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Conclusão da Ferrovia Transnordestina: prazos e impactos

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Após quase 20 anos de espera e diversas paralisações, a Ferrovia Transnordestina, iniciada em 2006, tem nova previsão de entrega total para 2028. O projeto busca ligar o interior do Nordeste ao Porto do Pecém, no Ceará, otimizando o escoamento de grãos e minérios com investimentos bilionários.

Qual é o atual estágio das obras da ferrovia?

Atualmente, o projeto apresenta um avanço físico global de aproximadamente 71%. As obras estão divididas em duas fases: a primeira, que liga o Piauí ao Porto do Pecém, está com cerca de 80% de conclusão e deve ser finalizada até 2027. Já a segunda fase, abrangendo outros trechos no Piauí, tem previsão de entrega para o ano de 2028.

Como a Transnordestina vai impactar o custo do transporte?

A ferrovia promete uma revolução logística ao reduzir a dependência de caminhões. Estimativas indicam que o custo do frete para cargas em geral pode cair até 53% em distâncias médias de 500 quilômetros. Isso torna os produtos brasileiros mais competitivos no mercado externo e reduz os gastos operacionais das indústrias locais.

Quais setores da economia serão os maiores beneficiados?

Os setores que movimentam grandes volumes, como o de grãos (milho e soja), minérios, fertilizantes e cimento, serão os principais favorecidos. Além da redução de custos, a ferrovia oferece maior previsibilidade e segurança no transporte, conectando áreas Produtoras do interior diretamente aos portos de exportação.

De onde vêm os materiais para a finalização da linha?

Uma etapa crucial foi vencida recentemente com a chegada de mais de 33 mil toneladas de trilhos vindos da China. Esse carregamento, somado ao estoque que já existia em Pernambuco, é suficiente para montar toda a extensão que falta do projeto. Os trilhos passam por um processo de soldagem antes de serem instalados nas frentes de trabalho.

Por que o projeto demorou tanto para sair do papel?

A ferrovia enfrentou uma série de paralisações, entraves contratuais e falta de recursos ao longo de duas décadas. Somente em 2023 o governo federal mobilizou novos aportes, somando R$ 3,6 bilhões para reativar os canteiros. Apesar dos atrasos históricos, o Ministério dos Transportes afirma que não há mais pendências ambientais ou desapropriações que travem o cronograma atual.

Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.

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Quem são os governadores cotados como candidatos ao Senado

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As eleições de 2026 são consideradas as mais significativas da história recente brasileira tanto pela disputa presidencial quanto pela articulação ao Senado — dois terços das cadeiras na Casa estarão em disputa. Com o fim do segundo mandato de 15 governadores, o caminho considerado natural é buscar uma vaga no Congresso, em um período em que o chefe do Executivo estadual ainda possui forte influência sobre a “máquina” do governo.  

Segundo o levantamento da Radar Governamental (consultoria que atua no acompanhamento e análise da atividade legislativa), nove governadores almejam uma cadeira no Senado em 2026. Entre eles está o chefe do Executivo do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL-RJ).

Após o lançamento da pré-candidatura presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e a migração do ex-vereador carioca Carlos Bolsonaro (PL-SC) para concorrer ao Senado pelo estado de Santa Catarina, o caminho de Castro ficou aberto para disputar uma das cadeiras fluminenses na Casa. 

Além disso, a popularidade de Castro cresceu após a operação Contenção, deflagrada no fim do ano passado, quando mais de 120 pessoas foram mortas, sendo cinco policiais, nos confrontos contra integrantes da facção criminosa Comando Vermelho, nos complexos da Penha e do Alemão. No entanto, Castro pode ficar inelegível se for condenado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pela acusação de abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022. O julgamento do governador do Rio foi retomado nesta terça (10), mas acabou adiado em razão do pedido de vista do ministro Kassio Nunes Marques. A Corte Eleitoral deve voltar a analisar o caso em 24 de março.

Apesar do levantamento da Radar Governamental colocar Castro como o único governador de direita cotado ao Senado, outros dois chefes de Executivo estadual têm histórico de alinhamento político com as pautas defendidas pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Os governadores do Amazonas, Wilson Lima, e do Mato Grosso, Mauro Mendes, ambos do União Brasil, integraram o grupo de governadores que participaram do ato pró-anistia na avenida Paulista, em abril do ano passado, e também se manifestaram publicamente contra a prisão de Bolsonaro, definida pelo Supremo Tribunal Federal (STF). 

Pré-candidato à Presidência da República, Romeu Zema (Novo-MG) tem rechaçado a possibilidade de concorrer ao Senado. Ele próprio e aliados argumentam que o mineiro tem um “perfil executivo”. Zema é um dos principais críticos da atuação da Suprema Corte entre os governadores e também saiu em defesa de Bolsonaro após as decisões contra o ex-presidente proferidas pelo ministro Alexandre de Moraes. 

Se conquistar nas urnas a ampla maioria das cadeiras da Casa, a direita planeja aprovar a abertura de processo de impeachment de ministros do STF, que passaram a ser acusados de ingerência em outros Poderes, abuso de autoridade, censura nas redes sociais e conflitos de interesses, o que foi agravado pelo escândalo envolvendo o Banco Master. Em 2026, cada estado vai eleger dois senadores.

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Banco Master, julgamento no TSE e operação da PF são obstáculos para candidaturas

Aliado de Bolsonaro e crítico do STF, o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB-DF), anunciou que deve deixar o cargo no final de março para concorrer ao Senado. No segundo semestre do ano passado, Rocha fez parte do grupo de governadores que se organizou para discutir os impactos do tarifaço imposto pelo presidente dos EUA, Donald Trump, ao Brasil.

Liderados pelo chefe do Executivo paulista, Tarcísio de Freitas (Republicanos), o grupo então criticou a postura do governo Lula e decisões do STF contra Bolsonaro. Para consolidar a candidatura ao Senado, Ibaneis Rocha terá de se afastar das acusações de envolvimento com Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, na tentativa de compra da instituição pelo Banco de Brasília (BRB).

O apoio ao governador ficou ainda mais distante depois de Bolsonaro indicar aos aliados que o Distrito Federal deve ter uma dobradinha feminina do PL ao Senado, composta pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e a deputada federal Bia Kicis.

Assim como Cláudio Castro, o governador de Roraima, Antonio Denarium (PP-RR), pode ser cassado por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022. Em novembro, o TSE retomou o julgamento do recurso da decisão do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), que cassou os direitos políticos do  governador por oito anos.

Denarium anunciou que é pré-candidato ao Senado, mas pode ficar inelegível a depender da decisão da Corte. Em março do ano passado, ele foi criticado por políticos de direita em Roraima por participar da posse dos ministros Alexandre Padilha e Gleisi Hoffmann no governo Lula.

Situação semelhante é a que enfrenta o governador do Acre, Gladson Camelí (PP-AC). Ele é um dos principais nomes da centro-direita cotados ao Senado acreano, mas enfrenta um processo por corrupção no Superior Tribunal de Justiça (STJ).

O julgamento foi adiado no final do ano por decisão do ministro do STF Gilmar Mendes. No início de fevereiro, a residência do governador foi alvo de mandado de busca e apreensão durante operação da Polícia Federal. “Lamento as tentativas de perseguição e, mais uma vez, de estratégia política com o objetivo de me atingir na proximidade das eleições”, disse Camelí.

Assim como o governador de Roraima, ele entrou em atrito com a ala mais alinhada à família Bolsonaro ao criticar a postura do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) nos Estados Unidos e chegou a defender a candidatura presidencial de Tarcísio de Freitas.

Também aliado de Bolsonaro nas eleições de 2022 no Norte do país, o governador de Rondônia, Marcos Rocha, deixou o União Brasil e filiou-se ao PSD. Coronel da Polícia Militar, Rocha criticou publicamente as medidas cautelares impostas pelo STF contra o ex-presidente, como o uso de tornozeleira eletrônica para monitoramento. Apesar de ser cotado ao Senado, o governador descartou a possibilidade de disputar as eleições em 2026.      

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Esquerda tem três governadores na disputa pelo Senado        

Ainda segundo o levantamento da Radar, três governadores posicionados no espectro da esquerda podem disputar o Senado após deixarem os cargos, sendo dois deles do PSB: os governadores do Espírito Santo, Renato Casagrande, e da Paraíba, João Azevêdo

No Nordeste, quem encerra o segundo mandato é a governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra (PT-RN), que confirma a pré-candidatura. Ela é a única governadora petista que deixará o cargo até 4 de abril para concorrer ao Senado.

No centro, o grupo político de Lula deve ter o reforço do governador do Pará, Helder Barbalho (MDB-PA). Os laços entre o petista e o aliado foram intensificados durante a preparação para a conferência do clima, a COP 30, em Belém, realizada em novembro de 2025.

O governo federal reservou orçamento bilionário para o evento climático, tendo acelerado obras de infraestrutura e melhorias turísticas na capital paraense. Além disso, o presidente da República conta com o irmão do pré-candidato ao Senado no governo petista: Jader Barbalho Filho é ministro das Cidades.



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Policiais militares do RJ são presos pela PF por suspeita de ligação com o tráfico

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A Polícia Federal prendeu seis policiais militares do Rio de Janeiro nesta quarta-feira (11) durante a terceira fase da Operação Anomalia, que investiga a ligação deles com tráfico de drogas e milícias no estado. A ação se soma às outras duas deflagradas nesta semana que levaram à prisão um delegado da própria corporação e agentes da Polícia Civil.

A operação cumpriu sete mandados de prisão e sete de busca e apreensão em bairros da capital fluminense e nos municípios de Nova Iguaçu e Nilópolis. As ordens judiciais foram autorizadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e ocorrem com o apoio da Corregedoria da Polícia Militar.

“Os elementos probatórios colhidos durante as apurações revelaram que os policiais militares alvos da operação se utilizavam das prerrogativas da farda e da função pública para atuar em benefício do crime organizado”, afirmou a autoridade em nota.

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Além das prisões, o STF determinou o afastamento imediato das funções públicas de todos os investigados e autorizou a quebra do sigilo dos dados armazenados em equipamentos eletrônicos apreendidos durante as buscas. Os investigados usavam a estrutura e a autoridade do cargo para favorecer atividades ilegais.

As investigações também apontam que o grupo teria atuado para proteger e facilitar operações do tráfico e de milícias em determinadas áreas do estado.

“A investigação evidenciou uma estrutura voltada não apenas à facilitação logística para o tráfico e milícias, mas também à blindagem de criminosos e à ocultação do proveito econômico ilícito”, completou.

Caso as suspeitas sejam confirmadas, os policiais poderão responder por crimes como organização criminosa, corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro. As acusações envolvem tanto o favorecimento direto a criminosos como o recebimento de vantagens ilegais.

As três fases da Operação Anomalia fazem parte das investigações conduzidas pela força-tarefa “Missão Redentor 2”. O grupo foi criado para cumprir diretrizes definidas pelo STF no âmbito do julgamento da ADPF 635, conhecida como “ADPF das Favelas”.

Segundo a Polícia Federal, o objetivo central da iniciativa é fortalecer a produção de inteligência policial para enfraquecer organizações criminosas que atuam no tráfico de drogas e armas. A estratégia também busca cortar vínculos entre facções e agentes públicos que possam facilitar as atividades ilegais.

“A ação estabelece a atuação uniforme da PF na produção de inteligência para neutralizar facções ligadas ao tráfico de drogas e armas, promovendo a asfixia financeira de tais organizações e o corte sumário de suas conexões com agentes do Estado”, informou.



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Justiça proíbe apito de trem à noite em Piraquara

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A Justiça Federal do Paraná proibiu que trens apitem à noite em Piraquara, na Região Metropolitana de Curitiba, após moradores reclamarem de ruído que chegava a mais de 100 decibéis — mais que o dobro do limite de 40 decibéis permitido pela lei municipal para o período noturno. Entre 22h e 6h, as locomotivas poderão emitir apenas um único e breve sinal sonoro.

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A decisão do juiz federal substituto Roger Rasador Oliveira, da 11ª Vara Federal de Curitiba, também proibiu que a concessionária Rumo use a área urbana do município como pátio de manobra, depósito de materiais ou local de abastecimento sem autorização ambiental específica. Em caso de descumprimento, a multa é de R$ 10 mil por ocorrência.

A ação foi movida pelo Ministério Público Federal em 2014, após relatos de moradores sobre o barulho das locomotivas, especialmente durante a madrugada. Perícias técnicas confirmaram os níveis sonoros acima do limite permitido.

Medições realizadas pelo então Instituto Ambiental do Paraná (IAP) — atual Instituto Água e Terra (IAT) — apontaram níveis sonoros superiores a 100 decibéis nas proximidades da ferrovia que cruza Piraquara. O índice ultrapassa o limite de 40 decibéis estabelecido pela legislação municipal para o período noturno.

Ao analisar o caso, o juiz concluiu que o uso da área urbana como estrutura de apoio às operações ferroviárias depende de autorização ambiental adequada. Por isso, determinou que a concessionária se abstenha de manter essas atividades na área urbana enquanto não houver regularização.

Ferrovia precede o município: estação foi inaugurada em 1885, cidade surgiu depois

Na mesma decisão, o magistrado rejeitou um dos pedidos do MPF: a instalação de cancelas em cruzamentos ferroviários. Segundo o juiz, a responsabilidade pela instalação desse tipo de estrutura cabe ao município.

Na sentença, Oliveira destacou que a ferrovia que cruza Piraquara precede o próprio desenvolvimento urbano da cidade. A estação ferroviária foi inaugurada em 1885 como parte da linha que liga Curitiba a Paranaguá, e o povoado que deu origem ao município surgiu posteriormente ao redor da estrutura ferroviária.

Durante o processo, a concessionária argumentou que o uso da buzina faz parte dos procedimentos de segurança ferroviária e é essencial para alertar pedestres e motoristas sobre a aproximação das composições. A empresa também sustentou que restrições à operação poderiam gerar impactos econômicos e apontou que a regulamentação da atividade ferroviária é de competência federal.

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Rumo reitera que apito é protocolo de segurança e opera dentro das normas

Em nota, a concessionária Rumo afirmou que opera de acordo com as normas vigentes e que o acionamento da buzina integra os protocolos de segurança do sistema ferroviário.

“A empresa informa que atua em conformidade com as normas operacionais da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e demais regulamentações federais aplicáveis”, informou a companhia.

“O acionamento da buzina integra os procedimentos de segurança, entre outros, para a população, sendo utilizado para alertar pedestres e motoristas sobre a aproximação do trem”, reiterou a Rumo.

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