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Após dez anos, Belo Monte ainda enfrenta críticas sociais e ambientais
Aos 70 anos de idade, Élio Alves da Silva se recorda da chegada da usina hidrelétrica de Belo Monte, em Altamira, no estado do Pará (PA), como um momento que gostaria de esquecer, mas as profundas mudanças causadas em sua vida o impedem.
Pescador na comunidade de Santo Antônio, em Vitória do Xingu (PA), ele ouviu falar pela primeira vez sobre o projeto no início da década de 1980, cinco anos depois que o governo brasileiro havia iniciado os Estudos de Inventário Hidrelétrico da Bacia Hidrográfica do Rio Xingu para mapear o potencial energético da bacia.
“Chegou ali uma empresa que se chamava Cenec [Consórcio Nacional de Engenheiros Consultores S.A]. Eles entraram naquelas matas, cortaram tudo, abriram picadas, derrubaram as veredas e fizeram detonação de dinamite para ter uma certeza se a região suportava a barragem”, conta.
Nesta terça-feira (5) completam-se dez anos da inauguração oficial da Usina Hidrelétrica de Belo Monte. Um empreendimento pensado em meados da década de 1970 e que ganhou grande repercussão internacional desde que surgiu a proposta de desviar 80% do fluxo do Rio Xingu, em um trecho de 130 quilômetros, para abastecer o reservatório de Belo Monte.
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Mudanças
Apesar do barulho ecoando floresta adentro, Silva se recorda que a abundância de peixes da região não se deixava intimidar.
“Era pescada, tucunaré, filhote, a dourada, que é um peixe da região lá, pacu, jaraqui, curimatá, frecheirinha, branquinha e outros mais. A gente também pescava peixe ornamental, o carizinho, cari zebra, o aba laranja, eram vários tipos de cascudo, a gente trabalhava com mais de 20 espécies de peixe ornamental”, lembra.
Segundo Silva, depois disso, as mudanças não pararam de acontecer. As explosões ganharam força, os peixes começaram a desaparecer e, logo, ele e outras 67 famílias foram informadas que deveriam deixar o lugar.
“A gente não queria que saíssem as pessoas individuais, a gente queria que saísse todo o grupo, toda a comunidade para o mesmo local. Eles chegaram até a prometer que iam fazer uma vila para a gente, mas não fizeram”, lembra.
Élio Silva recebeu uma pequena chácara nos arredores da cidade de Altamira (PA), no mesmo valor que avaliaram sua antiga casa. Os cinco filhos receberam moradias em outros lugares distantes e nenhuma assistência financeira ou produtiva.
“Quando eu cheguei aqui, eu fiquei numa situação que eu dependia de ajuda dos outros. O pessoal do Xingu Vivo para Sempre [organização social] me arrumava cesta básica até eu conseguir me equilibrar, mas até a nossa carteira de pescador cancelaram”, lamenta.
Segurança alimentar
Na mesma época, Sara Lima, moradora da comunidade de Belo Monte do Pontal, em Anapu (PA), pescava no rio Xingu com os pais. Nascida em uma família de pescadores, também cresceu vendo a mesa farta de peixes, resultado do trabalho em família.
“A nossa vida era uma vida rica, uma vida boa, uma vida sadia. Porque aqui o rio, a natureza era que mandava. Aqui tinha reprodução de peixe. A gente escolhia o peixe para comer”, lembra.
Diferente de Élio, a família de Sara não precisou se mudar, mas, apesar de se manter unida morando no mesmo lugar, perdeu a capacidade de gerar renda e a segurança alimentar que o Rio Xingu proporcionava.
“A gente tinha um rio vivo, um rio que corria livremente, que nos fornecia água limpa e alimento. Hoje, a gente se humilha por água potável e come coisas como ovo e mortadela”, lamenta.
Violações
Para marcar os dez anos de Belo Monte, a Associação Interamericana para a Defesa do Ambiente (Aida); Conselho Indigenista Missionário (Cimi); Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab); Diocese de Altamira; Justiça Global; Movimento Xingu Vivo Para Sempre; Observatório dos Povos Indígenas Isolados (OPI); e Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos (SDDH) divulgaram uma carta aberta, em defesa das comunidades indígenas, ribeirinhas e pescadoras artesanais de todo o médio curso do rio Xingu.
O documento destaca o agravamento das violações contra esses povos, ao longo dos anos, por causa das mudanças climáticas. “As secas extremas que assolaram a Amazônia em 2016, 2019, 2020, 2023 e 2024 aprofundaram os impactos já existentes e evidenciaram a fragilidade estrutural do empreendimento”, reforça trecho da carta.
As organizações lembram ainda que, em julho de 2025, a Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) reconheceu, em um parecer consultivo, a obrigação de os países responderem à emergência climática como um direito internacional.
No parecer, são destacadas as obrigações para proteção das populações afetadas pela emergência climática, entre elas a garantia a um ambiente saudável e a promoção de soluções legais eficazes, proteção e reparação contra os impactos das mudanças do clima.
Direitos Humanos
Segundo a advogada do Programa de Direitos Humanos e Meio Ambiente da Aida, Erina Gomes, esse parecer fortalece uma petição apresentada pelas organizações sociais na CIDH, desde 2011, pela responsabilização do Estado por violar os direitos fundamentais dos povos do Xingu, durante a construção da usina de Belo Monte.
“Do ponto de vista da proteção dos direitos dos povos do Xingu, Belo Monte é avaliada e considerada um desastre socioambiental. Dez anos depois da operação e 15 anos desse processo, aquilo que foi denunciado na petição, aqueles argumentos que nós trazíamos de possibilidade de impactos irreversíveis, eles se concretizaram”, afirma a advogada.
A expectativa das organizações sociais é que um relatório de mérito da Corte Interamericana crie uma jurisprudência regional para a Amazônia, que evite futuros impactos socioambientais semelhantes aos da Usina de Belo Monte, em futuros projetos de transição energética.
“Até porque a energia limpa também é um discurso de Belo Monte. E uma das demandas nossas é que projetos de energia limpa não podem ser construídos sob violações sistemáticas de direitos humanos”, reforça.
Investimentos
Sob administração da empresa concessionária Norte Energia, maior acionista do empreendimento, desde 2010, a Usina Hidrelétrica de Belo Monte é considerada pelo setor como essencial para o Sistema Interligado Nacional.
De acordo com nota divulgada pela empresa, a usina no Rio Xingu atende a uma média de 5% da demanda por energia elétrica do país ao ano, em todos os estados. “Nos horários de pico de consumo, produz até 16% da demanda nacional”, informa.
Segundo a Norte Energia, mais de R$ 8 bilhões já foram investidos nos compromissos socioambientais assumidos no licenciamento.
“Entre os resultados estão: construção de três hospitais, 63 unidades básicas de saúde, reforma ou construção de 99 escolas, criação de seis bairros, reflorestamento de uma área equivalente a três mil campos de futebol e ações voltadas para comunidades indígenas como atividades produtivas, proteção territorial, saúde e educação”, informou a empresa por meio de nota.
Apesar dos investimentos, organizações sociais e a população atingida afirmam que os projetos nunca foram concluídos e as poucas iniciativas foram insuficientes na reparação aos danos causados.
“Falar hoje em projeto de atividade produtiva com a entrega de 20 pintos pra gente criar, nunca vai substituir um rio que nos oferecia todo dia todos os tipos de espécies de peixe para a gente pegar, para a gente comer”, conclui Sara Lima.
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Champions: Barcelona goleia Feyenoord com gols de Raphinha e Gabriel Jesus
O Barcelona venceu o Feyenoord por 5 x 1 nesta quarta-feira (9/9), no Camp Nou, em duelo da primeira rodada da Champions League. Os gols foram marcados por Raphinha (duas vezes), Adeyemi, Yamal e Gabriel Jesus; Steijn descontou para os holandeses.
Os donos da casa abriram o placar aos três minutos, com belo gol de Raphinha. O atacante brasileiro recebeu de Yamal, driblou dois defensores e acertou um belo chute.
O segundo veio dos pés de Adeyemi, aos 22 minutos. Em boa jogada, o jogador se livrou da marcação e acertou um chute de fora da área. No segundo tempo, Raphinha marcou mais um, aos 12 minutos, e Yamal ampliou com o quarto gol aos 32.
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do Metrópoles
O Feyenoord diminuiu com Steijn na reta final, mas ainda deu tempo de Gabriel Jesus marcar seu primeiro gol pelo clube catalão. Em jogada pela direita, Yamal driblou o marcador e cruzou para a área. O camisa 9 apareceu para cabecear e fechar o placar da partida.
Agora, o Barcelona encara o Galatasaray na próxima rodada da Champions League. O duelo será realizado no domingo 13/10 (horário de Brasília), na Turquia.
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Nacional estreia documentário que lembra histórico programa PRK-30
O documentário PRK-30 – O Rádio pelo Avesso estreia nos cinemas nesta quinta-feira (10), na mesma semana em que a Rádio Nacional completa 90 anos. O PRK-30 fez parte da história da emissora pública que hoje pertence à Empresa Brasil de Comunicação (EBC), sendo um dos programas humorísticos mais emblemáticos da Era de Ouro do rádio brasileiro.
A sessão oficial de lançamento será nesta quinta-feira (10), às 20h, na Estação Claro Rio, em Botafogo, no Rio de Janeiro. A exibição será seguida por debate e roda de conversa. Uma sessão antecipada foi realizada nessa terça-feira (8), às 18h30, na Sala Glauber Rocha da sede da Fundação Museu da Imagem e do Som (FMIS), na Praça XV.
O diretor-geral da EBC, Thiago Regotto, celebra a estreia do documentário nos cinemas em meio às comemorações pelos 90 anos da Rádio Nacional. Ele conta bastidores da participação da EBC no projeto, desde os primeiros contatos com a equipe do filme até uma gravação realizada no Museu da Rádio Nacional, no Rio de Janeiro.
“Quando o Eduardo Albergaria nos procurou para falar sobre a ideia do filme PRK-30, eu disse que deveríamos fazer parte desse projeto, que conta um importante capítulo da história da Rádio Nacional. Começamos a pensar em como seria essa participação, no apoio necessário e no nosso desejo de também estar presentes no filme.
Segundo Regotto, um dos momentos marcantes foi a gravação no Museu da Rádio Nacional, transmitida inclusive ao vivo pela emissora e que acabou se tornando uma cena do documentário. “Ou seja, essa convergência não aconteceu por acaso e estamos muito felizes em celebrar o aniversário da Nacional com mais esse presente”.
Sobre o PRK-30
O PRK-30 foi um dos mais bem-sucedidos programas humorísticos da história do rádio brasileiro. A atração humorística, criada por Lauro Borges e Castro Barbosa, foi exibida inicialmente pela Rádio Mayrink Veiga, do Rio de Janeiro, e depois passou para a Rádio Nacional, em 1944, então a maior emissora do país.
O PRK-30 simulava uma estação clandestina, identificada por um prefixo inexistente, satirizando atrações da época, como novelas, programas de auditório e transmissões esportivas. Chegou a superar 52% da audiência do mercado radiofônico do Rio de Janeiro, quando o programa era transmitido pela Rádio Nacional, à época instalada no Edifício A Noite, na Praça Mauá.
“PRK30 – O Rádio pelo Avesso” resgata a história desse lendário programa humorístico. A obra também foi construída a partir do rolo de filme “Abacaxi Azul”, descoberto no acervo da Cinemateca Brasileira e que guardava o único registro em imagens do PRK-30. Posteriormente restaurado, o material revelou trechos inéditos que agora podem ser apreciados pelo grande público.
O documentário é uma produção da Urca Filmes, em coprodução com o Canal Brasil, a Globo Filmes e GloboNews, e produção associada com TV Brasil, Rádio MEC, Rádio Nacional, 560 e 1001 Filmes. A direção é de Eduardo Albergaria e a produção é de Leonardo Edde.
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Vasco vai à final e decide título do Feminino A2 contra Itabirito
Dono da melhor campanha da Série A2 (segunda divisão) do Campeonato Brasileiro Feminino de futebol, o Vasco está na final da competição. Na noite da última segunda-feira (7), o Cruzmaltino voltou a derrotar o Atlético-PI, desta vez por 4 a 0, no Luso-Brasileiro, na partida de volta das semifinais. A TV Brasil transmitiu o jogo ao vivo.
O adversário na decisão será o Itabirito, segundo melhor time da primeira fase. As Gatas do Mato se classificaram no domingo (6) ao golear o Minas Brasília por 4 a 1 na Arena do Jacaré, em Sete Lagoas (MG), também com transmissão da TV Brasil.
Os dias e horários dos jogos serão definidos pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF). A emissora da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) exibirá as duas partidas, ao vivo. Por terem feito melhor campanha, as Meninas da Colina serão as mandantes do segundo e decisivo duelo.
Vale lembrar que os quatro semifinalistas do Brasileirão Feminino A2 – Vasco, Itabirito, Minas Brasília e Atlético-PI estão garantidos na próxima edição da Série A1 (primeira divisão), que terá 20 clubes em 2027. O quarteto substitui os rebaixados Vitória e Botafogo.
Cruzmaltino letal
O Vasco entrou em campo no Rio de Janeiro com grande vantagem. No último dia 28 de agosto, as cariocas golearam por 4 a 1 no Estádio Lindolfo Monteiro, em Teresina. Com isso, mesmo uma derrota por dois gols de diferença ainda classificaria o Cruzmaltino. Às piauienses, seria necessário ganhar por quatro gols ou mais de saldo.
Mesmo confortável no placar agregado, o time carioca foi amplamente superior desde o início. Aos 27 minutos, as vascaínas quase abriram o marcador. Lançada na área, Tefah cabeceou para o meio e a também atacante Layza Brum apareceu para concluir quase debaixo do travessão, parando em grande defesa de Isabel.
Na sequência, não deu para a goleira do Atlético-PI. Após cobrança de escanteio pela direita, Isabel afastou de soco e a bola sobrou com a meia Carolzinha, que chutou forte, da entrada da área, para colocar as Meninas da Colina na frente.
O gol sofrido abateu a equipe piauiense, que cedeu dois contra-ataques letais ao Vasco. Aos 32, a atacante Lourdes González entrou na área pela direita e rolou à esquerda para a volante Vanessa Arce, também paraguaia, conferir para as redes. Isabel já estava batida no lance.
Seis minutos depois, a zagueira Luciana errou o chute para afastar um lançamento de Tefah desde o campo de defesa, e a bola sobrou com Lourdes. A atacante invadiu a área pela direita e bateu forte, na saída da goleira, fazendo o terceiro gol das anfitriãs e o 13º dela na competição.
Virou goleada
A paraguaia, artilheira do Brasileirão A2, ainda teve dois gols anulados, ambos marcados por Lourdes, aos 43 da primeira etapa e dez do segundo. Nos dois, ela estava impedida.
Com o Vasco diminuindo o ritmo na etapa final, o Atlético-PI tentou aproveitar para esboçar alguma reação na partida. Aos 16 minutos, a primeira chegada perigosa das visitantes, com chutes em sequência das atacantes Eduarda Balbino e Samanta, que a goleira Maria Alyce defendeu.
Mas a noite era mesmo das Meninas – ou melhor, das paraguaias da Colina. Aos 27, Lourdes cruzou pela esquerda e Arce, na pequena área, ganhou a dividida de Thalita e chutou no canto. A também zagueira Lorena tentou afastar, mas acabou mandando no próprio gol.
Aos 40 minutos, o Atlético-PI até balançou as redes com Samanta, após cruzamento rasteiro da meia Edilene pela direita. A atacante, porém, estava adiantada e o gol foi anulado. No fim, festa cruzmaltina no Luso-Brasileiro.
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