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Brasil terá domínio da tecnologia?

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Orçada em R$ 10,4 bilhões e sob responsabilidade de um consórcio chinês, a Ponte Salvador–Ilha de Itaparica reacende uma discussão que vai além da mobilidade. O Brasil precisa de tecnologia estrangeira para erguer uma estrutura sobre lâmina d’água desse porte ou está contratando essencialmente financiamento e execução?

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Prometida há mais de seis décadas, a obra tem início previsto para junho de 2026 e conclusão estimada para 2031, segundo previsão do governo da Bahia. O projeto é tratado como o maior empreendimento sobre lâmina d’água da América Latina.

A ponte vai ligar Salvador à Ilha de Itaparica, reduzindo o tempo de travessia, que é concentrado no ferry boat. O tempo de deslocamento é de cerca de uma hora de navegação, além de filas que variam de 60 a 90 minutos e podem superar três horas em períodos de movimento.

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Projeto é tratado como o maior empreendimento sobre lâmina d’água da América Latina.

Pela ponte, a estimativa é de que o deslocamento seja entre 10 e 15 minutos. O consórcio vencedor da licitação é formado pelas estatais chinesas China Communications Construction Company (CCCC) e China Civil Engineering Construction Corporation (CCECC).

Brasil domina tecnologia para obras desse porte, avalia engenheiro

Para o engenheiro Tunehiro Uono, conselheiro do Instituto de Engenharia, não há dependência tecnológica envolvida na execução da ponte. Segundo ele, a engenharia brasileira possui capacidade técnica para estudar, projetar e executar uma obra dessa natureza.

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“Do ponto de vista tecnológico, a engenharia nacional está amplamente capacitada para estudar, projetar e executar obras de infraestrutura desse porte”, afirmou. Questionado se a China domina métodos construtivos específicos que justificariam a transferência do protagonismo técnico, Uono explicou que “a técnica utilizada é mundialmente conhecida e, no nosso país, temos inúmeros exemplos de obras executadas utilizando essa tecnologia”.

Ele também descartou risco de incompatibilidade com normas brasileiras. Segundo o engenheiro, o projeto deve obedecer integralmente às prescrições da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), “o que afasta a possibilidade de adoção de especificações fora do padrão nacional”.

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Sobre eventual dependência futura para manutenção, Uono afirmou que a questão fica esvaziada diante do fato de a tecnologia ser amplamente dominada. Em relação à durabilidade em ambiente marinho e salino, o engenheiro afirmou que o cumprimento das normas técnicas brasileiras deve garantir a vida útil da estrutura. Como exemplo, citou a Ponte Rio-Niterói, que completou 52 anos de funcionamento.

A Gazeta do Povo procurou o consórcio responsável para entender sobre a transferência de tecnologia, mas não obteve resposta até a publicação da reportagem. O espaço segue aberto para manifestação.

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Projeto atravessa décadas de promessas e governos do PT

A ponte acumula promessas desde a década de 1960. O projeto ganhou impulso em 2009, quando o então governador Jaques Wagner (PT) lançou oficialmente a proposta e informou que a entregaria à então ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff.

Anos depois, a obra voltou ao centro do debate durante o segundo mandato do ex-governador Rui Costa (PT), quando foi realizada a licitação para construção e operação da ponte por 30 anos. O contrato foi assinado no ano seguinte, ao custo inicial de R$ 5,3 bilhões — valor questionado pelo consórcio após a pandemia de Covid-19.

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Em fevereiro de 2025, o Tribunal de Contas do Estado da Bahia (TCE-BA) aprovou um acordo que redefiniu o custo da obra em R$ 10,4 bilhões. Pelo arranjo firmado, o governo baiano se comprometeu com um aporte direto de R$ 5,047 bilhões.

Além disso, deverá pagar uma contraprestação anual de R$ 371 milhões durante os 10 primeiros anos de operação plena. Nos 19 anos seguintes, o valor anual previsto cai para R$ 170 milhões.

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Em fevereiro de 2025, acordo no TCE-BA elevou a obra a R$ 10,4 bilhões.Em fevereiro de 2025, acordo homologado pelo TCE-BA elevou a obra a R$ 10,4 bilhões. (Foto: Projeção/Concessionária Ponte Salvador-Itaparica)

Sistema viário promete reconfigurar mobilidade e logística na Bahia

O projeto prevê uma ponte de 12,4 quilômetros sobre a Baía de Todos-os-Santos, incluindo trecho estaiado de 900 metros e vão central de 85 metros acima do nível do mar — altura equivalente a um prédio de 28 andares, projetada para permitir a passagem de transatlânticos, petroleiros e plataformas.

A estrutura terá pistas duplas nos dois sentidos, com duas faixas por direção e uma faixa adicional inicialmente prevista como acostamento. O prazo estimado de construção é de 60 meses.

Além da ponte, o Sistema Rodoviário Salvador–Itaparica inclui novos acessos viários na capital, com viadutos e túneis conectados à Via Expressa e a avenidas estratégicas, junto com a promessa de uma nova rodovia com mais de 20 quilômetros em Vera Cruz, desviando o tráfego das áreas urbanas da ilha.

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Também estão previstas a recuperação e duplicação de trechos da BA-001 até a Ponte do Funil e a instalação de duas praças de pedágio em Vera Cruz. Com cerca de 246 km², a Ilha de Itaparica está entre as maiores ilhas marítimas do país e ocupa posição central na Baía de Todos-os-Santos, conectando-se ao continente pela Ponte do Funil, de 665 metros.



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Santa Catarina supera SP e se torna o estado mais competitivo

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O estado de São Paulo deixou a liderança do Ranking de Competitividade dos Estados pela primeira vez após 14 edições da lista, elaborada pelo Centro de Liderança Pública (CLP) com desenvolvimento técnico da Tendências Consultoria.

Santa Catarina, que ocupava a segunda posição na edição anterior, passou ao primeiro lugar, enquanto São Paulo caiu para a segunda colocação. O Paraná manteve a terceira posição, ocupada desde 2022, e o Rio Grande do Sul avançou do quinto para o quarto lugar, sua melhor colocação até agora.

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O Ranking de Competitividade dos Estados reúne indicadores distribuídos em dez pilares: infraestrutura, sustentabilidade social, segurança pública, educação, solidez fiscal, eficiência da máquina pública, capital humano, sustentabilidade ambiental, potencial de mercado e inovação.

O objetivo é comparar fatores relacionados à capacidade dos estados de atrair investimentos, oferecer serviços públicos e criar condições para o desenvolvimento econômico e social.

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