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Quem está no páreo para ser vice de Flávio Bolsonaro?

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A pouco mais de seis meses do primeiro turno e em meio à reta final das articulações políticas para a formação de alianças, coligações e chapas para as eleições de 2026, os dois principais pré-candidatos que vão disputar o voto dos eleitores neste ano ainda não definiram seus vices: o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que busca a reeleição para um quarto mandato, e o principal nome da oposição até o momento, o senador Flávio Bolsonaro (PL).

Enquanto Lula promove negociações com caciques do MDB no Nordeste para a composição de sua chapa com um nome do partido no lugar do atual vice Geraldo Alckmin (PSB) — aliança repudiada pela maioria das lideranças da sigla no Sul, Sudeste e Centro-Oeste — Flávio Bolsonaro é pressionado nos bastidores e abertamente por aliados para escolher logo seu vice e definir a chapa, de preferência com um nome considerado moderado e que seja uma mulher.

Segundo apuração da Gazeta do Povo junto a interlocutores do PL e partidos aliados em São Paulo e Brasília, cresce entre os articuladores da campanha presidencial do senador a percepção de que é necessário fazer um gesto concreto em direção ao eleitorado feminino e ao de centro como um todo, que costumam ser cruciais para o resultado das eleições. Quem vocalizou publicamente a pressão foi o presidente Nacional do PL, Valdemar Costa Neto.

“Cada um tem um palpite e não discutimos isso ainda. O meu? Tereza Cristina. Tem um carisma. Mas não vou dar palpite nisso, quem vai escolher é o Flávio e o Bolsonaro. A Tereza, eu acho ela o máximo. Ela tem uma carisma, que é um negócio”, declarou Valdemar em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo publicada na segunda-feira (16).

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Escolha por Tereza Cristina como vice de Flávio tem potencial de agradar o setor do agro

Além de sacramentar a aliança com o PP, a escolha pelo nome de Tereza Cristina, ex-ministra da Agricultura e da Pecuária no governo Jair Bolsonaro, serviria como um gesto forte em direção ao agronegócio, base de apoio importante que ajudou a eleger o pai em 2018.

Costa Neto ainda sinalizou que o apoio se deve, em grande parte, ao esforço em colocar uma mulher na chapa. Ele revelou que insistiu com Bolsonaro, em 2022, para que o candidato a vice-presidente não fosse o general Braga Netto, mas uma mulher.

“Apesar de ser um homem honesto, um homem decente, não deu um voto para ele. Todos os militares já votavam no Bolsonaro. Foi um erro total, ali foi um erro brutal. E não adiantava falar com ele”, afirmou o presidente do PL sobre o general, que hoje cumpre pena condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por tentativa de golpe de Estado, assim como o ex-presidente Bolsonaro.

Ratinho Junior negou evolução de proposta para ser vice de Flávio

Nos bastidores, diante da impossibilidade de convencer o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), de desistir de uma reeleição considerada pelo grupo como quase certa no estado para assumir a tarefa, o preferido de Flávio para compor a chapa seria o governador do Paraná e também pré-candidato à Presidência da República, Ratinho Junior (PSD).

O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador de campanha do pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro, se reuniu com o governador do Paraná no último dia 11, para tratar da aliança das siglas no estado e uma coligação como vice na chapa presidencial do PL.

Após dois adiamentos, segundo apuração da Gazeta do Povo, a reunião foi realizada no gabinete de Marinho, que ofereceu a vaga de candidato a vice-presidente na chapa de Flávio Bolsonaro para o governador do Paraná. No dia seguinte, Ratinho negou evolução nas tratativas.

“Conversamos bastante sobre a política do Paraná, as conjunturas, mas em nenhum momento houve esse tipo de avanço”, afirmou Ratinho Junior a jornalistas em Londrina (PR), após anúncio de investimentos na área esportiva.

“Até porque o PSD, que é o meu partido, decidiu que terá candidato. Se vai ter candidato, obviamente eu tenho que trabalhar dentro dessa composição, de ser uma alternativa para o Brasil”, afirmou o pré-candidato presidencial da sigla, um dos três sob a batuta de Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD.

Ronaldo Caiado, governador de Goiás, e Eduardo Leite, governador do Rio Grande do Sul, também figuram como possibilidades de cabeças de chapa para presidente do PSD — Caiado é cotado inclusive como uma das possibilidades para vice de Flávio.

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Zema descartou composição com o PL

Visto como um nome estratégico em qualquer chapa, o governador de Minas Gerais (Novo), Romeu Zema, descartou compor chapa com o senador do PL. “Eu levarei a minha pré-campanha e campanha até o final. Estar vice de outro candidato, de certa maneira, é o partido Novo se vergar a questões com as quais não concordamos”, disse a jornalistas no Senado após anunciar um novo pedido de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes, do STF, no dia 9.

Na visão do cientista político Wagner Wilson Deiró Gundim, o vice ideal para Flávio Bolsonaro seria mesmo o governador mineiro. “Zema é um governador bem avaliado no estado que é o segundo maior colégio eleitoral do país. Com esse apoio, em tese, é possível ‘ganhar Minas Gerais’, e além disso seria um nome com capacidade de falar para fora da bolha da direita apenas, que alcança um eleitor mais de centro”, afirma Gundim à Gazeta do Povo.

“O problema desta articulação é que o Zema tem ambições presidenciais, já colocou isso, e não aceitaria ficar em segundo plano, buscaria um protagonismo potencialmente conflituoso com o cabeça de chapa”, diz. “Nesse cenário cresce o nome da Tereza Cristina: uma mulher interlocutora com o agronegócio. A dificuldade é que a figura dela não é tão popular, tão carismática”, avalia Gundim.

O perfil do vice ideal

O primeiro ponto é entender que o vice “não serve só para eleição, mas para o dia seguinte”, afirma à Gazeta do Povo o cientista político Samuel Oliveira. “Por isso, nomes como Tereza Cristina ganham força: não são explosivos eleitoralmente, mas funcionam como ponte com o Congresso, com o agronegócio e com o centro político. É uma vice que não dá voto imediato, mas reduz risco e ajuda a montar governabilidade, algo que pesa muito para parte do eleitor e do mercado”, afirma.

Ele afirma que nomes como Zema, Caiado ou Ratinho Junior trariam junto um problema político para a chapa. “São nomes fortes, com projeto próprio, base consolidada e ambição nacional. Um vice assim não compõe, ele divide protagonismo. E isso pode gerar instabilidade numa campanha que depende de narrativa centralizada”, afirma Oliveira.

“Existe uma tendência real de buscar alguém leal, com baixo protagonismo e baixa rejeição, mesmo que não seja o nome mais óbvio hoje, vide Mourão e Braga Netto em 2018 e 2022, respectivamente”, diz.

Na análise da cientista política Juliana Fratini, do ponto de vista da família Bolsonaro um vice ideal provavelmente seria oriundo da própria família, como a ex-primeira dama Michelle Bolsonaro ou mais um dos filhos. Só que isso traria problemas pois soaria falso e passaria a impressão de tentativa de impor uma hegemonia familiar ao eleitor.

Assim, restariam como boas opções alguém do PP, PSD ou União Brasil, o que sacramentaria uma aliança com o Centrão. “Essa chapa não é de ‘frente ampla’ ou de acordos. É uma chapa pura com protagonismo de lideranças de direita e centro-direita”, afirma Fratini à reportagem.



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