Brasil
Estrada de Ferro Campos do Jordão prevê novas rotas turísticas
O governo de São Paulo vai conceder à iniciativa privada a administração da Estrada de Ferro de Campos do Jordão. O projeto prevê a reativação e modernização do trecho de 47 quilômetros até o município e Pindamonhangaba, com investimentos de R$ 315 milhões.
A empresa vencedora vai operar todo o complexo por 24 anos e deve recuperar trens históricos, estações e a infraestrutura, com foco no turismo na Serra da Mantiqueira. A linha percorre a Serra da Mantiqueira e atinge 1.743 metros de altitude, o ponto ferroviário mais alto do Brasil.
O trajeto cruza áreas urbanas e rurais e atravessa rios, como o Paraíba do Sul, por meio de uma ponte metálica de 160 metros. A ferrovia histórica está totalmente sem operação desde 2024.
O serviço havia sido interrompido em 2020, retomado parcialmente em 2022 e novamente suspenso dois anos depois. Em funcionamento, o transporte da ferrovia registrava mais de 100 mil passageiros por ano, de acordo com o governo de São Paulo.
“A retomada da estrada de ferro é muito importante para Campos do Jordão e para todo o turismo regional. Com esse novo projeto e a concessão, a cidade deve atrair muito mais turistas, que vão querer permanecer mais tempo na cidade”, afirma o prefeito de Campos do Jordão, Carlos Eduardo Pereira da Silva (Republicanos).
Leilão para concessão da ferrovia de Campos do Jordão será em junho
O governo de São Paulo publicou o edital de concessão da ferrovia de Campos do Jordão em janeiro deste ano e marcou o leilão para 29 de abril. Depois, remarcou o processo e fixou a abertura dos envelopes para 12 de junho, às 14h, na B3, a Bolsa de Valores de São Paulo. As propostas serão aceitas até 9 de junho.
A Secretaria de Parcerias em Investimentos do governo paulista explica que a mudança “atende a pedidos apresentados por potenciais interessados durante o processo e tem como objetivo ampliar o prazo para análise do projeto e estruturação das propostas, reforçando a competitividade do leilão e a atratividade do ativo”.
O plano inclui o restauro de bondes, locomotivas a vapor, vagões e automotrizes. Também é prevista a substituição da fiação aérea, instalação de novas subestações de energia e reforma do pátio ferroviário.
Duas novas estações devem ser ativadas, uma no portal de Campos do Jordão e a outra na Vila Jaguaribe. O contrato exige a preservação de bens tombados, como a Parada Damas e a central administrativa em Pindamonhangaba.
Para a diretoria do Parque Capivari, um dos principais pontos turísticos de Campos do Jordão, a ferrovia deve impulsionar o turismo da região. “Quando você adiciona um atrativo desse porte, naturalmente aumenta o fluxo de turistas e o tempo de permanência. Além disso, ajuda na logística da cidade. Facilita o deslocamento de turistas e dos próprios jordanenses, reduz a pressão no trânsito e organiza melhor a circulação, principalmente em períodos de alta temporada”, afirma Rafael Montenegro, diretor-geral do parque.
Concessão prevê trilha de bicicleta, percursos turísticos e gastronomia
De acordo com o governo de São Paulo, a proposta para a concessão estrutura três modalidades de passeio ferroviário. A principal é o trajeto de Maria-Fumaça entre a estação Emílio Ribas, em Capivari, e Abernéssia, com locomotiva a vapor e vagões de época. O percurso será feito em cerca de 30 minutos, entre ida e volta, e valoriza a memória ferroviária.
A segunda modalidade é o turístico curto, no formato hop-on hop-off, sistema em que o usuário pode embarcar e desembarcar quantas vezes quiser ao longo do trajeto, explorando os pontos turísticos no seu próprio tempo. As plataformas para embarque e desembarque livres serão entre Emílio Ribas e Nova Portal.
O terceiro modelo é o turístico médio, que vai ligar Nova Portal à estação Eugênio Lefèvre, conectando Campos do Jordão a Santo Antônio do Pinhal em um trecho de 12,4 quilômetros. Em todo o complexo, a concessionária poderá ofertar serviços complementares, como venda de alimentos e bebidas, reserva de assentos, atendimento a bordo, guias e categorias diferenciadas de bilhetes.
No aspecto regulatório, o contrato exige a apresentação de uma política de viagem após a assinatura. O documento deverá definir regras de reembolso e normas para transporte de bagagens, bicicletas e animais. A empresa também terá de garantir acesso facilitado a preços e condições, tanto em canais físicos quanto digitais.
A futura operadora deverá viabilizar viagens gratuitas periódicas para estudantes da rede pública, preservar a identidade visual histórica do complexo, monitorar dados de visitação e atuar sob fiscalização da Agência Reguladora de Serviços Públicos (Arsesp).
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Criação da ferrovia de Campos do Jordão teve origem sanitária
Diferente de outras ferrovias criadas para fins comerciais ou de expansão territorial, a ferrovia de Campos de Jordão surgiu com objetivo sanitário, segundo a Secretaria de Transportes Metropolitanos de São Paulo. A inauguração ocorreu em 15 de novembro de 1914 para facilitar o acesso de pacientes que buscavam tratamento contra a tuberculose, doença que provocou epidemias no Brasil entre o século XIX e o início do século XX.
Médicos atribuíam ao clima de Campos do Jordão propriedades terapêuticas que auxiliavam na recuperação de doenças respiratórias. Antes da ferrovia, o trajeto até os sanatórios na Serra da Mantiqueira exigia deslocamentos a pé ou em animais, por caminhos precários.
Em 1924, a linha passou por eletrificação completa com sistema de catenária em 1.500 V em corrente contínua. O sistema substituiu locomotivas a vapor e trens movidos a gasolina por automotrizes e bondes elétricos.
A ferrovia também passou a transportar cargas e veículos por meio de gôndolas elétricas, o que impulsionou o desenvolvimento das localidades ao longo do trajeto. Com o avanço da medicina, tratamentos e vacinas reduziram os casos de tuberculose. A ferrovia, então, assumiu gradualmente uma função turística e consolidou sua presença como atração na região da Serra da Mantiqueira.
Brasil
Rússia engana brasileiros para lutarem na Ucrânia, diz relatório
A ONG Anistia Internacional divulgou nesta quinta-feira (10) o relatório de uma investigação que apontou que brasileiros e cidadãos de outras nacionalidades estão sendo enganados pela Rússia com falsas promessas de emprego para que lutem na guerra na Ucrânia.
A organização informou que sua investigação foi baseada em entrevistas com cidadãos do Brasil, Colômbia, Cuba, Egito, Serra Leoa, Sri Lanka, Somália e África do Sul, realizadas em dois campos de prisioneiros de guerra na Ucrânia entre 2024 e 2026.
Outra fonte da apuração foram conversas com cidadãos estrangeiros que atualmente servem nas forças russas, familiares, advogados, ativistas de direitos humanos e jornalistas.
“Indivíduos do Brasil, Colômbia, Serra Leoa, Somália, África do Sul e Sri Lanka, recrutados fora da Rússia, relataram ter recebido falsas promessas de empregos civis nas áreas de segurança, logística, construção, TI [tecnologia da informação] e outros setores — muitas vezes com garantias de altos salários e acesso acelerado à cidadania russa —, apenas para serem induzidos de forma fraudulenta a ingressar nas forças armadas logo após sua chegada”, informou a Anistia Internacional.
A ONG citou o relato de um cidadão brasileiro identificado como Pedro, profissional de TI. Ele contou que foi recrutado para as forças armadas russas após assinar o que acreditava ser um contrato para um emprego bem remunerado na área de tecnologia na Rússia.
Pedro relatou que pediu ao seu comandante para sair, mas recebeu a seguinte resposta: “Se você tentar escapar, ou vai para a cadeia ou nós o mataremos”.
O relatório destacou que recrutas do Brasil e do Sri Lanka afirmaram que tiveram seus passaportes e celulares confiscados durante o treinamento ou antes de serem enviados para a linha de frente.
“A pesquisa da Anistia Internacional demonstra como as forças armadas da Rússia estão reforçando suas fileiras com cidadãos estrangeiros economicamente vulneráveis e utilizando-os como bucha de canhão na guerra de agressão contra a Ucrânia. O nível de exploração e coerção envolvido levou-nos a concluir que, em muitos casos, isso configura tráfico de pessoas, conforme definido pelo Protocolo de Palermo da ONU”, afirmou Agnès Callamard, secretária-geral da ONG.
A Rússia não se pronunciou ainda sobre o relatório da Anistia Internacional, mas em ocasiões anteriores negou acusações de que cidadãos estrangeiros que servem nas suas forças armadas foram enganados para serem recrutados.
Brasil
4 feriados restantes em 2026 caem perto do fim de semana
O calendário de 2026 ainda reserva cinco feriados nacionais até o fim do ano. Depois do feriado da Independência, celebrado em 7 de setembro, as próximas datas são Nossa Senhora Aparecida, Finados, Proclamação da República, Dia da Consciência Negra e Natal.
Para quem já pensa em viagens, descanso ou simplesmente em aproveitar alguns dias longe do trabalho, há boas oportunidades pela frente. Quatro das cinco datas restantes cairão coladas ao fim de semana e poderão formar períodos de três dias de folga, sem necessidade de emendar um dia útil.
A exceção é o feriado da Proclamação da República, em 15 de novembro, que será celebrado em um domingo. Já outubro, novembro e dezembro concentram as oportunidades de descanso no último trimestre do ano.
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Quais feriados ainda restam em 2026?
O próximo feriado nacional será em 12 de outubro, uma segunda-feira. A data é dedicada a Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, e também é tradicionalmente associada ao Dia das Crianças.
Assim, quem não trabalha aos sábados e domingos terá um período de três dias de descanso, de sábado (10) a segunda-feira (12). A mesma situação se repetirá em 2 de novembro, Dia de Finados, que também cairá em uma segunda-feira.
Em 20 de novembro, Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra, a folga virá na sexta-feira, formando outro fim de semana prolongado. A data passou a ser feriado nacional em 2023, após a sanção da Lei 14.759.
Por fim, o Natal, em 25 de dezembro, também será celebrado em uma sexta-feira. Com isso, o último feriado nacional de 2026 formará mais um período de três dias de descanso.
A única data que não deverá proporcionar uma folga adicional é 15 de novembro. O feriado da Proclamação da República cairá em um domingo.
Veja como ficam os cinco feriados nacionais restantes:
- 12 de outubro, segunda-feira: Nossa Senhora Aparecida;
- 2 de novembro, segunda-feira: Finados;
- 15 de novembro, domingo: Proclamação da República;
- 20 de novembro, sexta-feira: Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra;
- 25 de dezembro, sexta-feira: Natal.
Feriadões de 2026: veja as próximas datas e entenda quem tem direito à folga
Na prática, quatro dos cinco feriados nacionais restantes podem render fins de semana de três dias para quem normalmente folga aos sábados e domingos.
O primeiro será o de Nossa Senhora Aparecida, em outubro. Em seguida, Finados permitirá outro período prolongado no início de novembro. Poucas semanas depois, o Dia da Consciência Negra cairá em uma sexta-feira.
O último feriadão do ano será o Natal, que também ocorrerá em uma sexta-feira. Como a data fica próxima ao Ano-Novo, algumas empresas e órgãos públicos podem adotar recessos ou expedientes diferenciados. Entretanto, essas medidas não devem ser confundidas com os feriados nacionais previstos em lei.
Além disso, há datas classificadas como ponto facultativo no calendário da administração pública federal. Em 28 de outubro, por exemplo, é celebrado o Dia do Servidor Público federal. Já 24 e 31 de dezembro, vésperas de Natal e Ano-Novo, respectivamente, terão ponto facultativo após determinado horário para os órgãos federais.
O ponto facultativo, porém, não significa automaticamente folga para todos os trabalhadores. No setor privado, cabe ao empregador definir o funcionamento, salvo quando houver previsão em convenção ou acordo coletivo.
A regra é diferente para os órgãos públicos, que seguem os calendários administrativos estabelecidos por cada esfera de governo.
Também é importante lembrar que feriado nacional não significa que todas as atividades necessariamente parem. Serviços essenciais e setores autorizados a funcionar podem manter as operações, seguindo as regras trabalhistas aplicáveis.
Brasil
Interpol entra nas buscas por irmãos desaparecidos no Maranhão há oito meses
A Polícia Federal acionou o apoio da Interpol para tentar localizar os irmãos Ágatha Isabelly e Allan Michael, desaparecidos há oito meses no Maranhão. A investigação, que se concentra na zona rural de Bacabal, ganha agora ferramentas de monitoramento global e cooperação internacional em 197 países para verificar pistas sobre o paradeiro das crianças, sumidas desde janeiro de 2026.
Como a Interpol vai participar das buscas pelas crianças?
O Núcleo de Cooperação Internacional da Polícia Federal disponibilizou ferramentas que permitem o cruzamento de dados em escala global. Na prática, isso significa que o caso passa a contar com o Yellow Notice, um alerta internacional usado especificamente para localizar pessoas desaparecidas, com foco em menores de idade. Esse recurso é fundamental caso surjam indícios de que os irmãos tenham saído do território brasileiro, facilitando o compartilhamento imediato de informações com autoridades de 197 países e auxiliando em um eventual processo de repatriação das vítimas.
Quais são as principais hipóteses para o desaparecimento dos irmãos?
Desde o sumiço em 4 de janeiro, diversas linhas de investigação foram traçadas pelas forças de segurança do Maranhão. Inicialmente, as buscas por terra, água e ar focaram na possibilidade de os irmãos terem se perdido na mata densa da região quilombola de São Sebastião dos Pretos. Entretanto, a defesa da família também levantou a suspeita de tráfico humano, embora essa hipótese ainda não tenha sido confirmada oficialmente. Como o processo corre sob segredo de Justiça, detalhes específicos sobre novas pistas ou provas não são divulgados para preservar o andamento das investigações.
Como ocorreu o desaparecimento de Ágatha e Allan em Bacabal?
As crianças, de 6 e 4 anos, desapareceram enquanto brincavam na comunidade quilombola onde viviam, a cerca de 250 quilômetros de São Luís. Na ocasião, eles estavam acompanhados de um primo de 8 anos, que também sumiu, mas foi encontrado três dias depois em uma área de mata. O menino estava debilitado e desorientado, não conseguindo fornecer informações claras sobre o que aconteceu com os primos. Desde então, mobilizações massivas envolvendo drones, cães farejadores e centenas de voluntários foram realizadas na região, mas o paradeiro dos irmãos permanece um mistério absoluto.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.
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