Brasil
Como fica a eleição a presidente sem Tarcísio, Ratinho Jr. e Leite
Se há menos de um ano a corrida à Presidência da República apresentava um cenário com nomes cotados mais ao centro, com a possibilidade até da construção de uma frente ampla com aval do Centrão, o atual tabuleiro mostra que o eixo eleitoral foi deslocado para a direita.
A última peça que caiu era considerada a principal representante da terceira via: o governador gaúcho Eduardo Leite perdeu a concorrência interna no PSD para o presidenciável Ronaldo Caiado, ex-governador do estado de Goiás, que por sua vez encampa bandeiras como a segurança pública linha-dura e a defesa do agronegócio.
Ex-tucano, Leite poderia ocupar a raia central da corrida eleitoral deste ano, com uma candidatura alternativa e crítica à polarização entre a esquerda e a direita, assim como Marina Silva e Ciro Gomes, que naufragaram nos últimos pleitos presidenciais. Sem Leite na disputa, a possibilidade de uma terceira via foi sepultada nas eleições de 2026.
Por outro lado, Caiado tem um perfil histórico de ligação à direita desde a disputa presidencial de 1989, quando lançou a candidatura pelo então homônimo PSD após se destacar nacionalmente como líder da União Democrática Ruralista (UDR).
Após 37 anos, Caiado abriu o discurso do lançamento da pré-candidatura com um forte aceno à direita ao prometer anistia “ampla, geral e irrestrita” aos condenados pelos atos cometidos em Brasília em 8 de janeiro de 2023 e ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), condenado pela tentativa de golpe de Estado. Apesar disso, o goiano criticou a polarização política no país e procurou se colocar como um gestor mais experiente com o objetivo de se diferenciar do pré-candidato do PL, Flávio Bolsonaro.
A socióloga e professora de teoria política Marize Schons reitera que o PSD optou pela direita ao escolher Caiado, apesar do posicionamento do presidente nacional da sigla, Gilberto Kassab. Historicamente, ele coloca o partido no centro do espectro político desde a fundação da legenda.
“A escolha tem um efeito na geometria eleitoral. Flávio Bolsonaro vai precisar construir uma imagem de moderação, enquanto Caiado tem espaço para explorar um discurso mais à direita”, opina.
Pré-candidatura de Flávio mudou eixo da eleição ao tirar Tarcísio e Ratinho Jr. da disputa a presidente
O filho “01” do ex-presidente da República foi o principal responsável por mudar o eixo eleitoral para 2026. Ao lançar a pré-candidatura com a chancela do pai, Flávio praticamente liquidou o plano presidencial do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Além disso, ganhou o apoio de Tarcísio no maior colégio eleitoral do país, onde o governador irá disputar a reeleição estadual.
Apesar do entusiasmo dos caciques políticos, entre eles Kassab, a construção da frente ampla de centro-direita em torno do governador paulista, com sinalização de apoio do mercado financeiro, naufragou por causa do alinhamento político entre Tarcísio e a família Bolsonaro.
“A margem de manobra ficou restrita no momento em que o Bolsonaro declarou apoio público ao Flávio. Por mais que seja um nome de grande força política, colocar-se em rota de colisão com a família Bolsonaro representaria um custo que, provavelmente, foi considerado alto demais”, avalia Schons.
O segundo nome que agradava tanto ao Centrão quanto ao mercado financeiro era Ratinho Junior (PSD). Mas o imbróglio na escolha do nome para disputar a sucessão estadual pelo grupo político no Paraná pesou na desistência, que teria envolvido outros fatores.
Ao levar o senador Sergio Moro para o PL e viabilizar a pré-candidatura ao governo paranaense do ex-juiz da Lava Jato, a campanha de Flávio Bolsonaro forçou Ratinho Junior a priorizar a disputa local e tirou o governador do tabuleiro presidencial. Para a socióloga, o cálculo do paranaense é que a entrega do campo eleitoral que ele construiu ao longo dos anos no estado, durante dois mandatos, tem um peso político maior do que se expor na corrida à Presidência.
“Partidos como o PSD não sãode massa, sequer partidos de quadros com enraizamento popular. São partidos que, na ciência política, são chamados de office seeking, ou seja, cuja sobrevivência depende da manutenção de prefeituras, governos estaduais e principalmente cargos”, explica Schons.
Cinco pré-candidatos à Presidência alinhados à direita disputam contra Lula — até o momento
Com a saída dos três governadores do páreo, cinco pré-candidatos estão consolidados no espectro da direita em oposição à continuidade da atual gestão petista. Por outro lado, apenas Lula aparece na esquerda, com vácuo no posicionamento de candidatos como representantes de centro.
- Lula (PT): principal líder da esquerda brasileira em busca do quarto mandato presidencial.
- Flávio Bolsonaro (PL): filho de Jair Bolsonaro foi escolhido pelo ex-presidente para polarizar a disputa contra Lula.
- Ronaldo Caiado (PSD): ex-governador deixou o União Brasil e no novo partido conseguiu confirmar a pré-candidatura presidencial.
- Romeu Zema (Novo): ex-governador mineiro é conhecido pelas posições neoliberais na economia e pelas críticas ao STF.
- Renan Santos (Missão): fundador do MBL concorrerá à eleição presidencial pela primeira vez pelo Missão, partido caçula na disputa.
- Aldo Rebelo (DC): ex-comunista deu uma guinada à direita com críticas à pauta identitária da esquerda. Além disso, tem discurso em defesa da soberania nacional.
Tendência é de coalizão em torno de Flávio Bolsonaro
O pesquisador em Comunicação e Política Luiz Signates avalia que a disputa entre as candidaturas da direita para assumir protagonismo na oposição contra Lula, no primeiro turno, vai depender da viabilidade eleitoral de cada nome no decorrer da campanha. Ou seja, para atrair as siglas da centro-direita, o novo pré-candidato do PSD terá que mostrar força para bater Lula.
“Para se ter força de gravidade a ponto de atrair o Centrão, penso que será preciso que ele [Caiado] cresça a ponto de arriscar fortemente o favoritismo de Flávio Bolsonaro. Caso isso não aconteça, a eleição tenderá a polarizar-se em torno das duas pré-candidaturas já postas”, comenta Signates.
Na opinião do pesquisador, Zema pode ser o próximo pré-candidato a deixar a corrida eleitoral, até as convenções partidárias. O governador mineiro é cobiçado tanto por Flávio quanto pelo PSD para ocupar a vaga de candidato a vice-presidente.
“Ele tem o mesmo problema de desconhecimento [nacional] de Caiado, sem ter o mesmo perfil de trajetória política e imagem moralista consolidada. Caso ele se candidate, contribuirá para dividir o eleitorado, mas não creio que isso ocorra a ponto de quebrar a tendência de polarização”, acrescenta Signates.
Por esse motivo, o pesquisador aposta que a coalizão à direita contra Lula deve ser concretizada no segundo turno, mas ressalta que o presidente petista também trabalha para atrair o Centrão. “Lula sabe, desde as eleições anteriores, que ninguém se elege no Brasil sem forte apoio da centro-direita, hoje representada pelo seu vice, Geraldo Alckmin (PSB). O poder atrativo da estrutura estatal não é desprezível e, certamente, boa parte do Centrão irá com ele, relativizando a força da direita para fazer o presidente”, pondera.
Na mesma linha, a socióloga Marize Schons lembra que a lógica política privilegia a capacidade de articulação partidária dos nomes cotados para a disputa eleitoral. “Há uma tendência de tratar a escolha de um candidato como se fosse uma seleção por mérito, como se o mais competente ou o melhor gestor fosse naturalmente o escolhido. A lógica eleitoral funciona de outra forma. O que determina a viabilidade de um nome é sua capacidade de aglutinar grupos diferentes ao redor de uma candidatura”, ressalta.
Brasil
Rússia engana brasileiros para lutarem na Ucrânia, diz relatório
A ONG Anistia Internacional divulgou nesta quinta-feira (10) o relatório de uma investigação que apontou que brasileiros e cidadãos de outras nacionalidades estão sendo enganados pela Rússia com falsas promessas de emprego para que lutem na guerra na Ucrânia.
A organização informou que sua investigação foi baseada em entrevistas com cidadãos do Brasil, Colômbia, Cuba, Egito, Serra Leoa, Sri Lanka, Somália e África do Sul, realizadas em dois campos de prisioneiros de guerra na Ucrânia entre 2024 e 2026.
Outra fonte da apuração foram conversas com cidadãos estrangeiros que atualmente servem nas forças russas, familiares, advogados, ativistas de direitos humanos e jornalistas.
“Indivíduos do Brasil, Colômbia, Serra Leoa, Somália, África do Sul e Sri Lanka, recrutados fora da Rússia, relataram ter recebido falsas promessas de empregos civis nas áreas de segurança, logística, construção, TI [tecnologia da informação] e outros setores — muitas vezes com garantias de altos salários e acesso acelerado à cidadania russa —, apenas para serem induzidos de forma fraudulenta a ingressar nas forças armadas logo após sua chegada”, informou a Anistia Internacional.
A ONG citou o relato de um cidadão brasileiro identificado como Pedro, profissional de TI. Ele contou que foi recrutado para as forças armadas russas após assinar o que acreditava ser um contrato para um emprego bem remunerado na área de tecnologia na Rússia.
Pedro relatou que pediu ao seu comandante para sair, mas recebeu a seguinte resposta: “Se você tentar escapar, ou vai para a cadeia ou nós o mataremos”.
O relatório destacou que recrutas do Brasil e do Sri Lanka afirmaram que tiveram seus passaportes e celulares confiscados durante o treinamento ou antes de serem enviados para a linha de frente.
“A pesquisa da Anistia Internacional demonstra como as forças armadas da Rússia estão reforçando suas fileiras com cidadãos estrangeiros economicamente vulneráveis e utilizando-os como bucha de canhão na guerra de agressão contra a Ucrânia. O nível de exploração e coerção envolvido levou-nos a concluir que, em muitos casos, isso configura tráfico de pessoas, conforme definido pelo Protocolo de Palermo da ONU”, afirmou Agnès Callamard, secretária-geral da ONG.
A Rússia não se pronunciou ainda sobre o relatório da Anistia Internacional, mas em ocasiões anteriores negou acusações de que cidadãos estrangeiros que servem nas suas forças armadas foram enganados para serem recrutados.
Brasil
4 feriados restantes em 2026 caem perto do fim de semana
O calendário de 2026 ainda reserva cinco feriados nacionais até o fim do ano. Depois do feriado da Independência, celebrado em 7 de setembro, as próximas datas são Nossa Senhora Aparecida, Finados, Proclamação da República, Dia da Consciência Negra e Natal.
Para quem já pensa em viagens, descanso ou simplesmente em aproveitar alguns dias longe do trabalho, há boas oportunidades pela frente. Quatro das cinco datas restantes cairão coladas ao fim de semana e poderão formar períodos de três dias de folga, sem necessidade de emendar um dia útil.
A exceção é o feriado da Proclamação da República, em 15 de novembro, que será celebrado em um domingo. Já outubro, novembro e dezembro concentram as oportunidades de descanso no último trimestre do ano.
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Quais feriados ainda restam em 2026?
O próximo feriado nacional será em 12 de outubro, uma segunda-feira. A data é dedicada a Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, e também é tradicionalmente associada ao Dia das Crianças.
Assim, quem não trabalha aos sábados e domingos terá um período de três dias de descanso, de sábado (10) a segunda-feira (12). A mesma situação se repetirá em 2 de novembro, Dia de Finados, que também cairá em uma segunda-feira.
Em 20 de novembro, Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra, a folga virá na sexta-feira, formando outro fim de semana prolongado. A data passou a ser feriado nacional em 2023, após a sanção da Lei 14.759.
Por fim, o Natal, em 25 de dezembro, também será celebrado em uma sexta-feira. Com isso, o último feriado nacional de 2026 formará mais um período de três dias de descanso.
A única data que não deverá proporcionar uma folga adicional é 15 de novembro. O feriado da Proclamação da República cairá em um domingo.
Veja como ficam os cinco feriados nacionais restantes:
- 12 de outubro, segunda-feira: Nossa Senhora Aparecida;
- 2 de novembro, segunda-feira: Finados;
- 15 de novembro, domingo: Proclamação da República;
- 20 de novembro, sexta-feira: Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra;
- 25 de dezembro, sexta-feira: Natal.
Feriadões de 2026: veja as próximas datas e entenda quem tem direito à folga
Na prática, quatro dos cinco feriados nacionais restantes podem render fins de semana de três dias para quem normalmente folga aos sábados e domingos.
O primeiro será o de Nossa Senhora Aparecida, em outubro. Em seguida, Finados permitirá outro período prolongado no início de novembro. Poucas semanas depois, o Dia da Consciência Negra cairá em uma sexta-feira.
O último feriadão do ano será o Natal, que também ocorrerá em uma sexta-feira. Como a data fica próxima ao Ano-Novo, algumas empresas e órgãos públicos podem adotar recessos ou expedientes diferenciados. Entretanto, essas medidas não devem ser confundidas com os feriados nacionais previstos em lei.
Além disso, há datas classificadas como ponto facultativo no calendário da administração pública federal. Em 28 de outubro, por exemplo, é celebrado o Dia do Servidor Público federal. Já 24 e 31 de dezembro, vésperas de Natal e Ano-Novo, respectivamente, terão ponto facultativo após determinado horário para os órgãos federais.
O ponto facultativo, porém, não significa automaticamente folga para todos os trabalhadores. No setor privado, cabe ao empregador definir o funcionamento, salvo quando houver previsão em convenção ou acordo coletivo.
A regra é diferente para os órgãos públicos, que seguem os calendários administrativos estabelecidos por cada esfera de governo.
Também é importante lembrar que feriado nacional não significa que todas as atividades necessariamente parem. Serviços essenciais e setores autorizados a funcionar podem manter as operações, seguindo as regras trabalhistas aplicáveis.
Brasil
Interpol entra nas buscas por irmãos desaparecidos no Maranhão há oito meses
A Polícia Federal acionou o apoio da Interpol para tentar localizar os irmãos Ágatha Isabelly e Allan Michael, desaparecidos há oito meses no Maranhão. A investigação, que se concentra na zona rural de Bacabal, ganha agora ferramentas de monitoramento global e cooperação internacional em 197 países para verificar pistas sobre o paradeiro das crianças, sumidas desde janeiro de 2026.
Como a Interpol vai participar das buscas pelas crianças?
O Núcleo de Cooperação Internacional da Polícia Federal disponibilizou ferramentas que permitem o cruzamento de dados em escala global. Na prática, isso significa que o caso passa a contar com o Yellow Notice, um alerta internacional usado especificamente para localizar pessoas desaparecidas, com foco em menores de idade. Esse recurso é fundamental caso surjam indícios de que os irmãos tenham saído do território brasileiro, facilitando o compartilhamento imediato de informações com autoridades de 197 países e auxiliando em um eventual processo de repatriação das vítimas.
Quais são as principais hipóteses para o desaparecimento dos irmãos?
Desde o sumiço em 4 de janeiro, diversas linhas de investigação foram traçadas pelas forças de segurança do Maranhão. Inicialmente, as buscas por terra, água e ar focaram na possibilidade de os irmãos terem se perdido na mata densa da região quilombola de São Sebastião dos Pretos. Entretanto, a defesa da família também levantou a suspeita de tráfico humano, embora essa hipótese ainda não tenha sido confirmada oficialmente. Como o processo corre sob segredo de Justiça, detalhes específicos sobre novas pistas ou provas não são divulgados para preservar o andamento das investigações.
Como ocorreu o desaparecimento de Ágatha e Allan em Bacabal?
As crianças, de 6 e 4 anos, desapareceram enquanto brincavam na comunidade quilombola onde viviam, a cerca de 250 quilômetros de São Luís. Na ocasião, eles estavam acompanhados de um primo de 8 anos, que também sumiu, mas foi encontrado três dias depois em uma área de mata. O menino estava debilitado e desorientado, não conseguindo fornecer informações claras sobre o que aconteceu com os primos. Desde então, mobilizações massivas envolvendo drones, cães farejadores e centenas de voluntários foram realizadas na região, mas o paradeiro dos irmãos permanece um mistério absoluto.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.
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