Brasil
“Fenômeno Zema” ganha envergadura com série sobre o STF
A estratégia eleitoral do presidenciável Romeu Zema (Novo-MG) testou o pré-candidato em um patamar diferente das últimas semanas — com um impulsionamento que teve a colaboração proativa do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
O capítulo mais recente veio no sábado (25), com mais uma parte da série satírica “Os Intocáveis” nas redes sociais. No vídeo de dois minutos e 31 segundos feito com ferramentas de inteligência artificial, fantoches representam ministros do Supremo. Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes conversam em situações cômicas sobre a política nacional e as polêmicas recentes envolvendo a Corte e os próprios ministros.
Com humor e ironia, a caricatura animada trata de decisões para censura de conteúdo publicado em perfis nas redes sociais, além da relação do ex-banqueiro Daniel Vorcaro com ministros do STF e o escândalo do Banco Master, junto com outras piadas envolvendo a Corte Suprema. Nos vídeos da série, o enredo gira em torno da ideia de que determinadas figuras públicas seriam “intocáveis”, sugerindo, de forma satírica, a existência de proteção institucional.
As produções fazem alusão a decisões judiciais e a investigações recentes, além de críticas diretas à atuação do Supremo. Alexandre de Moraes e Dias Toffoli também foram alvo das sátiras ao lado de Gilmar Mendes.
A ideia parece que tem funcionado, e a série viralizou. O quinto episódio, por exemplo, tinha mais de 621 mil curtidas e 42,1 mil comentários apenas no Instagram, rede na qual Zema possui 3,3 milhões de seguidores, até a tarde da segunda-feira (27) — o crescimento tem ocorrido na casa dos 100 mil seguidores por dia.
O responsável pelo material que tem repercutido com força no Judiciário e mundo político nas últimas semanas é um personagem conhecido, mas que vinha “correndo por fora” do radar da imprensa e da maioria dos analistas políticos nesta fase da pré-campanha eleitoral: o ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema, deixou o cargo no início de ano para tentar concorrer à presidência da República pelo Novo.
Gilmar Mendes responde com ataques e pedido de investigação contra Zema
Gilmar Mendes mordeu a isca, respondeu com ataques e um pedido de investigação contra Zema. O ministro afirma ter tomado conhecimento de um dos vídeos em 5 de março e sustenta que o conteúdo “vilipendia” não apenas a honra e a imagem do Supremo, mas também a sua própria.
Em um dos trechos do novo vídeo, a representação satírica de Mendes solicita a Moraes a inclusão de Zema na investigação do inquérito das fake news, aberto há seis anos no STF. “Digníssimo, manda tirar isso do ar agora. Esses ‘Intocáveis’, do Zema. E prende esse ‘Chico Bento’ mineiro. Você não tem aquele inquérito das fake news? Que já está aberto há sete anos, onde você coloca tudo que não te agrada, te irrita ou te contraria emocionalmente?”, diz o personagem.
Em outro momento do vídeo, Alexandre de Moraes é retratado dentro de um avião com logotipos do Banco Master e do STF. Assim, antagonizando com os ministros da corte suprema, o ex-governador mineiro foi de “patinho feio” da chamada terceira via — rabeando nas pesquisas de intenção de voto para presidente, desde o ano passado na casa de um dígito próximo a zero — para de repente ganhar espaço na imprensa, dominar as conversas online sobre política e eleições e até vislumbrar potencial nas sondagens eleitorais.
De acordo com levantamento da Nexus Pesquisa e Inteligência, em parceria com o BTG Pactual, divulgado nesta segunda-feira (27), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pré-candidato à reeleição pelo PT, aparece empatado tecnicamente, dentro da margem de erro, com seus principais adversários, em simulações de segundo turno.
A amostra da sondagem eleitoral aponta que, se o segundo turno fosse disputado hoje, Lula teria 46% e Flávio Bolsonaro (PL), 45%. Contra Zema, que pontuou 41%, Lula teria 45%; contra Ronaldo Caiado (PSD), que aparece com 41%, Lula teria 45%. A margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
Em relação à pesquisa anterior, mesmo que discretamente, Zema é o único candidato da oposição que cresceu, dentro da margem de erro. Nela, Lula e Flávio Bolsonaro apareciam empatados com 46% das intenções de voto cada nos cenários de segundo turno. Zema seria vencido por 46% a 40% e Caiado por 46% a 41% na ocasião da sondagem.
No cenário de primeiro turno, na pesquisa estimulada, Lula lidera a corrida presidencial com 41% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro registra 36%. Na pesquisa anterior, Lula também pontuava 41% e Flávio 38%, oscilando nesta mostra dois pontos porcentuais para baixo, dentro da margem de erro. Zema e Caiado têm, respectivamente, na pesquisa divulgada hoje 4% e 3%; na mostra anterior, ambos pontuaram 4%.
Foram entrevistados 2.028 eleitores entre os dias 24 e 26 de abril de 2026, em todo o país. A margem de erro é de dois pontos porcentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-01075/2026.
Zema ganha aprovação popular com as posições claras sobre o STF
De acordo com monitoramento da Palver, empresa de análise e inteligência de mensagens em grupos de aplicativos de mensagens e redes sociais, divulgado na Folha de S. Paulo nesta segunda-feira (27), em 100 mil grupos públicos de WhatsApp, ao longo das últimas semanas Zema teve 53% de aprovação nas mensagens com posições claras sobre ele. É o melhor saldo entre os pré-candidatos presidenciais no campo da direita.
O levantamento mostra também que o número de menções totais de Zema, positivas e negativas, se aproxima das mensagens sobre Flávio Bolsonaro, o que liga um sinal de alerta na principal pré-campanha da oposição. De acordo com profissionais do marketing político envolvidos em algumas das principais pré-campanhas eleitorais ouvidos pela Gazeta do Povo reservadamente, o movimento ainda é insipiente, mas grupos de pesquisas qualitativas começam a mencionar de maneira consistente o STF e o ex-governador mineiro.
Segundo os profissionais ouvidos pela reportagem, mesmo se confirmado, o movimento de ascensão ainda está longe de representar um risco para hegemonia eleitoral de Flávio Bolsonaro no campo da direita. Por outro lado, pode ser o que faltava para valorizar o passe do ex-governador e carimbar sua vaga como vice do senador na chapa presidencial de oposição — falta só combinar com o próprio Zema: interlocutores do político mineiro garantem que ele vai até o fim com a candidatura própria, pelo menos do primeiro turno.
Brasil
Paraná quebra recorde na colheita da safra de verão
O estado do Paraná colheu 26,3 milhões de toneladas de grãos na safra de verão 2025/2026 e estabeleceu um novo recorde de produção para o período. O volume supera em 6% o ciclo anterior, que registrou 24,7 milhões de toneladas, de acordo com o boletim oficial divulgado pelo Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab).
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A boa safra de soja e a retomada da safra de milho explicam o recorde, informa o Deral. Segundo o levantamento, a safra de soja somou 21,8 milhões de toneladas produzidas, enquanto o milho chegou a 4,1 milhões de toneladas, ante as 3,1 milhões de toneladas da safra anterior.
“O que motivou essa retomada de uma safra recorde no verão foi que voltamos a plantar um pouco mais de milho nessa safra”, explica Hugo Godinho, engenheiro agrônomo e analista do Deral. “A área de primeira safra deste ano foi 30% acima da plantação de milho de verão, plantado entre setembro e outubro”, informa.
Segunda safra deve consolidar novo recorde de produção no Paraná
O bom desempenho da safra de verão é fundamental para um resultado expressivo no ano. “Para que se concretize uma safra recorde não só no verão, a gente precisa confirmar uma boa segunda safra”, afirma. A segunda safra 2025/2026 está bem encaminhada, diz o analista.
O principal destaque é o milho, cuja produção deve ficar na casa de 17,6 milhões de toneladas em uma área cultivada de 2,91 milhões de hectares. Segundo o Deral, a colheita da cultura teve início e atinge cerca de 3% da área total.
Os desafios para essa segunda safra, naturais do período de inverno, são os períodos mais críticos de geada, chuva e seca, sobretudo ao longo do mês de julho. Ainda assim, técnicos do órgão entendem que eventuais danos não devem alterar de forma profunda os números finais de produção neste momento.
Para Godinho, a safra de verão totalmente fechada e 6% superior à safra de verão anterior é um passo preponderante para um novo recorde, semelhante ao registrado ano passado. No consolidado de 2025, o total foi de 47,3 milhões de toneladas.
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Clima e tecnologia propiciam bom desempenho da safra no Paraná
Lucian Richard Ribeiro de Souza, do Departamento Técnico e Econômico Legal do Sistema Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), comemora o recorde. “O resultado é muito positivo”, afirma. “Não foi necessariamente uma surpresa, havia uma expectativa favorável em relação ao clima, e a gente sabe que os produtores, a cada ano, vêm se especializando, então era algo esperado”.
Somada à expansão da área plantada, Souza acrescenta como motivos que levaram ao bom resultado o trabalho realizado pelos produtores, na busca pela inserção de inovação tecnológica na área das lavouras, e o clima favorável, que ajudou o produtor.
“O sistema Faep tem grande participação nisso, através do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), dos sindicatos e da Federação, principalmente no viés de capacitação e na difusão de boas práticas agronômicas”, afirma.
Em 2025, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Paraná respondeu por 13,5% da participação nacional da produção de grãos. O estado ficou atrás apenas do Mato Grosso (32%). Goiás (11,3%), Rio Grande do Sul (9,3%), Mato Grosso do Sul (8,1%) e Minas Gerais (5,5%) completam a lista.
Brasil
Produto brasileiro de açaí conquista prêmio mundial
No interior da palmeira de açaí, há uma fibra que durante décadas foi descartada e na qual uma empreendedora brasileira vislumbrou potencialidade de negócio. O Gratine, palmito de açaí desenvolvido pela empresa Salada Amazônia, venceu um prêmio internacional do segmento e colocou um ingrediente amazônico, até então esquecido, no cardápio de chefs e no radar do mercado global.
A ideia nasceu de uma constatação simples: o açaizeiro já era matéria-prima consolidada no Brasil, mas suas fibras internas eram pouco aproveitadas comercialmente. A Salada Amazônia transformou esse resíduo em um palmito orgânico especialmente desenvolvido para grelhar — rico em fibras, com 5g de proteína e apenas 96kcal por unidade.
O produto chegou ao mercado com certificação orgânica, rastreabilidade garantida e adequação às exigências regulatórias de cinco destinos de exportação: Japão, Reino Unido, Emirados Árabes Unidos, Europa e Estados Unidos. O caminho não foi simples até alcançar o mercado internacional e à conquista do prêmio Wellnown Award 2026 (categoria “plant-based”) — o concuros reconhece produtos inovadores desenvolvidos por empresas de orgânicos e sustentáveis.
Logística é entrave: comunidades fornecedoras estão em regiões remotas da Amazônia
Grande parte das comunidades fornecedoras fica em regiões remotas da Amazônia, acessíveis apenas por via fluvial, em longas viagens para transporte da matéria-prima. Manter os padrões de certificação orgânica nessa cadeia exigiu estrutura, parcerias técnicas com a Embrapa Amazônia Oriental e mais de duas décadas de desenvolvimento do modelo de manejo sustentável dos açaizais nativos.
Hoje, a empresa opera 11 áreas certificadas. A fundadora do negócio, Mônica Rosa, evidencia que esses desafios são também oportunidades para demonstrar que a bioeconomia amazônica pode gerar produtos inovadores e competitivos.
Os planos incluem expandir as áreas certificadas, desenvolver novos produtos derivados da biodiversidade amazônica e consolidar a marca como referência internacional em alimentos amazônicos. A premiação, segundo Rosa, valida toda a cadeia produtiva construída ao longo dos anos. “O produto transforma os recursos da floresta em alto valor agregado, mantendo-a em pé e gerando renda local”.
Brasil
Casas de luxo em Balneário Camboriú consolidam status de Hamptons brasileiro
Um trecho de praias preservadas ao sul de Balneário Camboriú (SC) passou a concentrar casas de praia na faixa de R$ 20 milhões e viu o metro quadrado valorizar mais de 200% em cinco anos. Segundo a imobiliária J. Maurício, que atua há mais de 25 anos na região da Interpraias, a combinação de baixa densidade, oferta limitada e regras ambientais rígidas colocou o local no centro do foco de investidores como segunda moradia de alto padrão.
Mais que isso: embasa projeções de alta adicional de até 50% em dois anos. O movimento faz o litoral catarinense começar a repetir, em escala menor, a lógica dos Hamptons, luxuosa área costeira em Long Island, Nova York, onde casas de veraneio em áreas de baixa densidade passaram a ser vendidas por cerca de US$ 2,35 milhões nos negócios mais típicos e, em média, por perto de US$ 3,8 milhões no fim de 2025.
Até poucos anos atrás, a área de Balneário Camboriú era mais associada a pousadas familiares e praias agrestes — Estaleirinho, Estaleiro, Pinho, Taquaras, Taquarinhas e Laranjeiras — do que a casas de alto padrão. Enquanto a Praia Central verticalizava e ajudava a colocar o município no topo do ranking das cidades com metro quadrado residencial mais caro do país, com preço médio em torno de R$ 14,9 mil por metro quadrado, a Interpraias seguia com baixa ocupação e natureza preservada.
“Sempre foi o pedaço mais discreto da cidade, com menos barulho, menos movimento e um contato mais direto com a natureza”, resume o corretor Theo Girolamo, que atua na região. Para ele, esse desenho começou a mudar conforme incorporadoras e proprietários passaram a enxergar no trecho uma espécie de “reserva de escassez”.
São poucas frentes de mar disponíveis, boa parte em áreas de proteção ambiental, com gabaritos baixos e parâmetros de ocupação que reduzem a margem de adensamento futuro. “O que faz a Interpraias ser diferente é que, aqui, a verticalização não é uma opção”, acrescenta Maurício Girolamo, diretor-executivo da J. Maurício.
“As regras limitam o número de pavimentos e o quanto você pode ocupar do terreno, então a baixíssima densidade não é uma escolha de marketing, ela é estrutural”, acrescenta ele. De acordo com um levantamento feito pela imobiliária, o metro quadrado na região já subiu mais de 200% em cinco anos, impulsionado pela combinação de escassez de terrenos e entrada de projetos de padrão mais alto.
A mesma projeção fala em uma alta adicional de até 50% em dois anos, caso a demanda por segunda moradia se mantenha e o pipeline de lançamentos continue concentrado em empreendimentos de baixa densidade. O movimento ocorre em um município que está entre os primeiros no ranking nacional de metro quadrado residencial mais caro, segundo o FipeZAP, o que empurra parte dos investidores a buscar oportunidades fora da orla central.
A lógica dos Hamptons em escala catarinense: regras, segurança e capital paciente
Nos Hamptons, a base do mercado de segunda moradia de luxo combina baixa densidade, litoral preservado e estoque limitado de casas em bairros estritamente residenciais. Relatórios recentes da Douglas Elliman e da consultoria Miller Samuel mostram que o quarto trimestre de 2025 foi o mais caro da série: a mediana das vendas residenciais chegou a cerca de US$ 2,35 milhões e o preço médio ficou próximo de US$ 3,8 milhões, com participação recorde de imóveis acima de US$ 5 milhões nas transações.
“É um mercado em que o CEP e o entorno valem tanto quanto a casa”, resume uma das análises ao apontar o impacto da escassez de terrenos e das regras de zoneamento restritivas na precificação.
Na Interpraias, a leitura de quem atua no mercado é parecida, guardadas as proporções brasileiras. “O comprador de segunda moradia ou de longo prazo quer silêncio, privacidade, baixa densidade e um entorno preservado”, aponta Theo Girolamo.
“Quando isso vem acompanhado de oferta limitada, o imóvel deixa de valer só pela metragem e passa a valer pelo território.” Ele explica que a região está inserida na área de proteção ambiental Costa Brava, com plano de manejo que fixa limites de gabarito e de taxa de ocupação do solo por zoneamento.
Nas áreas planas, o regramento costuma permitir apenas poucos pavimentos e ocupação de uma fração do lote; na morraria, as restrições são ainda mais rígidas. Esse arcabouço urbanístico vem sendo reforçado por uma agenda de segurança e organização territorial.
Projeto apresentado pela recém‑criada Agência Interpraias, em articulação com a prefeitura de Balneário Camboriú e o conselho gestor da área de preservação ambiental, prevê a instalação de cerca de 100 câmeras de monitoramento em até dois anos, com investimento estimado em R$ 720 mil e cobertura de aproximadamente 10 quilômetros quadrados. Os equipamentos devem ser distribuídos entre as praias do Estaleirinho, Estaleiro, Pinho, Taquaras, Taquarinhas e Laranjeiras, com leitura automática de placas e, em alguns pontos, reconhecimento facial.
Para os players locais, o conjunto de regras ambientais, baixa densidade e sistema de monitoramento funciona como um “selo de previsibilidade” para quem mira capital de longo prazo.
“Quando existem normas claras e um nível mínimo de organização territorial, a previsibilidade entra no preço”, afirma Girolamo. “É o mesmo tipo de lógica que consolidou os Hamptons: a certeza de que o entorno não vai mudar radicalmente é tão valiosa quanto a casa em si.”
O que observar daqui para a frente
Para quem investe, a aposta é que a valorização não foi um ponto fora da curva. “Nos próximos cinco a dez anos, eu vejo a Interpraias com o metro quadrado mais caro de Balneário Camboriú e entre os mais caros do Brasil”, projeta o empresário Marcos Gracher, fundador da Wave Academias e integrante do conselho gestor da área de preservação ambiental Costa Brava.
Na leitura dele, a combinação de ocupação controlada, proximidade do centro e natureza preservada sustenta essa tese: “É uma região com pouco espaço para crescer, muito perto dos serviços da cidade e cercada de verde. Na minha visão, o futuro do investimento está ali.”
Do ponto de vista da forma urbana, a chave será o tipo de ocupação que a região vai aceitar daqui para a frente. “Vejo com bons olhos a valorização porque é praticamente o único lugar de Balneário onde ainda é possível morar em casa, perto do mar, em um bom terreno e sem edifícios colados dos dois lados”, diz o arquiteto e urbanista Carlos Vinicius Bortolato, coordenador do curso de Arquitetura e Urbanismo da UniAvan.
Ele alerta, porém, que o desenho pode mudar se a pressão por novas vias e moradias em morro ganhar força. “O que mais preocupa no longo prazo é a combinação entre abrir novas vias nas encostas e aumentar a concentração de moradias; quanto mais acessos, mais pressão para construir, e isso pode comprometer justamente o diferencial das praias agrestes, que é a vegetação preservada, menos poluição e sensação de refúgio.”
Na prática, o próximo ciclo deve mostrar se a Interpraias se consolida como bairro de moradores de alta renda ou se caminha para uma lógica de segunda moradia mais parecida com destinos de veraneio clássicos. Bortolato lembra que há muita gente que vive ali e trabalha no centro, o que dificulta enxergar o trecho apenas como enclave de luxo.
Já investidores como Gracher olham para o mesmo território como parte de uma carteira de longo prazo, ancorada em escassez planejada e qualidade ambiental. Entre esses dois vetores é que a Interpraias deve responder, nos próximos anos, até que ponto quer se aproximar da lógica dos Hamptons ou construir um caminho próprio no litoral catarinense.
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