprio estudo alerta, no entanto, que a mudança de liderança deve ser interpretada com cuidado. O ranking é construído a partir da posição relativa dos estados e da agregação ponderada de diversos indicadores. Assim, não é possível concluir, apenas pela perda da primeira colocação, que São Paulo tenha se tornado menos competitivo em termos absolutos.
Região Sul consolida domínio no topo
A nova edição também reforça a concentração dos estados do Sul e do Sudeste nas primeiras posições do ranking. Além da liderança de Santa Catarina, o Paraná permaneceu em terceiro lugar e o Rio Grande do Sul alcançou a quarta colocação, depois de passar três anos consecutivos em quinto.
No Nordeste, o Ceará assumiu a liderança regional e subiu três posições no ranking geral, chegando ao 11º lugar e ultrapassando a Paraíba. Na região Norte, o Amazonas também avançou três posições, chegando à 14ª colocação e se tornando o estado mais bem posicionado da região.
Na outra ponta, Pará, Acre e Amapá permaneceram nas três últimas posições do ranking.
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