Brasil
Por que Caiado, Zema e Renan não empolgam eleitores de direita
Apesar de figurarem entre os presidenciáveis como opções da direita para 2026, Romeu Zema (Novo), Ronaldo Caiado (PSD) e Renan Santos (Missão) ainda não conseguiram empolgar os eleitores nem repetir nas pesquisas de intenção de voto a projeção política que conquistaram nos últimos anos. O que explica esse cenário? A Gazeta do Povo entrevistou analistas políticos para responder à pergunta.
Sondagens eleitorais recentes mostram que os três pré-candidatos ainda enfrentam dificuldades para converter projeção política em intenção de voto no primeiro turno. Por exemplo, um levantamento do instituto Real Time Big Data divulgado no último dia 21 coloca o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na liderança no primeiro turno, com 40%, enquanto Renan Santos e Ronaldo Caiado aparecem tecnicamente empatados dentro da margem de erro, com 9% e 7%, respectivamente, e Romeu Zema, 2%.
Quando a sondagem se refere a um eventual segundo turno, o quadro é diferente. Caiado é o único dos três que aparece numericamente à frente de Lula (44% a 43%), em empate técnico dentro da margem de erro. Zema perderia do petista por 44% a 38%, se a eleição fosse hoje, enquanto Renan Santos registra 35% contra 44% de Lula — Flávio Bolsonaro (PL) soma 33% no cenário de primeiro turno e fica empatado dentro da margem de erro no segundo turno, com 42%, enquanto Lula tem 45%.
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A sombra de Bolsonaro sobre a direita
Para o economista Alexandre Manoel, daGlobal Intelligence and Analytics, o principal obstáculo enfrentado por Caiado, Zema e Renan Santos é a força da liderança política construída pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Na avaliação dele, Bolsonaro consolidou uma relação com o eleitorado que extrapola propostas de governo.
Um dos pilares dessa conexão é a identificação com o segmento evangélico que, segundo o Censo Demográfico de 2022, representa 26,9% da população brasileira com 10 anos ou mais e continua em expansão. “Trata-se de um contingente eleitoral extremamente relevante. Bolsonaro foi o primeiro candidato a construir uma identificação política e simbólica com esse segmento [evangélico], o que lhe conferiu uma vantagem competitiva difícil de ser reproduzida por outras lideranças da direita”, afirmou o analista.
Além disso, segundo ele, a imagem de Bolsonaro ficou associada ao enfrentamento ao establishment político, além de o ex-presidente ter ficado marcado como um alvo de perseguição política e judicial. “Boa gestão, ideias consistentes e experiência administrativa são ativos importantes, sobretudo para conquistar o eleitor moderado. No entanto, esses atributos, por si sós, não parecem suficientes para substituir a liderança construída por Bolsonaro junto ao núcleo mais fiel do eleitorado de direita”, pontuou.
Segundo ele, o desafio de Zema, Caiado e Renan Santos passa justamente pela construção de uma identidade própria sem romper com a base conservadora que continua enxergando Bolsonaro como sua principal referência política.
Prestígio político não garante eleição
Na avaliação de Juan Carlos Arruda, diretor-geral do Ranking dos Políticos, os três pré-candidatos possuem atributos expressivos, mas uma disputa presidencial exige muito mais do que boa reputação ou influência política. Ele observa que Zema consolidou uma imagem de gestor eficiente em Minas Gerais, Caiado reúne experiência política e administrativa, enquanto Renan Santos ganhou espaço no debate público e na articulação de pautas da direita.
“Existe uma diferença entre ser bem avaliado em um estado, liderar um movimento ou ter influência no debate político e conseguir construir uma candidatura nacional. Isso demanda tempo, presença em todo o país, alianças e uma narrativa capaz de dialogar com diferentes segmentos do eleitorado”, pontua Arruda.
Para o analista, o momento também contribui para o baixo desempenho dos três nomes nas pesquisas. Como a direita ainda gravita em torno da figura de Bolsonaro, os pré-candidatos encontram dificuldades para ocupar um espaço próprio. Na avaliação dele, apenas quando o cenário eleitoral estiver mais definido será possível medir quem conseguirá transformar prestígio político em intenção de voto.
Falta de projeção nacional
O cientista político Paulo Kramer identifica outro fator importante: o desconhecimento dos pré-candidatos fora de seus estados de origem. Segundo ele, Bolsonaro continua sendo a principal referência do conservadorismo brasileiro, enquanto Zema e Caiado ainda enfrentam dificuldades para alcançar projeção — e até conhecimento, de fato — nacional.
No caso do ex-governador mineiro, Kramer afirma que a imagem positiva da gestão convive com problemas históricos de regiões pobres de Minas Gerais, como o Vale do Jequitinhonha, o que limita sua capacidade de expansão política. Em relação a Caiado, Kramer observa que boa parte da longa trajetória ocorreu no Congresso Nacional, uma instituição que, segundo ele, costuma ter pouca visibilidade para o eleitor comum.
Além disso, Kramer ressaltou que Goiás possui relevância econômica, especialmente pelo agronegócio, mas um peso demográfico relativamente pequeno no cenário nacional. Na avaliação de Kramer, Caiado deveria ter investido há mais tempo na projeção nacional da sua imagem. “Mas aí, é claro que a oposição o acusaria de descuidar dos problemas goianos em troca de suas ambições presidenciais”, completou.
Caiado foi a escolha do PSD para disputar a Presidência da República em 2026 após a desistência do governador do Paraná, Ratinho Junior, que foi o nome inicialmente escolhido pelo presidente nacional da legenda, Gilberto Kassab, para a tarefa.
A mudança de rumo do paranaense surpreendeu porque foi um grande contraste com o que Ratinho Junior construiu ao longo de 2025 na tentativa de se mostrar ao Brasil, justamente para ganhar projeção para um projeto nacional.
- Metodologia da pesquisa citada: O Real Time Big Data ouviu 2.000 pessoas nos dias 18 e 20 de julho. A pesquisa para presidente da República foi contratada pelo próprio instituto. O nível de confiança é de 95%. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos. Registro no TSE nº BR-09247/2026.
Brasil
entenda a história por trás da Independência do Brasil
O 7 de setembro é celebrado no Brasil como o Dia da Independência, em referência ao processo de ruptura política com Portugal iniciado oficialmente em 1822. A data, porém, representa apenas um dos momentos de uma transformação que começou antes e só foi consolidada anos depois.
Além da importância histórica, o feriado de 7 de setembro também costuma gerar dúvidas sobre o funcionamento do comércio e de outros serviços e sobre os direitos de quem precisa trabalhar na data. Em 2026, o feriado cai em uma segunda-feira.
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7 de setembro marca a Independência do Brasil
Em 7 de setembro de 1822, Dom Pedro, então príncipe regente, declarou a ruptura política com Portugal às margens do riacho do Ipiranga, em São Paulo. O episódio ficou conhecido como o Grito do Ipiranga e se transformou no principal símbolo da Independência do Brasil.
Segundo Sérgio Czajkowski Jr., professor dos cursos de graduação e pós-graduação do UniCuritiba, o episódio deve ser entendido dentro de um contexto muito mais amplo. O processo foi influenciado pelo Iluminismo, pela ascensão da burguesia europeia e pela Revolução Francesa, além das transformações provocadas pelas guerras napoleônicas.
A invasão de Portugal pelas tropas de Napoleão Bonaparte levou a família real portuguesa a se transferir para o Brasil, em 1808. Anos depois, em 1815, o Brasil foi elevado à condição de Reino Unido a Portugal e Algarves. A permanência de Dom Pedro no território brasileiro e os conflitos crescentes entre as elites locais e as Cortes portuguesas contribuíram para o processo que culminaria na separação.
Czajkowski ressalta que a Independência não foi resultado de um único acontecimento. Em janeiro de 1822, por exemplo, ocorreu o chamado Dia do Fico, quando Dom Pedro decidiu permanecer no Brasil apesar das ordens para retornar a Portugal.
“O 7 de setembro é um marco, mas faz parte de um processo que começou antes e continuou depois dele”, explica o professor.
A separação também não significou uma ruptura imediata em todos os aspectos. Portugal só reconheceu oficialmente a independência brasileira em 1825. Além disso, a estrutura social do país praticamente não foi alterada: a escravidão continuou e as relações de poder permaneceram concentradas nas elites.
O que foi o Grito do Ipiranga?
A imagem mais conhecida da Independência mostra Dom Pedro montado em um cavalo, levantando a espada e proclamando “Independência ou Morte”. A cena, entretanto, é uma representação construída posteriormente e não deve ser confundida com uma fotografia do episódio.
O professor explica que há uma simplificação histórica ao atribuir a Dom Pedro, sozinho, o protagonismo pela independência. Segundo ele, o príncipe regente foi utilizado pelas elites como uma figura capaz de conferir legitimidade à ruptura e reduzir o risco de um conflito mais amplo com Portugal.
Também não há comprovação de todos os detalhes tradicionalmente associados ao episódio. É provável, por exemplo, que Dom Pedro estivesse montado em uma mula, meio de transporte mais adequado às condições da região, e não no imponente cavalo representado nas pinturas. Tampouco há comprovação documental de que o famoso grito tenha ocorrido exatamente como aparece nos livros escolares.
“Dom Pedro I, simbolicamente, ‘apareceu na foto’ – ou, na época, na pintura”, afirma Czajkowski.
A famosa pintura “Independência ou Morte”, de Pedro Américo, foi produzida décadas depois, em 1888, e ajudou a consolidar no imaginário nacional a versão heroica do episódio. Para o historiador, a importância do 7 de setembro está justamente em ter cristalizado uma data específica para representar a formação do Estado brasileiro.
7 de setembro é feriado nacional?
Sim. O 7 de setembro é feriado nacional, e não ponto facultativo. A data foi incluída entre os feriados nacionais pela Lei nº 662, de 1949. Atualmente, a legislação que lista os feriados nacionais é a Lei nº 10.607, de 2002, que manteve o 7 de setembro entre as datas oficiais.
Na prática, empregados têm direito ao descanso no feriado, mas existem atividades que podem funcionar nessas datas, desde que observadas as regras previstas na legislação e, quando aplicável, em convenções ou acordos coletivos.
“Em regra, todos os empregados têm direito à folga no feriado de 7 de setembro”, explica Lenara Moreira, advogada especialista em Direito do Trabalho do escritório Gasam Advocacia.
Segundo ela, o trabalho pode ser exigido em atividades autorizadas a funcionar em feriados, incluindo determinados serviços essenciais. Comércio, shoppings, supermercados, restaurantes e hospitais podem estar submetidos a regras específicas. Jornadas diferenciadas, como a escala 12 por 36, também possuem regulamentações próprias.
Por isso, a regra aplicável pode variar de acordo com a categoria profissional e a norma coletiva correspondente.
Quem trabalha no feriado recebe em dobro?
Em geral, o trabalho realizado no feriado deve ser remunerado em dobro quando não houver folga compensatória. A jurisprudência do Tribunal Superior do Trabalho estabelece que o trabalho em domingos e feriados não compensado deve ser pago em dobro.
Assim, a empresa pode conceder uma folga compensatória, observadas as regras aplicáveis, em vez do pagamento em dobro. A advogada ressalta que a existência de acordo ou convenção coletiva pode estabelecer condições específicas para determinadas categorias.
No caso de trabalhadores que tiverem problemas com o pagamento ou com a compensação, a orientação é guardar documentos que comprovem o trabalho, como cartão-ponto, escala e mensagens. O empregado pode procurar o sindicato da categoria, um advogado ou o Ministério do Trabalho para buscar a regularização.
Como o 7 de setembro é comemorado?
A principal tradição é a realização de desfiles cívico-militares em diferentes cidades brasileiras. A data também é marcada por cerimônias oficiais, apresentações de forças de segurança e atividades relacionadas à história e ao patriotismo.
A maneira de celebrar, entretanto, mudou ao longo do tempo. Segundo Czajkowski, os desfiles escolares tiveram participação mais expressiva em décadas passadas, especialmente durante o regime militar.
Atualmente, a presença costuma ser mais concentrada nas Forças Armadas, polícias militares e corpos de bombeiros, embora algumas cidades mantenham desfiles com participação de escolas.
Além das comemorações oficiais, o feriado também é utilizado para manifestações políticas. Em São Paulo, está previsto para este 7 de setembro um ato na Avenida Paulista convocado por lideranças da direita, com concentração marcada para as 15h.
A mobilização tem como mote “Fora Lula, Fora Moraes” e “É agora ou nunca” e reúne políticos do PL e de outras siglas, além de lideranças religiosas.
A manifestação ocorre em meio à repercussão de mensagens envolvendo o ministro Alexandre de Moraes e o empresário Daniel Vorcaro. Atos semelhantes já ocorreram na Paulista em anos anteriores, transformando o feriado da Independência também em uma data recorrente para manifestações de oposição ao governo federal e ao Judiciário.
Brasil
Poucos produtores dominam mercado nacional da alcachofra
Uma única empresa familiar produz cerca de 90% de toda a alcachofra vendida no Brasil. A concentração é o retrato de um mercado hiperlocal: cerca de 50 produtores dividem 200 hectares de cultivo entre três municípios do interior paulista — Piedade, Ibiúna e São Roque —, sem volume destinado à exportação.
Nesse universo pequeno, a cidade de Piedade se destacou o suficiente para virar “capital nacional da alcachofra” por lei federal e transformar uma hortaliça de cultivo difícil em roteiro gastronômico capaz de atrair visitantes a mais de 15 bares, pousadas e restaurantes, durante os meses de setembro e outubro.
A história da alcachofra em Piedade começou há mais de 60 anos, no sítio da família Miyazaki, considerada pioneira no cultivo e na comercialização da planta na região. Hoje sob a marca Saibai, a família fornece a hortaliça para quase todo o país e responde por cerca de 90% da produção nacional.
O negócio por trás da concentração
Produtor do Sítio Miyazaki e da empresa Saibai Saladas, Otavio Freitas Neves integra a quarta geração da família à frente do negócio. A produção do sítio varia em torno de 20 mil caixas por ano, vendidas majoritariamente para São Paulo, mas distribuídas a outros estados por meio da Cooperativa Hortifruti Holambra.
“Produzimos como uma recordação da nossa origem e também para manter a memória e a gratidão pelo gesto que promoveu muita felicidade para a nossa família”, diz Neves, referindo-se ao amigo da família que presenteou os Miyazaki com as primeiras mudas.
Para um produtor entrar nesse mercado, a barreira não é pequena. Engenheiro agrônomo da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati) Regional Sorocaba, José Gustavo Quagliato Pereira explica que a cultura da alcachofra em Piedade foi desenvolvida sem conhecimento técnico prévio sobre adubação ou clima ideal: a sabedoria foi construída por imigrantes italianos e japoneses ao longo de décadas, resultando em um produto com traços tipicamente brasileiros, como a preferência do mercado local pela coloração roxa, distinto da variedade tradicionalmente cultivada no exterior.
Toda a produção paulista é voltada ao consumo interno. A planta é comercializada predominantemente fresca — o botão floral e parte da haste —, abastecendo feiras selecionadas, redes de varejo de maior poder aquisitivo e restaurantes especializados. “Em menor escala, o coração da alcachofra é processado para conserva, mercado que convive com o produto importado de perfil mediterrâneo, mais presente nos supermercados”, afirma o especialista.
Uma cultura difícil de replicar
O motivo pelo qual poucos produtores sustentam esse mercado passa por um obstáculo concreto: a alcachofra é considerada uma das culturas mais exigentes do hortifruti. “São muitas condições que a planta exige, como clima com as médias mais amenas, irrigação constante, porém não demasiado, solo com drenagem, altitude, estações bem definidas e muito cuidado manual”, explica o produtor do Sítio Miyazaki.
A safra normalmente começa em julho e, em condições favoráveis, se estende até novembro — é possível antecipar o ciclo com o uso de um hormônio natural. Pereira, da Cati, aponta que o desafio para a produção está na escassez e no custo elevado de mão de obra especializada, já que boa parte do manejo da alcachofra exige trabalho manual qualificado.
Neves reforça o ponto: além do clima, a dificuldade de encontrar mão de obra dedicada a essa cultura tão exigente é um dos principais entraves do negócio, ao lado da necessidade de divulgar os benefícios da alcachofra a um público que ainda a conhece pouco.
Ainda assim, o setor mobiliza diretamente mais de 1 mil trabalhadores, entre produtores familiares e mão de obra contratada, em uma cadeia que Pereira descreve como de alto potencial de expansão — puxado pelo crescimento do turismo gastronômico e pelo fato de a alcachofra fresca seguir pouco explorada pelo público geral.
De hortaliça a destino gastronômico
Entre o campo e o prato, o resultado é uma cidade pequena que converteu a dificuldade de cultivar uma única hortaliça em identidade. O reconhecimento formal veio em 2025: por meio do Projeto de Lei 8.758/2017, Piedade recebeu o título de Capital Nacional da Alcachofra.
A adaptação da planta ao clima e a interligação entre a cultura e a cidade de Piedade são destacados também por José Alexandre de Souza Furquim, engenheiro agrônomo e Diretor da Associação Comercial e Industrial de Piedade.
A prefeitura da cidade criou o Roteiro Gastronômico da Alcachofra, realizado entre setembro e outubro, período em que mais de 15 bares, pousadas e restaurantes disputam a atenção do visitante com pratos como:
- fundo de alcachofra gratinado aos três queijos
- saltimboca de frango e alcachofra
- creme de alcachofra com camarão
- pastel de alcachofra
- sopa de alcachofra.
Fora dessa janela sazonal, restaurantes mantêm a alcachofra no cardápio o ano todo em Piedade. É o caso do Pouso e Gastronomia Ronco do Bugio, no Bairro dos Pires, que entre as opções oferece o risoto de alcachofra.
“Alguns pratos levam fundo de alcachofra em conserva, um ingrediente que garante qualidade e regularidade durante todo o ano. Em determinadas épocas, quando há disponibilidade de produtores, também trabalhamos com a flor de alcachofra fresca (in natura) em menus e experiências gastronômicas especiais”, exemplifica o proprietário do estabelecimento, Edson Cinto.
Há mais de 20 anos, a Pastelaria Calçadão criou o pastel de alcachofra, que se tornou um dos símbolos gastronômicos da cidade. “A pastelaria nasceu em 1996, após meus pais voltarem do Japão, e a confecção do pastel foi passada de uma geração para a outra. Tudo começou com os Miyazaki, que são nossos parentes e nos fornecem a matéria-prima”, conta Lucas Takashi Kunitaqui, atendente do estabelecimento.
Do Sítio Miyazaki, a proposta é abrir o espaço para os visitantes. “Estamos estudando abrir grupos de visitação no sítio para conhecer a safra da alcachofra e inauguramos recentemente nosso Empório da Alcachofra Saibai, com opções de alcachofra em conserva, salgados e tortas congeladas”, conta o produtor do negócio.
Brasil
Lula é mitômano e Bolsonaro é desqualificado
A candidata ao Senado pelo estado de São Paulo Soninha Francine (Cidadania) participou do programa Café com a Gazeta do Povo desta sexta-feira (4), dentro da série de entrevistas que o jornal está realizando neste período eleitoral.
Jornalista e comunicadora, Soninha Francine foi apresentadora da MTV Brasil, vereadora de São Paulo por dois mandatos e secretária de Direitos Humanos e Cidadania na gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB), na cidade de São Paulo.
A candidata ao Senado afirmou na entrevista que a atuação do Supremo Tribunal Federal (STF) “ultrapassou os limites de suas prerrogativas” e defendeu a abertura de processos de impeachment contra ministros da Corte. Na avaliação dela, uma sequência de episódios envolvendo integrantes do tribunal exige reação do Congresso.
“Já foi longe demais tudo o que acontece no Supremo, há meses assistimos a atitudes que não são condizentes com ministros do STF”, disse Soninha Francine, comentando também sobre a falta de transparência sobre as viagens internacionais feitas por ministros da Corte para participar de simpósios e congressos.
“Acontecem grandes eventos na Europa sem sabermos as fontes para realização. Patrocinadores não são melhores do que cofres públicos, porque podem consolidar uma relação indevida entre o setor privado e o poder público”, disse ela.
Soninha Francine defende código de ética para ministros do STF
A discussão sobre um código de ética para ministros do Supremo entrou na avaliação da candidata. Para ela, a iniciativa ocorre em meio a questionamentos sobre a própria conduta de integrantes da Corte.
“Agora se discute um código de ética sobre a conduta dos ministros do STF, e há ministros com conduta questionável que são contra isso”, disse Soninha Francine. Ela defendeu que o Congresso reúne elementos suficientes para analisar pedidos de impeachment e que o debate deve avançar especialmente em relação aos ministros Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Gilmar Mendes.
“Os absurdos se sucedem, não podemos perder a capacidade de nos escandalizar. Temos motivos mais do que suficientes para abrir processos de impeachment contra ministros do STF”, afirmou.
Candidata do Cidadania se posiciona como centro-esquerda
A candidata ao Senado por São Paulo afirmou ter uma trajetória política que passou por mudanças e que consegue dialogar com setores da direita para defender as próprias pautas. Ela criticou posições que considera radicais e apontou contradições entre discursos partidários e decisões de governo.
“Bandeiras radicais não se sustentam, não é possível governar com radicalismo. Eu não vejo problema em mudanças, o problema é quando a mudança não tem coerência interna”, afirmou. Soninha Francine citou a postura histórica da esquerda contra privatizações e comparou este discurso com medidas promovidas pelo governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Ela avalia que partidos de esquerda passaram por mudanças que produziram efeitos. A candidata também afirmou que a própria posição política se tornou mais aberta ao diálogo. “Os partidos de esquerda mudaram no bom e no mau sentido, cada vez mais adeptos à intolerância. Eu mudei e consigo trabalhar com a direita, tentando defender as minhas pautas”.
Suplência no Senado vira alvo de críticas e proposta de mudança
Ao analisar o funcionamento do Senado, Soninha defendeu mudanças nas regras de suplência. Ela afirmou que o eleitor nem sempre consegue acompanhar o trabalho dos parlamentares e citou Marcos Pontes (PL) e Mara Gabrilli (PSD), senadores por São Paulo.
“Às vezes um senador faz um bom trabalho e não sabemos o que foi feito. Podemos nos surpreender: olha o que Marcos Pontes promoveu; Mara estava envolvida com isso e eu não fiquei sabendo… Mas não me parece que eles foram protagonistas”, afirmou.
A candidata também criticou a possibilidade de um suplente assumir um mandato sem ter recebido votos suficientes para ocupar diretamente a cadeira. “Temos um outro senador que era suplente do Major Olímpio e precisamos acabar com isso, precisamos rever a suplência. Não é possível que o segundo mais votado tenha a chance de assumir?”, questionou.
O senador Major Olímpio (PSL) faleceu em 2021, vítima de complicações da Covid 19. O empresário Alexandre Giordano (Podemos) assumiu a vaga.
Candidata defende uso medicinal e recreativo da cannabis
Na discussão sobre cannabis, Soninha Francine separou o uso medicinal da discussão sobre a legalização recreativa da maconha. Ela defendeu a ampliação das pesquisas e rejeitou que o tema seja tratado apenas sob uma perspectiva ideológica.
“Não pode haver controvérsia ideológica em torno da cannabis medicinal, há estudos no mundo inteiro sobre isso. Há não apenas os melhores, mas os únicos bons resultados para algumas doenças, como Parkinson, Alzheimer e autismo”, disse Soninha Francine.
A candidata citou Israel como referência no desenvolvimento de pesquisas e aplicações terapêuticas da cannabis. “Há tabus para serem enfrentados, não confiem em uma posição ideológica. Israel é um dos primeiros lugares onde os usos terapêuticos da cannabis prosperaram”, afirmou. “É preciso autorizar pesquisas para expandir possibilidades”, complementou.
Soninha Francine reconheceu que a legalização para uso recreativo envolve um debate mais complexo e avaliou que o Brasil ainda não reúne condições para avançar nessa discussão. “Em Israel também se avançou sobre a legalização para o uso recreativo de cannabis. É delicado tratar disso, o Brasil não está maduro para o debate”, disse ela.
“Criminalizar o aborto não resolve”, diz a candidata
Ao tratar do aborto, a candidata do Cidadania defendeu que o debate considere mais possibilidades do que a simples escolha entre legalização e proibição. Ela também destacou situações envolvendo relações sexuais não consensuais.
“Para todas as políticas sociais, eu sempre defendo um repertório de variadas possibilidades. Quando se fala em aborto, parece que só existem duas: acesso ao aborto legal e proibição total. Eu acho que nem uma coisa nem outra precisa ser impositiva”, afirmou.
Soninha Francine citou casos de gravidez decorrente de relações não desejadas e lembrou que a violência sexual também pode ocorrer dentro de uma relação conjugal. “É preciso colocar em pauta a situação de uma jovem que esteja grávida em função de uma relação não desejada. Não necessariamente em um beco escuro, mas também a da mulher que teve uma relação não consentida com o marido”, apontou Soninha Francine.
Para a candidata, a criminalização não elimina o problema e pode ampliar os riscos envolvidos. “Geralmente temos apenas duas opções extremadas, é muito difícil uma gravidez indesejada. Havendo uma decisão, há necessidade de oferecer condições para que isso não seja feito de uma forma cruel”, afirmou.
Candidata critica polarização e aponta semelhanças entre extremos
A candidata do Cidadania encerrou a avaliação sobre o cenário político criticando a polarização na política brasileira. Para ela, grupos que ocupam posições extremas adotam estratégias semelhantes, apesar das diferenças no discurso.
“Os chamados extremos são muito parecidos, são extremamente confrontantes, inimigos, mas com formas de conduzir muito parecidas: incitam o seu lado ao ódio pelo outro”, disse.
A candidata também criticou a divisão simplificada entre as defesas da esquerda e da direita. “É raso dizer que quem governa para o pobre é a esquerda e para os ricos é a direita. Tanto Bolsonaro quanto Lula têm falas machistas e populistas”, afirmou.
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As respostas de Soninha Francine ao pinga-fogo do Café com a Gazeta
Ao fim da entrevista, Soninha Francine foi questionada se é “a favor” ou “contra” temasdiversos, e foi convidada a opinar em poucas palavras sobre alguns temas. As respostas foram:
- Bets: “Contra; proibição pura e simples”
- Voto impresso: “Contra”
- Legalização do aborto: “A favor”
- Câmeras no uniforme do policial: “A favor”
- Legalização maconha: “A favor”
- Redução da maioridade penal: “A favor, em partes”
- Fim do foro privilegiado: “A favor”
- Audiência de custódia: “A favor se funcionar”
- Escala 6×1: “A favor, com ressalvas”
- Escola cívico-militar: “Depende”
- Impeachment de ministros do STF: “Claro”
- Teto de gastos: “A favor”
- Um grande político brasileiro: “Fernando Gabeira”
- Lula é: “Mitômano”
- Jair Bolsonaro é: “Desqualificado”
- Davi Alcolumbre: “Nocivo”
- André Mendonça: “Firme”
- Alexandre de Moraes: “Errado”
- 8 de Janeiro foi: “Problema de graves consequências”
Ao concluir, Soninha afirmou que pretende manter clareza sobre as posições que defenderá caso assuma um mandato. Ela disse que o eleitor poderá acompanhar suas decisões e também eventuais mudanças de opinião ao longo do mandato. “Eu mereço confiança e respeito porque as pessoas vão saber se eu mudar de opinião”, disse.
Gazeta do Povo realiza série de entrevistas
A Gazeta do Povo promove, no seu canal do YouTube, uma série de entrevistas com candidatos ao Senado nos estados do Paraná e de São Paulo. São convidados todos os candidatos cujos partidos contam com representatividade mínima no Congresso Nacional.
As entrevistas têm duração de 45 minutos e são realizadas ao vivo, no horário das 9h15 às 10h, dentro do programa Café com a Gazeta do Povo.
As entrevistas são veiculadas no canal da Gazeta do Povo no YouTube e no site do jornal.
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