Connect with us

Brasil

Médicos chegam a trabalhar 14 horas para atender pacientes com Covid-19 no CE; ‘Não pode ir ao banheiro’, diz voluntária

Published

on

Profissionais da saúde relatam que também temem o contágio pela doença. Ceará contabilizou 85 mortes pela Covid-19, até domingo.

Madrugadas em claro e o desconforto dos equipamentos de proteção são alguns dos percalços em comum no dia a dia dos trabalhadores da área da saúde que se dedicam ao tratamento de pacientes com Covid-19 no Ceará. Médicos relatam que deixam de ir até ao banheiro e comer devido ao movimento intenso de pacientes com o novo coronavírus nas unidades hospitalares do estado.O Ceará contabilizou 1.747 casos de Covid-19, até a noite deste domingo (12), de acordo com a Secretaria da Saúde do Estado. Mais duas mortes foram confirmadas e o número de óbitos pela doença chegou a 85.Para ajudar a reduzir esse quadro no estado, a médica Mariana Chaves, que tem 12 anos de experiência em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs), se voluntariou há três semanas para atender pacientes com o vírus. Mesmo com as jornadas de trabalho cansativas, a endocrinologista e clínica-geral do Instituto Dr. José Frota (IJF) diz que ajudar os pacientes “supera tudo”.

Médica Mariana Chaves se voluntariou para atuar na área do coronavírus. No rosto as marcas dos equipamentos de proteção usados por ela — Foto: Arquivo pessoal

Em cerca de 10 dias, o espaço que antes era uma enfermaria comum foi transformado em uma área de atendimento exclusivo para casos confirmados e suspeitos da Covid-19. A rotina da profissional se alterna entre turnos de seis horas, durante o dia, e 12 horas à noite. Cada plantonista, como ela, atende uma média de oito a dez pacientes.

“Nesse período, a gente não pode sair pra absolutamente nada, nem passar da porta. A gente não pode ir no banheiro, nem comer ou beber água. Só se acontecer um acidente e a roupa rasgar. Aí tem que trocar”, relata.As pausas são exclusivas para o período da madrugada, quando é feito um revezamento. “Nessas horas, a gente pode tirar um pouco o equipamento, porque o material machuca. A máscara tem que ser bem vedada, e como tem uma estrutura de metal, acaba marcando o rosto. O face shield, que é maior, dá muita dor de cabeça, e às vezes são seis horas que a gente não consegue nem se sentar”.Quando o plantão começa às 19h, Mariana só cede o posto para outro médico às 2h. Um dos maiores desafios se dá com os respiradores, e como administrá-los entre os infectados.“Tem paciente que está entubado há três semanas, sem poder tirar. Tivemos sucesso com alguns e já tivemos muitas altas. Mas teve dois óbitos, pacientes que não progridem. Tem de tudo”, diz.Ela divide os plantões com o marido, que também é médico no IJF. “No plantão, a gente tem pouco contato, mas é bom ter essa presença como apoio, pra compartilhar uma informação ou tirar uma dúvida”, relata Mariana.AssistênciaMesmo para quem já está acostumado a trabalhar com doenças infecciosas, a Covid-19 representa uma situação inédita. A necessidade de se adaptar também é relatada por Nancy Costa, 50, chefe de enfermagem do Hospital São José de Doenças Infecciosas (HSJ), também em Fortaleza.“Temos que trabalhar com o temor dos profissionais de saúde, e é a enfermagem que desponta na frente. A enfermagem está o tempo todo com o paciente, desde o momento em que ele chega à instituição até o momento da alta ou do óbito”, afirma.

Os óbitos, segundo ela, carregam um diferencial durante a epidemia. A recomendação é que somente uma hora seja dedicada para o velório, com a urna fechada. O reconhecimento dos corpos por familiares também não deve ser feito, a menos que o parente esteja utilizando todo o equipamento de proteção individual.“Hoje eu vi uma mãe chorando, querendo reconhecer o corpo do filho. Ela não o via há vários dias, porque não está podendo ter visita. É um contexto extremamente delicado. Eu pensei: ‘a senhora vai ver seu filho’”, conta Nancy.Para entrar no necrotério, ela vestiu todo o equipamento de proteção obrigatório. A um metro de distância, e utilizando uma máscara com filtro, a mãe pôde ver o rosto do rapaz.Além da assistência que inclui ministrar medicamentos, a enfermagem oferece o suporte emocional para pacientes que vivenciam uma realidade distinta por conta do isolamento. “Ele fica sozinho em uma enfermaria, com a porta trancada. É uma situação bem diferente do que a gente é acostumado a trabalhar”, explica.O uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) está sendo otimizado na unidade, e, por isso, são as enfermeiras que levam o alimento dos pacientes, ao invés de profissionais da Nutrição.“Nesse momento que elas entram, muitas perguntam se os pacientes querem que faça uma oração. Cantam pra eles, contam histórias. Mas depende da situação do paciente. Dizemos para eles que é uma fase, que vai passar, explicamos para que serve cada medicamento”.

Hospital Leonardo da Vinci, em Fortaleza, é uma das unidades que atende exclusivamente pacientes com a Covid-19. — Foto: Fátima Holanda/Divulgação

14 horas no hospital

Hoje, ela passa de 12 a 14 horas por dia no hospital. No restante do tempo, em casa, fica isolada do marido e da filha, em um quarto. O aniversário de 82 anos do pai de Nancy foi comemorado no dia 26 de março, e ela foi até a casa dele para cantar parabéns do lado de fora do portão. A cena deve se repetir no dia 20 de abril, quando sua mãe completar 76 anos.“O fato de estar trabalhando na linha de frente é muito desafiador nesse sentido de que também temos família. Não queremos que aconteça nada com nossos parentes. Meu pai é cardiopata, hipertenso, está no grupo de risco. Desde quando começaram os casos no Ceará, eu não fui mais na casa dos meus pais”, lamenta.‘Valorizar as pequenas coisas’Quando não está atendendo no hospital, Gregório Fernandes, 38, resolve problemas por telefone em casa, até mesmo de madrugada. O médico intensivista e chefe das UTIs do IJF observa que o dinamismo da situação faz com que tudo tenha que ser resolvido de imediato, sem tempo para prolongar prazos.Para ele, um dos principais fatores que diferenciam o enfrentamento ao coronavírus dos demais atendimentos é o alto risco de contaminação por parte dos profissionais da saúde, que gera medo entre os que lidam diretamente com os pacientes.No ponto de vista pessoal, Gregório Fernandes conta que passou a valorizar pequenos atos e situações que antes passavam despercebidas em sua rotina. “Uma refeição entre familiares, colocar as crianças pra dormir, estar ao lado da esposa, conversar dentro de casa, esquecer das redes sociais e valorizar esses pequenos grandes momentos com a família”, revela.

Brasil

AGU cria grupo para recuperar dinheiro das vítimas de fraude no INSS

Published

on

Grupo será formado por oito advogados públicos

Foto:© Wesley Mcallister/AscomAGU

A Advocacia-Geral da União (AGU) criou nesta quarta-feira (23) um grupo especial para buscar a recuperação do dinheiro descontado irregularmente dos aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

A medida foi tomada após a deflagração da Operação Sem Desconto, da Polícia Federal, que investiga um esquema nacional de descontos de mensalidades associativas não autorizadas. Estima-se que cerca de R$ 6,3 bilhões foram descontados de aposentados e pensionistas entre 2019 e 2024.

O grupo será formado por oito advogados públicos que vão atuar para propor medidas judiciais e administrativas para obter a reparação dos valores descontados e os danos causados contra o INSS.

Os profissionais também devem propor medidas de prevenção e enfrentamento de situações de fraudes contra a seguridade social.

De acordo com o advogado-geral da União, Jorge Messias, a AGU vai atuar para garantir a renda dos trabalhadores em situação de vulnerabilidade.

“O Estado brasileiro, os aposentados e pensionistas foram lesados por esse esquema. Por isso, também vamos buscar a responsabilização das entidades que promoveram os descontos ilegais e recuperar cada centavo desviado”, afirma Messias.

Mais cedo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva determinou a demissão do presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, que foi afastado pela Justiça em função das investigações da Operação Sem Desconto.

Fonte: Agência Brasil

 

Continue Reading

Brasil

Pé-de-Meia Licenciaturas: autorizada segunda chamada

Published

on

Com o objetivo de incentivar a formação de futuros professores e fortalecer a qualidade do ensino no país, o Ministério da Educação (MEC) atualizou o cronograma do programa Pé-de-Meia Licenciaturas. A mudança foi oficializada por meio da retificação do Edital nº 1/2025, publicada na última sexta-feira (4) no Diário Oficial da União.

O programa, vinculado à iniciativa Mais Professores para o Brasil, oferece bolsas a estudantes de cursos de licenciatura aprovados pelo Sistema de Seleção Unificada (Sisu), Programa Universidade para Todos (Prouni) ou Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), desde que tenham obtido nota igual ou superior a 650 pontos no Enem 2024.

Com a atualização, o pagamento das bolsas para os aprovados na primeira chamada está previsto para o quinto dia útil de maio. O resultado preliminar já foi divulgado e os candidatos podem interpor recursos entre os dias 5 e 9 de abril. O resultado final será publicado no dia 14.

A segunda chamada será aberta no próximo domingo (7), e poderão participar os candidatos elegíveis que não foram contemplados anteriormente. Para isso, é necessário fazer o cadastro de currículo e a pré-inscrição na plataforma Freire.

O processo exige que o estudante cadastre seu currículo, preencha os dados pessoais, acesse a aba do Pé-de-Meia Licenciaturas, aceite o termo de ciência e informe a matrícula na instituição de ensino superior. Quem ainda não tiver efetuado a matrícula pode seguir com o processo utilizando apenas o CPF.

Para os aprovados na segunda chamada, o pagamento da bolsa será feito até o quinto dia útil do mês seguinte ao cadastramento da instituição no Sistema de Pagamento de Bolsas (SCBA), gerido pela Capes.

O Pé-de-Meia Licenciaturas integra o programa Mais Professores para o Brasil, criado pelo Decreto nº 12.358/2025. A iniciativa prevê uma série de ações voltadas à valorização e formação de professores, incluindo a Bolsa Mais Professores, a Prova Nacional Docente, o Portal de Formação e parcerias com outras pastas e instituições públicas. A meta é alcançar 2,3 milhões de docentes em todo o território nacional.

Fonte: MEC

Continue Reading

Brasil

Saiba como vai funcionar o crédito consignado CLT

Published

on

Programa lançado pelo governo começa em 21 de março

Imagem: © Ricardo Stuckert/PR

O governo federal lançou nesta quarta-feira (12) o Programa Crédito do Trabalhador na Carteira Digital de Trabalho, que promete facilitar e baratear os juros do empréstimo consignado a trabalhadores registrados com carteira assinada (CLT).

Assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em evento no Palácio do Planalto, a Medida Provisória (MP) que cria o sistema de crédito foi publicada em edição extra do Diário Oficial da União (DOU). Em até quatro meses, o texto precisará ser aprovado pelo Congresso Nacional para se transformar em lei federal e seguir valendo.

Ao todo, mais de 47 milhões de trabalhadores poderão ser beneficiados com o novo programa, que abrange empregados CLT em geral, incluindo empregados domésticos, trabalhadores rurais e contratados por microempreendedores individuais (MEIs), desde que formalizados.

O programa permitirá o acesso de mais de 80 bancos e instituições financeiras ao perfil de trabalhadores com carteira assinada através do eSocial, sistema eletrônico obrigatório que unifica informações trabalhistas, previdenciárias e fiscais de empregadores e empregados de todo o país.

Na prática, o novo consignado entra em vigor no próximo dia 21 de março, por meio da página da Carteira de Trabalho Digital na internet e em aplicativos de celulares. A seguir, confira os principais pontos do sistema de crédito, que deve reduzir pela metade os juros cobrados no crédito pessoal.

Como acessar o crédito

Na primeira fase do programa, que entrará em vigor no dia 21 de março, o empregado que tiver interesse em obter um empréstimo consignado deverá acessar a Carteira de Trabalho Digital. Nesta plataforma, ele vai solicitar ofertas de crédito, autorizando o compartilhamento dos dados do eSocial diretamente com instituições financeiras habilitadas pelo governo federal.

Entre os dados que ficarão acessíveis aos bancos estão nome, CPF, margem do salário disponível para consignação e tempo de empresa, em respeito à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). A partir daí, o interessado receberá ofertas em até 24 horas, analisará a melhor opção e fará a contratação no canal do banco.

A partir de 25 de abril, os bancos também poderão operar a linha do consignado privado dentro de suas plataformas digitais.

Portabilidade do crédito

A portabilidade de crédito entre os bancos, para os clientes que desejem migrar para empréstimos mais baratos, poderá ser realizada a partir de 6 de junho. Em até 120 dias, quem já tem um consignado ativo poderá fazer a migração para a nova linha de crédito na mesma instituição financeira.

Redução de juros

A previsão é que as taxas de juros de crédito aos trabalhadores caiam de cerca de 103% ao ano para 40% ao ano, menos da metade do que é cobrado hoje em dia, em média. Segundo dados da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), a estimativa é que, em até quatro anos, cerca de 19 milhões de celetistas optem pela consignação dos salários, o que pode representar mais de R$ 120 bilhões em empréstimos contratados.

Atualmente, o consignado do setor privado conta com cerca de 4,4 milhões de operações contratadas, somando mais de R$ 40,4 bilhões em recursos. É bem inferior aos mais de R$ 600 bilhões disponíveis a servidores públicos e aposentados e pensionistas do Instituto Nacional da Seguridade Social (INSS).

Limites e garantias

Após o empréstimo ser contratado, o desconto das parcelas será na folha de salários, mensalmente pelo eSocial, o que deve permitir que as taxas de juros sejam inferiores às praticadas atualmente no consignado por convênio. Após a contratação, o trabalhador acompanha mês a mês as atualizações do pagamento das parcelas.

Os limites do consignado para trabalhadores celetistas terão o teto de 35% do salário comprometido com parcelas do empréstimo e a possibilidade de usar 10% do saldo do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) e o total da multa recebida por demissão sem justa causa (40% do saldo FGTS) para o pagamento dos débitos, em caso de desligamento do emprego.

Caso o saldo do empréstimo não seja quitado após o desligamento do emprego, a dívida fica vinculada à conta do eSocial e, quando o trabalhador estiver em um novo emprego CLT, a cobrança das parcelas volta a descontar diretamente em folha.

A Dataprev, empresa pública de tecnologia do governo federal, foi a responsável pelo desenvolvimento do sistema do Crédito do Trabalhador, que integra a carteira de trabalho digital, o FGTS Digital e o eSocial.

Fonte: Agência Brasil

Continue Reading

Plantão

Copyright © 2026 Descontrair.com / Desenvolvido por Agência PA.