Brasil
PT fica sem candidato pela 1ª vez no RS por projeto lulista
“A Comissão Executiva Nacional, reunida em 7 de abril de 2026 e, no uso de suas atribuições políticas e estatutárias, resolve: (…) Determinar que a tática política no Estado do Rio Grande do Sul deve estar alinhada à leitura nacional e internacional da conjuntura, com encaminhamentos coerentes e responsáveis, dando consequência a análise com ações que colaborarem com essa imposição histórica. Não há nada mais importante que a reeleição do Presidente Lula”, afirma a resolução inapelável.
“Reafirmar a necessidade de construção de aliança com o Partido Democrático Trabalhista (PDT), considerado força fundamental na consolidação do campo democrático brasileiro. Essa construção deverá agregar os partidos de centro- esquerda que historicamente são nossos aliados; Definir a construção de uma tática eleitoral conjunta com o PDT, e demais partidos do campo democrático, sob a liderança da companheira Juliana Brizola, como expressão política dessa estratégia no Estado do Rio Grande do Sul. Entendemos que o companheiro Edegar Pretto é a liderança com maior legitimidade para liderar essa construção”, continua o documento, de caráter autoritário e tom “bolchevique”, ao praticamente decretar uma intervenção do diretório nacional do PT no diretório estadual do Rio Grande do Sul, que relutava em obedecer a ordem da Executiva Nacional e insistia no lançamento de um candidato próprio.
Assim, o partido fica sem candidato próprio ao governo do estado pela primeira vez desde que foi fundado, desde 1982, quando houve a primeira eleição direta para governador após 1965. O alinhamento em terras gaúchas foi uma exigência do PDT para confirmar o apoio à campanha da reeleição do presidente no plano nacional.
Depois de protestos e críticas, o ex-presidente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) Edegar Pretto (PT) abriu mão oficialmente de sua candidatura no final da semana passada. A tendência agora neste arranjo imposto pela executiva nacional do PT é que Pretto seja vice na chapa encabeçada por Juliana, neta do ex-governador Leonel Brizola.
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Decisão do diretório nacional do PT sobre a eleição no RS provocou bate-boca público
Após dizer que iria até o fim e não voltaria atrás, Pretto procurou amenizar a crise. “Vamos nos apresentar, a partir de agora, como uma frente política, e não individualmente”, destacou ele ao anunciar a desistência. “Somos uma frente política, e um palanque muito importante, e é isso o que continuaremos mobilizando.”
A decisão do diretório nacional causou bate-boca público entre dois próceres petistas. A decisão foi criticada por Valter Pomar, dirigente da corrente Articulação de Esquerda e diretor da Fundação Perseu Abramo, em comentário na nota de outro petista, José Dirceu, publicada nas redes sociais sobre o caso gaúcho.
O alinhamento em terras gaúchas foi uma exigência do PDT para confirmar o apoio à campanha da reeleição do presidente no plano nacional.
Dirceu defendia que o que havia acontecido no Rio Grande do Sul não se tratava de uma intervenção. “Dirceu não acha que se trate de uma intervenção. Normal: em geral quem pratica uma violência não a reconhece como tal”, criticou Pomar na postagem.
Na avaliação do cientista político Samuel Oliveira, a direção nacional está reduzindo o número de candidaturas próprias a governador em relação aos ciclos anteriores e priorizando alianças onde acredita que um aliado competitivo pode entregar mais para a reeleição presidencial do que um palanque petista simbolicamente puro, mas eleitoralmente frágil. É essa lógica que aproxima os casos de Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Minas Gerais: menos autonomia estadual, mais racionalidade de coalizão em favor de Lula.
No RS, PT tem presença, mas não hegemonia
No Rio Grande do Sul, essa escolha faz sentido porque o PT tem presença, mas não hegemonia. Em 2022, Edegar Pretto chegou a 26,77% no primeiro turno e ficou fora da decisão; na disputa presidencial, Bolsonaro venceu no estado; e, em 2024, o PT mostrou força localizada ao vencer no município de Pelotas, mas sofreu derrota pesada em Porto Alegre, onde Maria do Rosário perdeu para Sebastião Melo por 61,53% a 38,47%.
Ou seja: o partido continua relevante, mas não conseguiu reconstruir no Rio Grande do Sul uma posição naturalmente dominante. “O PT não está apenas abrindo mão de candidatura; está terceirizando a liderança simbólica da centro-esquerda gaúcha”, afirma Oliveira à Gazeta do Povo.
“A pressão para apoiar Juliana Brizola nasce porque articulações nacionais sugerem que ela larga mais competitiva do que o petismo puro para furar a polarização local e disputar o eleitor que rejeita Bolsonaro, mas também não quer votar automaticamente no PT”, aponta o cientista político.
“Em outras palavras, Brasília está dizendo ao diretório gaúcho: para Lula, é melhor um aliado viável do que um petista identitário sem teto de crescimento”, afirma ele. “O risco não é só ficar sem candidato próprio; é ficar com um palanque emprestado, sobre o qual o PT não controla integralmente discurso, prioridade e intensidade de mobilização nacional.”
PT governou o estado gaúcho com Olívio Dutra e Tarso Genro
O PT governou o Rio Grande do Sul de 1999 a 2003, com Olívio Dutra, e de 2011 a 2015, com Tarso Genro. Além disso, administrou durante 16 anos consecutivos a prefeitura de Porto Alegre.
Nesta campanha, um dos argumentos para os petistas resistirem a apoiar Juliana Brizola foi o fato de o PDT integrar o governo de Eduardo Leite (PSD), classificado por eles como “neoliberal e de direita”. O partido entregou os cargos na equipe apenas recentemente.
Do lado oposto, Brizola deve enfrentar o deputado federal Luciano Zucco (PL), em uma aliança firmada com Novo, Podemos, PP e Republicanos. Leite apoiará a pré-candidatura do vice-governador, Gabriel Souza. Já o PSDB se lançará com uma chapa pura, formada pelo prefeito de Guaíba, Marcelo Maranata, e pela empresária Betty Cirne.
Pesquisa de intenção de voto divulgada em 17 de março pelo instituto Real Time Big Data mostra o deputado Luciano Zucco (PL), aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro, em primeiro lugar, com 31% das preferências do eleitor no primeiro turno. Juliana Brizola aparece em segundo, com 24%; Pretto, em terceiro, com 19%, e Gabriel Souza, em quarto, com 13%, em um dos cenários testados.
Ao todo, 1,5 mil pessoas foram entrevistadas pelo Real Time Big Data entre os dias 14 e 16 de março de 2026. A pesquisa foi contratada pelo próprio instituto, com nível de confiança de 95%. A margem de erro é de 2 pontos percentuais. O registro no TSE é sob o nº RS-02550/2026.
Brasil
Rússia engana brasileiros para lutarem na Ucrânia, diz relatório
A ONG Anistia Internacional divulgou nesta quinta-feira (10) o relatório de uma investigação que apontou que brasileiros e cidadãos de outras nacionalidades estão sendo enganados pela Rússia com falsas promessas de emprego para que lutem na guerra na Ucrânia.
A organização informou que sua investigação foi baseada em entrevistas com cidadãos do Brasil, Colômbia, Cuba, Egito, Serra Leoa, Sri Lanka, Somália e África do Sul, realizadas em dois campos de prisioneiros de guerra na Ucrânia entre 2024 e 2026.
Outra fonte da apuração foram conversas com cidadãos estrangeiros que atualmente servem nas forças russas, familiares, advogados, ativistas de direitos humanos e jornalistas.
“Indivíduos do Brasil, Colômbia, Serra Leoa, Somália, África do Sul e Sri Lanka, recrutados fora da Rússia, relataram ter recebido falsas promessas de empregos civis nas áreas de segurança, logística, construção, TI [tecnologia da informação] e outros setores — muitas vezes com garantias de altos salários e acesso acelerado à cidadania russa —, apenas para serem induzidos de forma fraudulenta a ingressar nas forças armadas logo após sua chegada”, informou a Anistia Internacional.
A ONG citou o relato de um cidadão brasileiro identificado como Pedro, profissional de TI. Ele contou que foi recrutado para as forças armadas russas após assinar o que acreditava ser um contrato para um emprego bem remunerado na área de tecnologia na Rússia.
Pedro relatou que pediu ao seu comandante para sair, mas recebeu a seguinte resposta: “Se você tentar escapar, ou vai para a cadeia ou nós o mataremos”.
O relatório destacou que recrutas do Brasil e do Sri Lanka afirmaram que tiveram seus passaportes e celulares confiscados durante o treinamento ou antes de serem enviados para a linha de frente.
“A pesquisa da Anistia Internacional demonstra como as forças armadas da Rússia estão reforçando suas fileiras com cidadãos estrangeiros economicamente vulneráveis e utilizando-os como bucha de canhão na guerra de agressão contra a Ucrânia. O nível de exploração e coerção envolvido levou-nos a concluir que, em muitos casos, isso configura tráfico de pessoas, conforme definido pelo Protocolo de Palermo da ONU”, afirmou Agnès Callamard, secretária-geral da ONG.
A Rússia não se pronunciou ainda sobre o relatório da Anistia Internacional, mas em ocasiões anteriores negou acusações de que cidadãos estrangeiros que servem nas suas forças armadas foram enganados para serem recrutados.
Brasil
4 feriados restantes em 2026 caem perto do fim de semana
O calendário de 2026 ainda reserva cinco feriados nacionais até o fim do ano. Depois do feriado da Independência, celebrado em 7 de setembro, as próximas datas são Nossa Senhora Aparecida, Finados, Proclamação da República, Dia da Consciência Negra e Natal.
Para quem já pensa em viagens, descanso ou simplesmente em aproveitar alguns dias longe do trabalho, há boas oportunidades pela frente. Quatro das cinco datas restantes cairão coladas ao fim de semana e poderão formar períodos de três dias de folga, sem necessidade de emendar um dia útil.
A exceção é o feriado da Proclamação da República, em 15 de novembro, que será celebrado em um domingo. Já outubro, novembro e dezembro concentram as oportunidades de descanso no último trimestre do ano.
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Quais feriados ainda restam em 2026?
O próximo feriado nacional será em 12 de outubro, uma segunda-feira. A data é dedicada a Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, e também é tradicionalmente associada ao Dia das Crianças.
Assim, quem não trabalha aos sábados e domingos terá um período de três dias de descanso, de sábado (10) a segunda-feira (12). A mesma situação se repetirá em 2 de novembro, Dia de Finados, que também cairá em uma segunda-feira.
Em 20 de novembro, Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra, a folga virá na sexta-feira, formando outro fim de semana prolongado. A data passou a ser feriado nacional em 2023, após a sanção da Lei 14.759.
Por fim, o Natal, em 25 de dezembro, também será celebrado em uma sexta-feira. Com isso, o último feriado nacional de 2026 formará mais um período de três dias de descanso.
A única data que não deverá proporcionar uma folga adicional é 15 de novembro. O feriado da Proclamação da República cairá em um domingo.
Veja como ficam os cinco feriados nacionais restantes:
- 12 de outubro, segunda-feira: Nossa Senhora Aparecida;
- 2 de novembro, segunda-feira: Finados;
- 15 de novembro, domingo: Proclamação da República;
- 20 de novembro, sexta-feira: Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra;
- 25 de dezembro, sexta-feira: Natal.
Feriadões de 2026: veja as próximas datas e entenda quem tem direito à folga
Na prática, quatro dos cinco feriados nacionais restantes podem render fins de semana de três dias para quem normalmente folga aos sábados e domingos.
O primeiro será o de Nossa Senhora Aparecida, em outubro. Em seguida, Finados permitirá outro período prolongado no início de novembro. Poucas semanas depois, o Dia da Consciência Negra cairá em uma sexta-feira.
O último feriadão do ano será o Natal, que também ocorrerá em uma sexta-feira. Como a data fica próxima ao Ano-Novo, algumas empresas e órgãos públicos podem adotar recessos ou expedientes diferenciados. Entretanto, essas medidas não devem ser confundidas com os feriados nacionais previstos em lei.
Além disso, há datas classificadas como ponto facultativo no calendário da administração pública federal. Em 28 de outubro, por exemplo, é celebrado o Dia do Servidor Público federal. Já 24 e 31 de dezembro, vésperas de Natal e Ano-Novo, respectivamente, terão ponto facultativo após determinado horário para os órgãos federais.
O ponto facultativo, porém, não significa automaticamente folga para todos os trabalhadores. No setor privado, cabe ao empregador definir o funcionamento, salvo quando houver previsão em convenção ou acordo coletivo.
A regra é diferente para os órgãos públicos, que seguem os calendários administrativos estabelecidos por cada esfera de governo.
Também é importante lembrar que feriado nacional não significa que todas as atividades necessariamente parem. Serviços essenciais e setores autorizados a funcionar podem manter as operações, seguindo as regras trabalhistas aplicáveis.
Brasil
Interpol entra nas buscas por irmãos desaparecidos no Maranhão há oito meses
A Polícia Federal acionou o apoio da Interpol para tentar localizar os irmãos Ágatha Isabelly e Allan Michael, desaparecidos há oito meses no Maranhão. A investigação, que se concentra na zona rural de Bacabal, ganha agora ferramentas de monitoramento global e cooperação internacional em 197 países para verificar pistas sobre o paradeiro das crianças, sumidas desde janeiro de 2026.
Como a Interpol vai participar das buscas pelas crianças?
O Núcleo de Cooperação Internacional da Polícia Federal disponibilizou ferramentas que permitem o cruzamento de dados em escala global. Na prática, isso significa que o caso passa a contar com o Yellow Notice, um alerta internacional usado especificamente para localizar pessoas desaparecidas, com foco em menores de idade. Esse recurso é fundamental caso surjam indícios de que os irmãos tenham saído do território brasileiro, facilitando o compartilhamento imediato de informações com autoridades de 197 países e auxiliando em um eventual processo de repatriação das vítimas.
Quais são as principais hipóteses para o desaparecimento dos irmãos?
Desde o sumiço em 4 de janeiro, diversas linhas de investigação foram traçadas pelas forças de segurança do Maranhão. Inicialmente, as buscas por terra, água e ar focaram na possibilidade de os irmãos terem se perdido na mata densa da região quilombola de São Sebastião dos Pretos. Entretanto, a defesa da família também levantou a suspeita de tráfico humano, embora essa hipótese ainda não tenha sido confirmada oficialmente. Como o processo corre sob segredo de Justiça, detalhes específicos sobre novas pistas ou provas não são divulgados para preservar o andamento das investigações.
Como ocorreu o desaparecimento de Ágatha e Allan em Bacabal?
As crianças, de 6 e 4 anos, desapareceram enquanto brincavam na comunidade quilombola onde viviam, a cerca de 250 quilômetros de São Luís. Na ocasião, eles estavam acompanhados de um primo de 8 anos, que também sumiu, mas foi encontrado três dias depois em uma área de mata. O menino estava debilitado e desorientado, não conseguindo fornecer informações claras sobre o que aconteceu com os primos. Desde então, mobilizações massivas envolvendo drones, cães farejadores e centenas de voluntários foram realizadas na região, mas o paradeiro dos irmãos permanece um mistério absoluto.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.
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