Brasil
O mapa da violência que o Brasil ainda não leu direito
O Brasil oficial, aquele dos políticos de Brasília, trava mais uma batalha campal nas eleições majoritárias deste ano. Paralelamente, a realidade desenhada pela análise e pesquisa das estatísticas oficiais deixa claro que um dos motivos do país continuar patinando no combate à violência é a insistência de governantes em ignorar a geografia e a assimetria do crime.
Enquanto a persistir a fórmula de remédios genéricos para problemas localizados, o país tende a continuar vivendo na contradição entre os números oficiais de criminalidade que podem estar em queda enquanto a sensação de insegurança geral aumenta.
Por exemplo: o Brasil atingiu sua menor taxa histórica de homicídios registrados, fixando-se em 20,1 mortes por 100 mil habitantes — é o que revela a edição mais recente do Atlas da Violência, produzido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em conjunto com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) publicado no final do mês de maio.
“Apesar da melhora na taxa de homicídios estimados, que caiu 26,9% nos 11 anos analisados desde 2014, o debate nacional sobre a criminalidade e a percepção de insegurança da população seguiram caminhos contrários, como várias pesquisas de opinião têm mostrado”, afirmam os pesquisadores no Atlas da Violência deste ano.
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Características distintas do crime interferem no combate à violência no Brasil
O grande erro de uma análise homogênea é tratar o Brasil como se o crime estivesse no mesmo estágio em todos os lugares. Os dados dos últimos anos mostram uma clara descentralização da violência extrema.
A violência urbana migrou. Capitais que antes eram o epicentro do medo hoje mostram estabilização ou queda nos índices de homicídio e piora em determinados tipos de crimes contra o patrimônio, como o roubo de celulares, enquanto cidades de médio porte no interior explodem em índices de criminalidade violenta.
Para um candidato desatento ou focado puramente no marketing eleitoral, os números isolados podem sugerir soluções erradas. O próprio relatório técnico faz um alerta: há um crescimento vertiginoso das Mortes Violentas por Causa Indeterminada (MVCI) — os chamados “homicídios ocultos” —, que subiram mais de 23% em apenas um ano, entre 2023 e 2024. Isso significa que o Estado está perdendo a capacidade de classificar quem e por que se morre no país.
Mais do que isso, essa redução geral esconde abismos regionais dramáticos. Enquanto o Sul e Sudeste experimentam reduções consolidadas na letalidade de forma continuada desde o final dos anos 1990, puxando a queda na média nacional, estados do Norte e Nordeste como Roraima, Rondônia, Ceará, Pernambuco e Bahia, viram a coisa piorar ou se manter praticamente inalterada e lideram os rankings de violência letal.
Em 2024, 18 estados apresentaram taxa de homicídios acima da média nacional. Os maiores indicadores foram observados nos seguintes estados:
- Amapá (45,7)
- Bahia (40,9)
- Pernambuco (37,3)
- Alagoas (35,9)
- Ceará (34,3).
Na outra ponta, os menores níveis de violência letal foram registrados em:
- São Paulo (6,6)
- Santa Catarina (8,1)
- Distrito Federal (10,3)
- Minas Gerais (12,8)
- Rio Grande do Sul (15,2).
Mortes violentas migram para o interior do país
Os homicídios, antes concentrados nas grandes cidades, migraram para o interior do país e hoje centenas de municípios de pequeno e médio porte ostentam taxas de homicídios iguais ou superiores a 50 por 100 mil habitantes, mais que o dobro da média nacional, mostra a evolução das estatísticas — emparedando prefeitos e governadores por soluções concretas.
O debate político nacional focado nas grandes regiões metropolitanas e fações criminosas ignora que o interior do país virou a nova fronteira da violência promovida pelo crime organizado das facções. Em todo o Brasil, existem nada menos que 88 facções criminosas espalhadas por todos os estados — inclusive nas regiões de fronteira e na Floresta Amazônica. É o que revela levantamento sigiloso da Diretoria de Inteligência Penitenciária da Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen) do Ministério da Justiça e Segurança Pública.
O interior do país virou a nova fronteira da violência promovida pelo crime organizado das facções.
Essa desconexão entre o discurso político e a realidade prática se agrava quando descemos aos crimes patrimoniais do cotidiano urbano, aqueles que verdadeiramente moldam a “sensação de insegurança” do cidadão comum. O roubo de veículos, por exemplo, exige uma cadeia logística sofisticada — desmanches estruturados, clonagem e receptação de grande escala —, concentrando-se pesadamente nos grandes eixos macroeconômicos do Sul e Sudeste.
Por outro lado, a epidemia de roubos e furtos de celulares pulverizou-se democrática e cruelmente por todas as regiões brasileiras. Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, atualizado com dados consolidados de 2025, o Brasil registra uma média de 2,5 mil celulares roubados ou furtados por dia, o que equivale a quase 1 milhão de ocorrências anuais.
Mosaico complexo de fraturas sociais exige enfrentamento com inteligência, municipalização e respostas sob medida
Às vésperas das eleições, o Congresso Nacional e o governo Lula têm corrido para apresentar respostas que caibam no formato de “soluções nacionais”, como a PEC da Segurança Pública ou novos marcos legais de combate às facções. Embora a coordenação federativa seja urgente e necessária, o perigo reside na centralização de políticas repressivas padronizadas.
O crime que sufoca o interior da Bahia, disputado quadra a quadra por facções locais, não se resolve com a mesma cartilha usada para combater o furto de celulares na Avenida Paulista ou a violência doméstica em um condomínio de classe média no Rio de Janeiro, por exemplo.
Se os candidatos insistirem em nacionalizar e internacionalizar o debate da segurança pública por meio de slogans vazios, soluções genéricas e polarização ideológica, o eleitor continuará consumindo uma ilusão estatística. O Brasil real precisa urgentemente ler o seu mapa da violência como um mosaico complexo de fraturas sociais que exigem inteligência, municipalização e respostas sob medida. Caso contrário, as urnas passarão, os discursos serão esquecidos, e o país continuará contando corpos e um enorme prejuízo de forma indeterminada.
Brasil
Paraná quebra recorde na colheita da safra de verão
O estado do Paraná colheu 26,3 milhões de toneladas de grãos na safra de verão 2025/2026 e estabeleceu um novo recorde de produção para o período. O volume supera em 6% o ciclo anterior, que registrou 24,7 milhões de toneladas, de acordo com o boletim oficial divulgado pelo Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab).
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A boa safra de soja e a retomada da safra de milho explicam o recorde, informa o Deral. Segundo o levantamento, a safra de soja somou 21,8 milhões de toneladas produzidas, enquanto o milho chegou a 4,1 milhões de toneladas, ante as 3,1 milhões de toneladas da safra anterior.
“O que motivou essa retomada de uma safra recorde no verão foi que voltamos a plantar um pouco mais de milho nessa safra”, explica Hugo Godinho, engenheiro agrônomo e analista do Deral. “A área de primeira safra deste ano foi 30% acima da plantação de milho de verão, plantado entre setembro e outubro”, informa.
Segunda safra deve consolidar novo recorde de produção no Paraná
O bom desempenho da safra de verão é fundamental para um resultado expressivo no ano. “Para que se concretize uma safra recorde não só no verão, a gente precisa confirmar uma boa segunda safra”, afirma. A segunda safra 2025/2026 está bem encaminhada, diz o analista.
O principal destaque é o milho, cuja produção deve ficar na casa de 17,6 milhões de toneladas em uma área cultivada de 2,91 milhões de hectares. Segundo o Deral, a colheita da cultura teve início e atinge cerca de 3% da área total.
Os desafios para essa segunda safra, naturais do período de inverno, são os períodos mais críticos de geada, chuva e seca, sobretudo ao longo do mês de julho. Ainda assim, técnicos do órgão entendem que eventuais danos não devem alterar de forma profunda os números finais de produção neste momento.
Para Godinho, a safra de verão totalmente fechada e 6% superior à safra de verão anterior é um passo preponderante para um novo recorde, semelhante ao registrado ano passado. No consolidado de 2025, o total foi de 47,3 milhões de toneladas.
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Clima e tecnologia propiciam bom desempenho da safra no Paraná
Lucian Richard Ribeiro de Souza, do Departamento Técnico e Econômico Legal do Sistema Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), comemora o recorde. “O resultado é muito positivo”, afirma. “Não foi necessariamente uma surpresa, havia uma expectativa favorável em relação ao clima, e a gente sabe que os produtores, a cada ano, vêm se especializando, então era algo esperado”.
Somada à expansão da área plantada, Souza acrescenta como motivos que levaram ao bom resultado o trabalho realizado pelos produtores, na busca pela inserção de inovação tecnológica na área das lavouras, e o clima favorável, que ajudou o produtor.
“O sistema Faep tem grande participação nisso, através do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), dos sindicatos e da Federação, principalmente no viés de capacitação e na difusão de boas práticas agronômicas”, afirma.
Em 2025, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Paraná respondeu por 13,5% da participação nacional da produção de grãos. O estado ficou atrás apenas do Mato Grosso (32%). Goiás (11,3%), Rio Grande do Sul (9,3%), Mato Grosso do Sul (8,1%) e Minas Gerais (5,5%) completam a lista.
Brasil
Produto brasileiro de açaí conquista prêmio mundial
No interior da palmeira de açaí, há uma fibra que durante décadas foi descartada e na qual uma empreendedora brasileira vislumbrou potencialidade de negócio. O Gratine, palmito de açaí desenvolvido pela empresa Salada Amazônia, venceu um prêmio internacional do segmento e colocou um ingrediente amazônico, até então esquecido, no cardápio de chefs e no radar do mercado global.
A ideia nasceu de uma constatação simples: o açaizeiro já era matéria-prima consolidada no Brasil, mas suas fibras internas eram pouco aproveitadas comercialmente. A Salada Amazônia transformou esse resíduo em um palmito orgânico especialmente desenvolvido para grelhar — rico em fibras, com 5g de proteína e apenas 96kcal por unidade.
O produto chegou ao mercado com certificação orgânica, rastreabilidade garantida e adequação às exigências regulatórias de cinco destinos de exportação: Japão, Reino Unido, Emirados Árabes Unidos, Europa e Estados Unidos. O caminho não foi simples até alcançar o mercado internacional e à conquista do prêmio Wellnown Award 2026 (categoria “plant-based”) — o concuros reconhece produtos inovadores desenvolvidos por empresas de orgânicos e sustentáveis.
Logística é entrave: comunidades fornecedoras estão em regiões remotas da Amazônia
Grande parte das comunidades fornecedoras fica em regiões remotas da Amazônia, acessíveis apenas por via fluvial, em longas viagens para transporte da matéria-prima. Manter os padrões de certificação orgânica nessa cadeia exigiu estrutura, parcerias técnicas com a Embrapa Amazônia Oriental e mais de duas décadas de desenvolvimento do modelo de manejo sustentável dos açaizais nativos.
Hoje, a empresa opera 11 áreas certificadas. A fundadora do negócio, Mônica Rosa, evidencia que esses desafios são também oportunidades para demonstrar que a bioeconomia amazônica pode gerar produtos inovadores e competitivos.
Os planos incluem expandir as áreas certificadas, desenvolver novos produtos derivados da biodiversidade amazônica e consolidar a marca como referência internacional em alimentos amazônicos. A premiação, segundo Rosa, valida toda a cadeia produtiva construída ao longo dos anos. “O produto transforma os recursos da floresta em alto valor agregado, mantendo-a em pé e gerando renda local”.
Brasil
Casas de luxo em Balneário Camboriú consolidam status de Hamptons brasileiro
Um trecho de praias preservadas ao sul de Balneário Camboriú (SC) passou a concentrar casas de praia na faixa de R$ 20 milhões e viu o metro quadrado valorizar mais de 200% em cinco anos. Segundo a imobiliária J. Maurício, que atua há mais de 25 anos na região da Interpraias, a combinação de baixa densidade, oferta limitada e regras ambientais rígidas colocou o local no centro do foco de investidores como segunda moradia de alto padrão.
Mais que isso: embasa projeções de alta adicional de até 50% em dois anos. O movimento faz o litoral catarinense começar a repetir, em escala menor, a lógica dos Hamptons, luxuosa área costeira em Long Island, Nova York, onde casas de veraneio em áreas de baixa densidade passaram a ser vendidas por cerca de US$ 2,35 milhões nos negócios mais típicos e, em média, por perto de US$ 3,8 milhões no fim de 2025.
Até poucos anos atrás, a área de Balneário Camboriú era mais associada a pousadas familiares e praias agrestes — Estaleirinho, Estaleiro, Pinho, Taquaras, Taquarinhas e Laranjeiras — do que a casas de alto padrão. Enquanto a Praia Central verticalizava e ajudava a colocar o município no topo do ranking das cidades com metro quadrado residencial mais caro do país, com preço médio em torno de R$ 14,9 mil por metro quadrado, a Interpraias seguia com baixa ocupação e natureza preservada.
“Sempre foi o pedaço mais discreto da cidade, com menos barulho, menos movimento e um contato mais direto com a natureza”, resume o corretor Theo Girolamo, que atua na região. Para ele, esse desenho começou a mudar conforme incorporadoras e proprietários passaram a enxergar no trecho uma espécie de “reserva de escassez”.
São poucas frentes de mar disponíveis, boa parte em áreas de proteção ambiental, com gabaritos baixos e parâmetros de ocupação que reduzem a margem de adensamento futuro. “O que faz a Interpraias ser diferente é que, aqui, a verticalização não é uma opção”, acrescenta Maurício Girolamo, diretor-executivo da J. Maurício.
“As regras limitam o número de pavimentos e o quanto você pode ocupar do terreno, então a baixíssima densidade não é uma escolha de marketing, ela é estrutural”, acrescenta ele. De acordo com um levantamento feito pela imobiliária, o metro quadrado na região já subiu mais de 200% em cinco anos, impulsionado pela combinação de escassez de terrenos e entrada de projetos de padrão mais alto.
A mesma projeção fala em uma alta adicional de até 50% em dois anos, caso a demanda por segunda moradia se mantenha e o pipeline de lançamentos continue concentrado em empreendimentos de baixa densidade. O movimento ocorre em um município que está entre os primeiros no ranking nacional de metro quadrado residencial mais caro, segundo o FipeZAP, o que empurra parte dos investidores a buscar oportunidades fora da orla central.
A lógica dos Hamptons em escala catarinense: regras, segurança e capital paciente
Nos Hamptons, a base do mercado de segunda moradia de luxo combina baixa densidade, litoral preservado e estoque limitado de casas em bairros estritamente residenciais. Relatórios recentes da Douglas Elliman e da consultoria Miller Samuel mostram que o quarto trimestre de 2025 foi o mais caro da série: a mediana das vendas residenciais chegou a cerca de US$ 2,35 milhões e o preço médio ficou próximo de US$ 3,8 milhões, com participação recorde de imóveis acima de US$ 5 milhões nas transações.
“É um mercado em que o CEP e o entorno valem tanto quanto a casa”, resume uma das análises ao apontar o impacto da escassez de terrenos e das regras de zoneamento restritivas na precificação.
Na Interpraias, a leitura de quem atua no mercado é parecida, guardadas as proporções brasileiras. “O comprador de segunda moradia ou de longo prazo quer silêncio, privacidade, baixa densidade e um entorno preservado”, aponta Theo Girolamo.
“Quando isso vem acompanhado de oferta limitada, o imóvel deixa de valer só pela metragem e passa a valer pelo território.” Ele explica que a região está inserida na área de proteção ambiental Costa Brava, com plano de manejo que fixa limites de gabarito e de taxa de ocupação do solo por zoneamento.
Nas áreas planas, o regramento costuma permitir apenas poucos pavimentos e ocupação de uma fração do lote; na morraria, as restrições são ainda mais rígidas. Esse arcabouço urbanístico vem sendo reforçado por uma agenda de segurança e organização territorial.
Projeto apresentado pela recém‑criada Agência Interpraias, em articulação com a prefeitura de Balneário Camboriú e o conselho gestor da área de preservação ambiental, prevê a instalação de cerca de 100 câmeras de monitoramento em até dois anos, com investimento estimado em R$ 720 mil e cobertura de aproximadamente 10 quilômetros quadrados. Os equipamentos devem ser distribuídos entre as praias do Estaleirinho, Estaleiro, Pinho, Taquaras, Taquarinhas e Laranjeiras, com leitura automática de placas e, em alguns pontos, reconhecimento facial.
Para os players locais, o conjunto de regras ambientais, baixa densidade e sistema de monitoramento funciona como um “selo de previsibilidade” para quem mira capital de longo prazo.
“Quando existem normas claras e um nível mínimo de organização territorial, a previsibilidade entra no preço”, afirma Girolamo. “É o mesmo tipo de lógica que consolidou os Hamptons: a certeza de que o entorno não vai mudar radicalmente é tão valiosa quanto a casa em si.”
O que observar daqui para a frente
Para quem investe, a aposta é que a valorização não foi um ponto fora da curva. “Nos próximos cinco a dez anos, eu vejo a Interpraias com o metro quadrado mais caro de Balneário Camboriú e entre os mais caros do Brasil”, projeta o empresário Marcos Gracher, fundador da Wave Academias e integrante do conselho gestor da área de preservação ambiental Costa Brava.
Na leitura dele, a combinação de ocupação controlada, proximidade do centro e natureza preservada sustenta essa tese: “É uma região com pouco espaço para crescer, muito perto dos serviços da cidade e cercada de verde. Na minha visão, o futuro do investimento está ali.”
Do ponto de vista da forma urbana, a chave será o tipo de ocupação que a região vai aceitar daqui para a frente. “Vejo com bons olhos a valorização porque é praticamente o único lugar de Balneário onde ainda é possível morar em casa, perto do mar, em um bom terreno e sem edifícios colados dos dois lados”, diz o arquiteto e urbanista Carlos Vinicius Bortolato, coordenador do curso de Arquitetura e Urbanismo da UniAvan.
Ele alerta, porém, que o desenho pode mudar se a pressão por novas vias e moradias em morro ganhar força. “O que mais preocupa no longo prazo é a combinação entre abrir novas vias nas encostas e aumentar a concentração de moradias; quanto mais acessos, mais pressão para construir, e isso pode comprometer justamente o diferencial das praias agrestes, que é a vegetação preservada, menos poluição e sensação de refúgio.”
Na prática, o próximo ciclo deve mostrar se a Interpraias se consolida como bairro de moradores de alta renda ou se caminha para uma lógica de segunda moradia mais parecida com destinos de veraneio clássicos. Bortolato lembra que há muita gente que vive ali e trabalha no centro, o que dificulta enxergar o trecho apenas como enclave de luxo.
Já investidores como Gracher olham para o mesmo território como parte de uma carteira de longo prazo, ancorada em escassez planejada e qualidade ambiental. Entre esses dois vetores é que a Interpraias deve responder, nos próximos anos, até que ponto quer se aproximar da lógica dos Hamptons ou construir um caminho próprio no litoral catarinense.
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