Brasil
PCC e CV se juntam a Hezbollah e Al Qaeda como terroristas; lista
As facções criminosas Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) se juntaram a dezenas de outras organizações consideradas terroristas pelo Departamento de Estado americano. A decisão foi anunciada pelo secretário Marco Rubio, que estabeleceu a data de 5 de junho para a designação passar a vigorar.
O comunicado do Departamento de Estado diz que as duas têm sob seu comando milhares de integrantes e que já organizaram ataques contra policiais, autoridades públicas e civis no Brasil. O PCC parou a cidade de São Paulo em 2006 e o CV promoveu ataques contra a população civil durante operações policiais no Rio de Janeiro.
VEJA TAMBÉM:
A decisão foi tomada um dia depois de o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, ter uma reunião com Rubio na Casa Branca e reforçar seu pedido para que o governo daquele país colocasse as organizações na lista de organizações estrangeiras armadas que são consideradas terroristas.
A Gazeta do Povo reuniu a lista completa, antecedida da data em que foram reconhecidas, de acordo com o site state.gov.
Confira:
- 16 de março de 2026 – Irmandade Muçulmana Sudanesa
- 14 de janeiro de 2026 – Irmandade Muçulmana Libanesa
- 17 de dezembro de 2025 – Clã do Golfo (Clan del Golfo)
- 24 de novembro de 2025 – Cartel dos Soles (Cartel de los Sóles)
- 20 de novembro de 2025 – Antifa Ost, também conhecido como Hammerbande (Banda do Martelo)
- 20 de novembro de 2025 – Federação Anarquista Informal/Frente Revolucionária Internacional (FAI/FRI)
- 20 de novembro de 2025 – Justiça Proletária Armada
- 20 de novembro de 2025 – Autodefesa de Classe Revolucionária
- 24 de setembro de 2025 – Barrio 18
- 18 de setembro de 2025 – Harakat al-Nujaba (HAN)
- 18 de setembro de 2025 – Kata’ib Sayyid al-Shuhada (KSS)
- 18 de setembro de 2025 – Harakat Ansar Allah al-Awfiya (HAAA)
- 18 de setembro de 2025 – Kata’ib al-Imam Ali (KIA)
- 5 de setembro de 2025 – Los Choneros
- 5 de setembro de 2025 – Los Lobos
- 12 de agosto de 2025 – Exército de Libertação do Baluchistão (ELB / BLA)
- 5 de maio de 2025 – Viv Ansanm
- 5 de maio de 2025 – Gran Grif
- 5 de março de 2025 – Ansarallah (Houthi)
- 20 de fevereiro de 2025 – Cartel de Sinaloa
- 20 de fevereiro de 2025 – Cartel de Jalisco Nova Geração (CJNG)
- 20 de fevereiro de 2025 – Cartel do Nordeste (Cartel del Noreste)
- 20 de fevereiro de 2025 – La Nueva Familia Michoacana
- 20 de fevereiro de 2025 – Cartel do Golfo
- 20 de fevereiro de 2025 – Cartéis Unidos (Cartéles Unidos)
- 20 de fevereiro de 2025 – Trem de Aragua (Tren de Arágua)
- 20 de fevereiro de 2025 – Mara Salvatrucha (MS-13)
- 1º de dezembro de 2021 – Segunda Marquetalia
- 1º de dezembro de 2021 – Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia – Exército do Povo (FARC-EP)
- 11 de março de 2021 – ISIS-RDC (Estado Islâmico na República Democrática do Congo)
- 11 de março de 2021 – ISIS-Moçambique (Estado Islâmico em Moçambique)
- 14 de janeiro de 2021 – Harakat Sawa’d Misr (HASM)
- 10 de janeiro de 2020 – Asa’ib Ahl al-Haq (AAH)
- 15 de abril de 2019 – Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC / Guarda Revolucionária do Irã)
- 6 de setembro de 2018 – Jama’at Nusrat al-Islam wal-Muslimin (JNIM)
- 11 de julho de 2018 – Brigadas al-Ashtar
- 23 de maio de 2018 – ISIS no Grande Saara (ISIS-GS)
- 28 de fevereiro de 2018 – ISIS-África Ocidental
- 28 de fevereiro de 2018 – ISIS-Filipinas
- 28 de fevereiro de 2018 – ISIS-Bangladesh
- 17 de agosto de 2017 – Hizbul Mujahideen (HM)
- 1º de julho de 2016 – Al-Qaeda no Subcontinente Indiano (AQIS)
- 20 de maio de 2016 – ISIS-Líbia
- 14 de janeiro de 2016 – Estado Islâmico da Província de Khorasan (ISIS-K)
- 30 de setembro de 2015 – Jaysh Rijal al-Tariq al-Naqshabandi (JRTN)
- 10 de abril de 2014 – ISIS-Província do Sinai (anteriormente Ansar Bayt al-Maqdis)
- 13 de janeiro de 2014 – Ansar al-Sharia em Benghazi
- 13 de janeiro de 2014 – Ansar al-Sharia em Darnah
- 13 de janeiro de 2014 – Ansar al-Sharia na Tunísia
- 19 de dezembro de 2013 – Batalhão al-Mulathamun, também conhecido como al-Murabitoun
- 14 de novembro de 2013 – Ansaru
- 14 de novembro de 2013 – Boko Haram
- 22 de março de 2013 – Ansar al-Dine (AAD)
- 19 de setembro de 2012 – Rede Haqqani (HQN)
- 30 de maio de 2012 – Brigadas Abdallah Azzam
- 13 de março de 2012 – Jemaah Anshorut Tauhid (JAT)
- 19 de setembro de 2011 – Mujahidin Indianos (IM)
- 23 de maio de 2011 – Exército do Islã
- 4 de novembro de 2010 – Jaysh al-Adl (anteriormente Jundallah)
- 1 de setembro de 2010 – Tehrik-e Taliban Pakistan (TTP / Taliban do Paquistão)
- 6 de agosto de 2010 – Harakat ul-Jihad-i-Islami (HUJI)
- 19 de janeiro de 2010 – Al-Qaeda na Península Arábica (AQPA / AQAP)
- 2 de julho de 2009 – Kata’ib Hizballah (KH)
- 18 de maio de 2009 – Luta Revolucionária (RS)
- 18 de março de 2008 – Al-Shabaab
- 5 de março de 2008 – Harakat ul-Jihad-i-Islami/Bangladesh (HUJI-B)
- 17 de junho de 2005 – União da Jihad Islâmica (IJU)
- 17 de dezembro de 2004 – ISIS / Estado Islâmico (anteriormente al-Qaeda no Iraque) Estado Islâmico do Iraque (26 de janeiro de 2012)
- 13 de julho de 2004 – Exército Republicano Irlandês da Continuidade (CIRA / IRA da Continuidade)
- 22 de março de 2004 – Ansar al-Islam (AAI)
- 30 de janeiro de 2003 – Lashkar-e-Jhangvi (LJ)
- 23 de outubro de 2002 – Jemaah Islamiya (JI)
- 9 de agosto de 2002 – Partido Comunista das Filipinas/Novo Exército do Povo (CPP/NPA)
- 27 de março de 2002 – Al-Qaeda no Magrebe Islâmico (anteriormente Grupo Salafista para a Pregação e o Combate) Emenda da AQMI (20 de fevereiro de 2008)
- 27 de março de 2002 – Asbat al-Ansar (AAA)
- 27 de março de 2002 – Brigada dos Mártires de Al-Aqsa (AAMB)
- 26 de dezembro de 2001 – Lashkar-e-Taiba (LeT)
- 26 de dezembro de 2001 – Jaish-e-Mohammed (JEM)
- 16 de maio de 2001 – Novo Exército Republicano Irlandês (anteriormente IRA Autêntico / Real IRA Emenda do Novo IRA 30 de junho de 2023)
- 25 de setembro de 2000 – Movimento Islâmico do Uzbequistão (IMU)
- 8 de outubro de 1999 – Al-Qaeda (AQ)
- 8 de outubro de 1997 – Grupo Abu Sayyaf (ASG)
- 8 de outubro de 1997 – HAMAS
- 8 de outubro de 1997 – Harakat ul-Mujahidin (HUM)
- 8 de outubro de 1997 – Hezbollah
- 8 de outubro de 1997 – Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK)
- 8 de outubro de 1997 – Tigres de Liberação do Tamil Eelam (LTTE)
- 8 de outubro de 1997 – Exército de Libertação Nacional (ELN)
- 8 de outubro de 1997 – Frente para a Liberação da Palestina (FLP / PLF)
- 8 de outubro de 1997 – Jihad Islâmica Palestina (JIP)
- 8 de outubro de 1997 – Frente Popular para a Libertação da Palestina (FPLP / PFLP)
- 8 de outubro de 1997 – FPLP-Comando Geral (FPLP-CG / PFLP-GC)
- 8 de outubro de 1997 – Partido/Frente Revolucionária de Libertação Popular (DHKP/C)
- 8 de outubro de 1997 – Senda Luminoso (Sendero Luminoso, SL)
Brasil
veja fotos das manifestações de 7 de setembro
Além dos tradicionais gritos de “Fora Lula” e “Fora Moraes”, as manifestações de 7 de setembro marcadas para esta segunda-feira (7) em diversas cidades do Brasil também apresentam faixas, bandeiras e palavras de ordem em apoio ao ministro André Mendonça. O magistrado foi o responsável pela retirada, na última terça-feira (1º), do sigilo de mensagens trocadas entre Alexandre de Moraes e o fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro.
Na manhã desta segunda-feira (7), foram registradas manifestações em Brasília, organizadas pelo ex-desembargador Sebastião Coelho e pelo Partido Liberal (PL) Manifestantes também se reuniram em Belo Horizonte (MG), Goiânia (GO), Salvador (BA) e Maceió (AL).
Em São Paulo, a concentração está prevista para 15h na Avenida Paulista, com a presença do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, e de outros lideranças da direita brasileira.
Durante o dia também são esperadas mobilizações em cidades como Rio de Janeiro (RJ), Goiânia (GO), Curitiba (PR), Florianópolis (SC), Joinville (SC), Porto Alegre (RS), Recife (PE), Vila Velha (ES), Natal (RN), Fortaleza (CE), Aracaju (SE) e João Pessoa (PB).
Veja a seguir fotos de manifestações desta segunda-feira (7).
Brasil
entenda a história por trás da Independência do Brasil
O 7 de setembro é celebrado no Brasil como o Dia da Independência, em referência ao processo de ruptura política com Portugal iniciado oficialmente em 1822. A data, porém, representa apenas um dos momentos de uma transformação que começou antes e só foi consolidada anos depois.
Além da importância histórica, o feriado de 7 de setembro também costuma gerar dúvidas sobre o funcionamento do comércio e de outros serviços e sobre os direitos de quem precisa trabalhar na data. Em 2026, o feriado cai em uma segunda-feira.
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7 de setembro marca a Independência do Brasil
Em 7 de setembro de 1822, Dom Pedro, então príncipe regente, declarou a ruptura política com Portugal às margens do riacho do Ipiranga, em São Paulo. O episódio ficou conhecido como o Grito do Ipiranga e se transformou no principal símbolo da Independência do Brasil.
Segundo Sérgio Czajkowski Jr., professor dos cursos de graduação e pós-graduação do UniCuritiba, o episódio deve ser entendido dentro de um contexto muito mais amplo. O processo foi influenciado pelo Iluminismo, pela ascensão da burguesia europeia e pela Revolução Francesa, além das transformações provocadas pelas guerras napoleônicas.
A invasão de Portugal pelas tropas de Napoleão Bonaparte levou a família real portuguesa a se transferir para o Brasil, em 1808. Anos depois, em 1815, o Brasil foi elevado à condição de Reino Unido a Portugal e Algarves. A permanência de Dom Pedro no território brasileiro e os conflitos crescentes entre as elites locais e as Cortes portuguesas contribuíram para o processo que culminaria na separação.
Czajkowski ressalta que a Independência não foi resultado de um único acontecimento. Em janeiro de 1822, por exemplo, ocorreu o chamado Dia do Fico, quando Dom Pedro decidiu permanecer no Brasil apesar das ordens para retornar a Portugal.
“O 7 de setembro é um marco, mas faz parte de um processo que começou antes e continuou depois dele”, explica o professor.
A separação também não significou uma ruptura imediata em todos os aspectos. Portugal só reconheceu oficialmente a independência brasileira em 1825. Além disso, a estrutura social do país praticamente não foi alterada: a escravidão continuou e as relações de poder permaneceram concentradas nas elites.
O que foi o Grito do Ipiranga?
A imagem mais conhecida da Independência mostra Dom Pedro montado em um cavalo, levantando a espada e proclamando “Independência ou Morte”. A cena, entretanto, é uma representação construída posteriormente e não deve ser confundida com uma fotografia do episódio.
O professor explica que há uma simplificação histórica ao atribuir a Dom Pedro, sozinho, o protagonismo pela independência. Segundo ele, o príncipe regente foi utilizado pelas elites como uma figura capaz de conferir legitimidade à ruptura e reduzir o risco de um conflito mais amplo com Portugal.
Também não há comprovação de todos os detalhes tradicionalmente associados ao episódio. É provável, por exemplo, que Dom Pedro estivesse montado em uma mula, meio de transporte mais adequado às condições da região, e não no imponente cavalo representado nas pinturas. Tampouco há comprovação documental de que o famoso grito tenha ocorrido exatamente como aparece nos livros escolares.
“Dom Pedro I, simbolicamente, ‘apareceu na foto’ – ou, na época, na pintura”, afirma Czajkowski.
A famosa pintura “Independência ou Morte”, de Pedro Américo, foi produzida décadas depois, em 1888, e ajudou a consolidar no imaginário nacional a versão heroica do episódio. Para o historiador, a importância do 7 de setembro está justamente em ter cristalizado uma data específica para representar a formação do Estado brasileiro.
7 de setembro é feriado nacional?
Sim. O 7 de setembro é feriado nacional, e não ponto facultativo. A data foi incluída entre os feriados nacionais pela Lei nº 662, de 1949. Atualmente, a legislação que lista os feriados nacionais é a Lei nº 10.607, de 2002, que manteve o 7 de setembro entre as datas oficiais.
Na prática, empregados têm direito ao descanso no feriado, mas existem atividades que podem funcionar nessas datas, desde que observadas as regras previstas na legislação e, quando aplicável, em convenções ou acordos coletivos.
“Em regra, todos os empregados têm direito à folga no feriado de 7 de setembro”, explica Lenara Moreira, advogada especialista em Direito do Trabalho do escritório Gasam Advocacia.
Segundo ela, o trabalho pode ser exigido em atividades autorizadas a funcionar em feriados, incluindo determinados serviços essenciais. Comércio, shoppings, supermercados, restaurantes e hospitais podem estar submetidos a regras específicas. Jornadas diferenciadas, como a escala 12 por 36, também possuem regulamentações próprias.
Por isso, a regra aplicável pode variar de acordo com a categoria profissional e a norma coletiva correspondente.
Quem trabalha no feriado recebe em dobro?
Em geral, o trabalho realizado no feriado deve ser remunerado em dobro quando não houver folga compensatória. A jurisprudência do Tribunal Superior do Trabalho estabelece que o trabalho em domingos e feriados não compensado deve ser pago em dobro.
Assim, a empresa pode conceder uma folga compensatória, observadas as regras aplicáveis, em vez do pagamento em dobro. A advogada ressalta que a existência de acordo ou convenção coletiva pode estabelecer condições específicas para determinadas categorias.
No caso de trabalhadores que tiverem problemas com o pagamento ou com a compensação, a orientação é guardar documentos que comprovem o trabalho, como cartão-ponto, escala e mensagens. O empregado pode procurar o sindicato da categoria, um advogado ou o Ministério do Trabalho para buscar a regularização.
Como o 7 de setembro é comemorado?
A principal tradição é a realização de desfiles cívico-militares em diferentes cidades brasileiras. A data também é marcada por cerimônias oficiais, apresentações de forças de segurança e atividades relacionadas à história e ao patriotismo.
A maneira de celebrar, entretanto, mudou ao longo do tempo. Segundo Czajkowski, os desfiles escolares tiveram participação mais expressiva em décadas passadas, especialmente durante o regime militar.
Atualmente, a presença costuma ser mais concentrada nas Forças Armadas, polícias militares e corpos de bombeiros, embora algumas cidades mantenham desfiles com participação de escolas.
Além das comemorações oficiais, o feriado também é utilizado para manifestações políticas. Em São Paulo, está previsto para este 7 de setembro um ato na Avenida Paulista convocado por lideranças da direita, com concentração marcada para as 15h.
A mobilização tem como mote “Fora Lula, Fora Moraes” e “É agora ou nunca” e reúne políticos do PL e de outras siglas, além de lideranças religiosas.
A manifestação ocorre em meio à repercussão de mensagens envolvendo o ministro Alexandre de Moraes e o empresário Daniel Vorcaro. Atos semelhantes já ocorreram na Paulista em anos anteriores, transformando o feriado da Independência também em uma data recorrente para manifestações de oposição ao governo federal e ao Judiciário.
Brasil
Poucos produtores dominam mercado nacional da alcachofra
Uma única empresa familiar produz cerca de 90% de toda a alcachofra vendida no Brasil. A concentração é o retrato de um mercado hiperlocal: cerca de 50 produtores dividem 200 hectares de cultivo entre três municípios do interior paulista — Piedade, Ibiúna e São Roque —, sem volume destinado à exportação.
Nesse universo pequeno, a cidade de Piedade se destacou o suficiente para virar “capital nacional da alcachofra” por lei federal e transformar uma hortaliça de cultivo difícil em roteiro gastronômico capaz de atrair visitantes a mais de 15 bares, pousadas e restaurantes, durante os meses de setembro e outubro.
A história da alcachofra em Piedade começou há mais de 60 anos, no sítio da família Miyazaki, considerada pioneira no cultivo e na comercialização da planta na região. Hoje sob a marca Saibai, a família fornece a hortaliça para quase todo o país e responde por cerca de 90% da produção nacional.
O negócio por trás da concentração
Produtor do Sítio Miyazaki e da empresa Saibai Saladas, Otavio Freitas Neves integra a quarta geração da família à frente do negócio. A produção do sítio varia em torno de 20 mil caixas por ano, vendidas majoritariamente para São Paulo, mas distribuídas a outros estados por meio da Cooperativa Hortifruti Holambra.
“Produzimos como uma recordação da nossa origem e também para manter a memória e a gratidão pelo gesto que promoveu muita felicidade para a nossa família”, diz Neves, referindo-se ao amigo da família que presenteou os Miyazaki com as primeiras mudas.
Para um produtor entrar nesse mercado, a barreira não é pequena. Engenheiro agrônomo da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati) Regional Sorocaba, José Gustavo Quagliato Pereira explica que a cultura da alcachofra em Piedade foi desenvolvida sem conhecimento técnico prévio sobre adubação ou clima ideal: a sabedoria foi construída por imigrantes italianos e japoneses ao longo de décadas, resultando em um produto com traços tipicamente brasileiros, como a preferência do mercado local pela coloração roxa, distinto da variedade tradicionalmente cultivada no exterior.
Toda a produção paulista é voltada ao consumo interno. A planta é comercializada predominantemente fresca — o botão floral e parte da haste —, abastecendo feiras selecionadas, redes de varejo de maior poder aquisitivo e restaurantes especializados. “Em menor escala, o coração da alcachofra é processado para conserva, mercado que convive com o produto importado de perfil mediterrâneo, mais presente nos supermercados”, afirma o especialista.
Uma cultura difícil de replicar
O motivo pelo qual poucos produtores sustentam esse mercado passa por um obstáculo concreto: a alcachofra é considerada uma das culturas mais exigentes do hortifruti. “São muitas condições que a planta exige, como clima com as médias mais amenas, irrigação constante, porém não demasiado, solo com drenagem, altitude, estações bem definidas e muito cuidado manual”, explica o produtor do Sítio Miyazaki.
A safra normalmente começa em julho e, em condições favoráveis, se estende até novembro — é possível antecipar o ciclo com o uso de um hormônio natural. Pereira, da Cati, aponta que o desafio para a produção está na escassez e no custo elevado de mão de obra especializada, já que boa parte do manejo da alcachofra exige trabalho manual qualificado.
Neves reforça o ponto: além do clima, a dificuldade de encontrar mão de obra dedicada a essa cultura tão exigente é um dos principais entraves do negócio, ao lado da necessidade de divulgar os benefícios da alcachofra a um público que ainda a conhece pouco.
Ainda assim, o setor mobiliza diretamente mais de 1 mil trabalhadores, entre produtores familiares e mão de obra contratada, em uma cadeia que Pereira descreve como de alto potencial de expansão — puxado pelo crescimento do turismo gastronômico e pelo fato de a alcachofra fresca seguir pouco explorada pelo público geral.
De hortaliça a destino gastronômico
Entre o campo e o prato, o resultado é uma cidade pequena que converteu a dificuldade de cultivar uma única hortaliça em identidade. O reconhecimento formal veio em 2025: por meio do Projeto de Lei 8.758/2017, Piedade recebeu o título de Capital Nacional da Alcachofra.
A adaptação da planta ao clima e a interligação entre a cultura e a cidade de Piedade são destacados também por José Alexandre de Souza Furquim, engenheiro agrônomo e Diretor da Associação Comercial e Industrial de Piedade.
A prefeitura da cidade criou o Roteiro Gastronômico da Alcachofra, realizado entre setembro e outubro, período em que mais de 15 bares, pousadas e restaurantes disputam a atenção do visitante com pratos como:
- fundo de alcachofra gratinado aos três queijos
- saltimboca de frango e alcachofra
- creme de alcachofra com camarão
- pastel de alcachofra
- sopa de alcachofra.
Fora dessa janela sazonal, restaurantes mantêm a alcachofra no cardápio o ano todo em Piedade. É o caso do Pouso e Gastronomia Ronco do Bugio, no Bairro dos Pires, que entre as opções oferece o risoto de alcachofra.
“Alguns pratos levam fundo de alcachofra em conserva, um ingrediente que garante qualidade e regularidade durante todo o ano. Em determinadas épocas, quando há disponibilidade de produtores, também trabalhamos com a flor de alcachofra fresca (in natura) em menus e experiências gastronômicas especiais”, exemplifica o proprietário do estabelecimento, Edson Cinto.
Há mais de 20 anos, a Pastelaria Calçadão criou o pastel de alcachofra, que se tornou um dos símbolos gastronômicos da cidade. “A pastelaria nasceu em 1996, após meus pais voltarem do Japão, e a confecção do pastel foi passada de uma geração para a outra. Tudo começou com os Miyazaki, que são nossos parentes e nos fornecem a matéria-prima”, conta Lucas Takashi Kunitaqui, atendente do estabelecimento.
Do Sítio Miyazaki, a proposta é abrir o espaço para os visitantes. “Estamos estudando abrir grupos de visitação no sítio para conhecer a safra da alcachofra e inauguramos recentemente nosso Empório da Alcachofra Saibai, com opções de alcachofra em conserva, salgados e tortas congeladas”, conta o produtor do negócio.
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