
Brasil
O que falta para a conclusão da Transnordestina após 20 anos
Anunciada como um dos principais projetos de infraestrutura logística do Brasil, a Ferrovia Transnordestina segue incompleta quase duas décadas após o início das obras, em 2006. A construção foi promessa de campanha ainda durante a primeira eleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Após paralisações ao longo de duas décadas, para operar plenamente a ferrovia ainda depende da conclusão de alguns trechos. A promessa é de estar pronta a partir de 2028, segundo o cronograma mais recente da concessionária Transnordestina Logística S.A. (TLSA).
O projeto foi desenvolvido para ligar áreas produtoras do interior do Nordeste ao Porto do Pecém, no Ceará, facilitando o escoamento de grãos, fertilizantes e minérios. No total, a ferrovia terá cerca de 1.206 quilômetros de extensão e passará por 53 municípios.
Em julho de 2025, durante o anúncio de R$ 1,4 bilhão para a ferrovia Transnordestina, na região de Missão Velha, no Ceará, Lula assumiu a responsabilidade de concluir a ferrovia “custe o que custar”. O presidente ainda concordou que as obras já deveriam estar concluídas.
“Eu imaginei que ela fosse acabar em 2012. Eu saí em 2010, voltei à Presidência 13 anos depois e essa ferrovia tinha andado muito pouco”.

Obra da ferrovia Transnordestina é marcada por paralisações
Desde que foi lançada, a obra da ferrovia passou por uma série de interrupções. Somente no início de 2023 o governo federal anunciou um novo aporte para a continuidade das obras. De acordo com o Ministério dos Transportes, foram mobilizados R$ 3,6 bilhões, recurso que permitiu reativar frentes de trabalho e retomar trechos que estavam paralisados.
As obras estão divididas em duas fases de execução que contemplam 19 lotes. A malha concessionada é distribuída territorialmente com 609 quilômetros de trilhos no Ceará, 395 quilômetros no Piauí, e um trecho central de 202 quilômetros em Pernambuco. Pelo cronograma atual, a chamada fase 1, entre Paes Landim (PI) e o Porto do Pecém, deve ser concluída em 2027.
A fase 2, que liga Paes Landim a Eliseu Martins (PI), tem previsão de entrega para 2028. O investimento total estimado na ferrovia chega a R$ 15 bilhões.
Desse montante, cerca de R$ 11,3 bilhões já foram aplicados. O avanço físico global do projeto está em torno de 71%. Na fase 1, que concentra a maior parte das obras em execução, o progresso chega a cerca de 80%, de acordo com a concessionária.

Entre os segmentos concluídos está o trecho entre Paes Landim (PI) e Acopiara (CE). No trecho seguinte, entre Acopiara e o Porto do Pecém, todos os lotes estão contratados, mas ainda em fase de obras.
Segundo o Ministério dos Transportes, não há pendências ambientais, desapropriações ou entraves contratuais relevantes que possam comprometer o cronograma apresentado. A concessão da ferrovia foi formalizada em 2014, com prazo de 30 anos, sob supervisão da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).
Questionado pela Gazeta do Povo sobre quem responde pelos quase 20 anos de atraso na entrega da ferrovia Transnordestina, o Ministério dos Transportes não respondeu.
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Trilhos chegam da China para a etapa final
Parte da estrutura necessária para a conclusão da ferrovia começou a chegar em fevereiro. Um navio com 33,9 mil toneladas de trilhos fabricados na China atracou no Porto do Pecém. O carregamento inclui 23.585 barras de aço de 24 metros, que passarão por um processo de soldagem antes da instalação.
O volume é suficiente para construir cerca de 283 quilômetros de ferrovia, segundo a concessionária. Com a nova remessa somada ao estoque armazenado na planta industrial de Salgueiro (PE), a TLSA afirma que possui trilhos suficientes para concluir a totalidade da montagem da ferrovia.
Parte do material será utilizada no lote 11, que corresponde à chegada da ferrovia ao Porto do Pecém. Segundo a concessionária, todas as frentes de obras estão mobilizadas no Ceará.
Mesmo sem a ferrovia concluída, alguns trechos iniciaram operação experimental. Desde dezembro de 2025, cargas como milho, sorgo, calcário agrícola e gipsita passaram a ser transportadas em segmentos comissionados da linha.
Ferrovia Transnordestina pode reduzir custos logísticos e ampliar competitividade da indústria
A forte dependência do modal rodoviário no Ceará gera gargalos logísticos para a indústria, especialmente em termos de custo operacional elevado, sobrecarga de rodovias em corredores estratégicos e menor previsibilidade no transporte de cargas de grande volume. A entrada efetiva da Ferrovia Transnordestina no Porto do Pecém pode mudar esse cenário.
Um dos efeitos é o fortalecimento das conexões econômicas entre a Região Metropolitana de Fortaleza e regiões produtivas do interior, como o Sertão Central, o Centro-Sul e o Cariri. “Essa integração melhora o fluxo de insumos e produtos industriais dentro do estado”, explica Guilherme Muchale, economista-chefe e gerente do Observatório da Indústria da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec).
A nova infraestrutura também permitirá ampliar o alcance da indústria cearense para estados vizinhos, permitindo que produtos cheguem com maior competitividade ao interior de Pernambuco e do Piauí.
Estimativas com base em dados do Instituto Brasileiro de Estatística e Geografia (IBGE) indicam que os componentes de “fretes e carretos” representam cerca de 3% dos custos totais das indústrias de transformação e extrativa no Brasil. Em setores de maior volume, como cimento, minerais não metálicos e grãos, esse percentual pode chegar a entre 7% e 11%.
Dados do Observatório Nacional de Transporte e Logística coletados pela Fiec indicam que, no transporte de carga geral em uma distância média de 500 quilômetros, a redução estimada no custo de frete com o uso da ferrovia pode chegar a 53%.
“Essa redução representa ganhos relevantes para a indústria, ao diminuir custos operacionais e ampliar a capacidade de oferecer produtos com preços mais competitivos nos mercados externos”, afirma o economista-chefe da Fiec.
A queda dos custos logísticos também tende a impactar a rentabilidade das empresas. Segundo estimativa do Observatório da Indústria da Fiec, a margem média da indústria de transformação e extrativa no Brasil foi de 9,9% em 2023.
Com a redução dos custos de frete proporcionada pela ferrovia, a estimativa é de um aumento de cerca de 1,5 ponto percentual, elevando a rentabilidade média para aproximadamente 11,4%.
O impacto pode ser ainda maior em setores de grande volume e peso por quilômetro transportado. “Em segmentos como minerais não metálicos e grãos, o ganho de margem pode variar entre 2 e 3 pontos percentuais”, afirma o economista.
No caso do setor de grãos, que tradicionalmente opera com margens menores, a redução do custo logístico pode representar um ganho competitivo relevante, facilitando a integração dessas cadeias produtivas ao ecossistema de exportações do Porto do Pecém.
Brasil
Paraná quebra recorde na colheita da safra de verão
O estado do Paraná colheu 26,3 milhões de toneladas de grãos na safra de verão 2025/2026 e estabeleceu um novo recorde de produção para o período. O volume supera em 6% o ciclo anterior, que registrou 24,7 milhões de toneladas, de acordo com o boletim oficial divulgado pelo Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab).
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A boa safra de soja e a retomada da safra de milho explicam o recorde, informa o Deral. Segundo o levantamento, a safra de soja somou 21,8 milhões de toneladas produzidas, enquanto o milho chegou a 4,1 milhões de toneladas, ante as 3,1 milhões de toneladas da safra anterior.
“O que motivou essa retomada de uma safra recorde no verão foi que voltamos a plantar um pouco mais de milho nessa safra”, explica Hugo Godinho, engenheiro agrônomo e analista do Deral. “A área de primeira safra deste ano foi 30% acima da plantação de milho de verão, plantado entre setembro e outubro”, informa.
Segunda safra deve consolidar novo recorde de produção no Paraná
O bom desempenho da safra de verão é fundamental para um resultado expressivo no ano. “Para que se concretize uma safra recorde não só no verão, a gente precisa confirmar uma boa segunda safra”, afirma. A segunda safra 2025/2026 está bem encaminhada, diz o analista.
O principal destaque é o milho, cuja produção deve ficar na casa de 17,6 milhões de toneladas em uma área cultivada de 2,91 milhões de hectares. Segundo o Deral, a colheita da cultura teve início e atinge cerca de 3% da área total.
Os desafios para essa segunda safra, naturais do período de inverno, são os períodos mais críticos de geada, chuva e seca, sobretudo ao longo do mês de julho. Ainda assim, técnicos do órgão entendem que eventuais danos não devem alterar de forma profunda os números finais de produção neste momento.
Para Godinho, a safra de verão totalmente fechada e 6% superior à safra de verão anterior é um passo preponderante para um novo recorde, semelhante ao registrado ano passado. No consolidado de 2025, o total foi de 47,3 milhões de toneladas.
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Clima e tecnologia propiciam bom desempenho da safra no Paraná
Lucian Richard Ribeiro de Souza, do Departamento Técnico e Econômico Legal do Sistema Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), comemora o recorde. “O resultado é muito positivo”, afirma. “Não foi necessariamente uma surpresa, havia uma expectativa favorável em relação ao clima, e a gente sabe que os produtores, a cada ano, vêm se especializando, então era algo esperado”.
Somada à expansão da área plantada, Souza acrescenta como motivos que levaram ao bom resultado o trabalho realizado pelos produtores, na busca pela inserção de inovação tecnológica na área das lavouras, e o clima favorável, que ajudou o produtor.
“O sistema Faep tem grande participação nisso, através do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), dos sindicatos e da Federação, principalmente no viés de capacitação e na difusão de boas práticas agronômicas”, afirma.
Em 2025, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Paraná respondeu por 13,5% da participação nacional da produção de grãos. O estado ficou atrás apenas do Mato Grosso (32%). Goiás (11,3%), Rio Grande do Sul (9,3%), Mato Grosso do Sul (8,1%) e Minas Gerais (5,5%) completam a lista.
Brasil
Produto brasileiro de açaí conquista prêmio mundial
No interior da palmeira de açaí, há uma fibra que durante décadas foi descartada e na qual uma empreendedora brasileira vislumbrou potencialidade de negócio. O Gratine, palmito de açaí desenvolvido pela empresa Salada Amazônia, venceu um prêmio internacional do segmento e colocou um ingrediente amazônico, até então esquecido, no cardápio de chefs e no radar do mercado global.
A ideia nasceu de uma constatação simples: o açaizeiro já era matéria-prima consolidada no Brasil, mas suas fibras internas eram pouco aproveitadas comercialmente. A Salada Amazônia transformou esse resíduo em um palmito orgânico especialmente desenvolvido para grelhar — rico em fibras, com 5g de proteína e apenas 96kcal por unidade.
O produto chegou ao mercado com certificação orgânica, rastreabilidade garantida e adequação às exigências regulatórias de cinco destinos de exportação: Japão, Reino Unido, Emirados Árabes Unidos, Europa e Estados Unidos. O caminho não foi simples até alcançar o mercado internacional e à conquista do prêmio Wellnown Award 2026 (categoria “plant-based”) — o concuros reconhece produtos inovadores desenvolvidos por empresas de orgânicos e sustentáveis.
Logística é entrave: comunidades fornecedoras estão em regiões remotas da Amazônia
Grande parte das comunidades fornecedoras fica em regiões remotas da Amazônia, acessíveis apenas por via fluvial, em longas viagens para transporte da matéria-prima. Manter os padrões de certificação orgânica nessa cadeia exigiu estrutura, parcerias técnicas com a Embrapa Amazônia Oriental e mais de duas décadas de desenvolvimento do modelo de manejo sustentável dos açaizais nativos.
Hoje, a empresa opera 11 áreas certificadas. A fundadora do negócio, Mônica Rosa, evidencia que esses desafios são também oportunidades para demonstrar que a bioeconomia amazônica pode gerar produtos inovadores e competitivos.
Os planos incluem expandir as áreas certificadas, desenvolver novos produtos derivados da biodiversidade amazônica e consolidar a marca como referência internacional em alimentos amazônicos. A premiação, segundo Rosa, valida toda a cadeia produtiva construída ao longo dos anos. “O produto transforma os recursos da floresta em alto valor agregado, mantendo-a em pé e gerando renda local”.
Brasil
Casas de luxo em Balneário Camboriú consolidam status de Hamptons brasileiro
Um trecho de praias preservadas ao sul de Balneário Camboriú (SC) passou a concentrar casas de praia na faixa de R$ 20 milhões e viu o metro quadrado valorizar mais de 200% em cinco anos. Segundo a imobiliária J. Maurício, que atua há mais de 25 anos na região da Interpraias, a combinação de baixa densidade, oferta limitada e regras ambientais rígidas colocou o local no centro do foco de investidores como segunda moradia de alto padrão.
Mais que isso: embasa projeções de alta adicional de até 50% em dois anos. O movimento faz o litoral catarinense começar a repetir, em escala menor, a lógica dos Hamptons, luxuosa área costeira em Long Island, Nova York, onde casas de veraneio em áreas de baixa densidade passaram a ser vendidas por cerca de US$ 2,35 milhões nos negócios mais típicos e, em média, por perto de US$ 3,8 milhões no fim de 2025.
Até poucos anos atrás, a área de Balneário Camboriú era mais associada a pousadas familiares e praias agrestes — Estaleirinho, Estaleiro, Pinho, Taquaras, Taquarinhas e Laranjeiras — do que a casas de alto padrão. Enquanto a Praia Central verticalizava e ajudava a colocar o município no topo do ranking das cidades com metro quadrado residencial mais caro do país, com preço médio em torno de R$ 14,9 mil por metro quadrado, a Interpraias seguia com baixa ocupação e natureza preservada.
“Sempre foi o pedaço mais discreto da cidade, com menos barulho, menos movimento e um contato mais direto com a natureza”, resume o corretor Theo Girolamo, que atua na região. Para ele, esse desenho começou a mudar conforme incorporadoras e proprietários passaram a enxergar no trecho uma espécie de “reserva de escassez”.
São poucas frentes de mar disponíveis, boa parte em áreas de proteção ambiental, com gabaritos baixos e parâmetros de ocupação que reduzem a margem de adensamento futuro. “O que faz a Interpraias ser diferente é que, aqui, a verticalização não é uma opção”, acrescenta Maurício Girolamo, diretor-executivo da J. Maurício.
“As regras limitam o número de pavimentos e o quanto você pode ocupar do terreno, então a baixíssima densidade não é uma escolha de marketing, ela é estrutural”, acrescenta ele. De acordo com um levantamento feito pela imobiliária, o metro quadrado na região já subiu mais de 200% em cinco anos, impulsionado pela combinação de escassez de terrenos e entrada de projetos de padrão mais alto.
A mesma projeção fala em uma alta adicional de até 50% em dois anos, caso a demanda por segunda moradia se mantenha e o pipeline de lançamentos continue concentrado em empreendimentos de baixa densidade. O movimento ocorre em um município que está entre os primeiros no ranking nacional de metro quadrado residencial mais caro, segundo o FipeZAP, o que empurra parte dos investidores a buscar oportunidades fora da orla central.
A lógica dos Hamptons em escala catarinense: regras, segurança e capital paciente
Nos Hamptons, a base do mercado de segunda moradia de luxo combina baixa densidade, litoral preservado e estoque limitado de casas em bairros estritamente residenciais. Relatórios recentes da Douglas Elliman e da consultoria Miller Samuel mostram que o quarto trimestre de 2025 foi o mais caro da série: a mediana das vendas residenciais chegou a cerca de US$ 2,35 milhões e o preço médio ficou próximo de US$ 3,8 milhões, com participação recorde de imóveis acima de US$ 5 milhões nas transações.
“É um mercado em que o CEP e o entorno valem tanto quanto a casa”, resume uma das análises ao apontar o impacto da escassez de terrenos e das regras de zoneamento restritivas na precificação.
Na Interpraias, a leitura de quem atua no mercado é parecida, guardadas as proporções brasileiras. “O comprador de segunda moradia ou de longo prazo quer silêncio, privacidade, baixa densidade e um entorno preservado”, aponta Theo Girolamo.
“Quando isso vem acompanhado de oferta limitada, o imóvel deixa de valer só pela metragem e passa a valer pelo território.” Ele explica que a região está inserida na área de proteção ambiental Costa Brava, com plano de manejo que fixa limites de gabarito e de taxa de ocupação do solo por zoneamento.
Nas áreas planas, o regramento costuma permitir apenas poucos pavimentos e ocupação de uma fração do lote; na morraria, as restrições são ainda mais rígidas. Esse arcabouço urbanístico vem sendo reforçado por uma agenda de segurança e organização territorial.
Projeto apresentado pela recém‑criada Agência Interpraias, em articulação com a prefeitura de Balneário Camboriú e o conselho gestor da área de preservação ambiental, prevê a instalação de cerca de 100 câmeras de monitoramento em até dois anos, com investimento estimado em R$ 720 mil e cobertura de aproximadamente 10 quilômetros quadrados. Os equipamentos devem ser distribuídos entre as praias do Estaleirinho, Estaleiro, Pinho, Taquaras, Taquarinhas e Laranjeiras, com leitura automática de placas e, em alguns pontos, reconhecimento facial.
Para os players locais, o conjunto de regras ambientais, baixa densidade e sistema de monitoramento funciona como um “selo de previsibilidade” para quem mira capital de longo prazo.
“Quando existem normas claras e um nível mínimo de organização territorial, a previsibilidade entra no preço”, afirma Girolamo. “É o mesmo tipo de lógica que consolidou os Hamptons: a certeza de que o entorno não vai mudar radicalmente é tão valiosa quanto a casa em si.”
O que observar daqui para a frente
Para quem investe, a aposta é que a valorização não foi um ponto fora da curva. “Nos próximos cinco a dez anos, eu vejo a Interpraias com o metro quadrado mais caro de Balneário Camboriú e entre os mais caros do Brasil”, projeta o empresário Marcos Gracher, fundador da Wave Academias e integrante do conselho gestor da área de preservação ambiental Costa Brava.
Na leitura dele, a combinação de ocupação controlada, proximidade do centro e natureza preservada sustenta essa tese: “É uma região com pouco espaço para crescer, muito perto dos serviços da cidade e cercada de verde. Na minha visão, o futuro do investimento está ali.”
Do ponto de vista da forma urbana, a chave será o tipo de ocupação que a região vai aceitar daqui para a frente. “Vejo com bons olhos a valorização porque é praticamente o único lugar de Balneário onde ainda é possível morar em casa, perto do mar, em um bom terreno e sem edifícios colados dos dois lados”, diz o arquiteto e urbanista Carlos Vinicius Bortolato, coordenador do curso de Arquitetura e Urbanismo da UniAvan.
Ele alerta, porém, que o desenho pode mudar se a pressão por novas vias e moradias em morro ganhar força. “O que mais preocupa no longo prazo é a combinação entre abrir novas vias nas encostas e aumentar a concentração de moradias; quanto mais acessos, mais pressão para construir, e isso pode comprometer justamente o diferencial das praias agrestes, que é a vegetação preservada, menos poluição e sensação de refúgio.”
Na prática, o próximo ciclo deve mostrar se a Interpraias se consolida como bairro de moradores de alta renda ou se caminha para uma lógica de segunda moradia mais parecida com destinos de veraneio clássicos. Bortolato lembra que há muita gente que vive ali e trabalha no centro, o que dificulta enxergar o trecho apenas como enclave de luxo.
Já investidores como Gracher olham para o mesmo território como parte de uma carteira de longo prazo, ancorada em escassez planejada e qualidade ambiental. Entre esses dois vetores é que a Interpraias deve responder, nos próximos anos, até que ponto quer se aproximar da lógica dos Hamptons ou construir um caminho próprio no litoral catarinense.
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